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O flautista de Hamelin: conheça a lenda e as principais teorias sobre o personagem

A curiosa lenda do folclore alemão, que foi popularizada pelos irmãos Grimm, narra um episódio que pode ter realmente ocorrido

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/06/2021, às 15h26

Na ilustração, um grande grupo de crianças segue o flautista, hipnotizadas
Na ilustração, um grande grupo de crianças segue o flautista, hipnotizadas - Imagem de Wikilmages por Pixabay

No século 19, os irmãos Grimm coletaram uma série de contos populares alemães e os adaptaram, difundindo as narrativas ao redor do mundo.

Uma dessas histórias, a do flautista de Hamelin, se mostrou tão instigante que acabou se tornando objeto de pesquisa de uma série de historiadores, que consideram a possibilidade de o incidente relatado ter base em algum acontecimento real.

Diz a lenda que, certa vez, um flautista foi contratado para acabar com a praga de ratos que havia em Hamelin. Imediatamente, hipnotizados com a melodia tocada, os animais saíram pelos portões da cidade em direção à ruína.

Contudo, as pessoas que viviam no local se recusaram a pagar pelo trabalho do flautista, que decidiu se vingar atraindo as crianças com os sons de sua flauta. Assim, meninos e meninas seguiram o músico em transe para fora da cidade e nunca mais foram vistos.

Um caso real?

Na fachada da casa do flautista, como é chamado um dos principais pontos turísticos da cidade, construído em 1602, há uma placa com a seguinte inscrição: "Em 26 de junho de 1284, no dia de São João e São Paulo, 130 crianças nascidas em Hamelin foram retiradas da cidade por um flautista vestido com roupas multicoloridas. Depois de passar pelo Calvário perto de Koppenberg, desapareceram para sempre."

De acordo com uma matéria da BBC, um outro registro antigo de Hamelin, que sugere a ocorrência de um sequestro no local, é uma inscrição datada de 1384 que diz: "já se passaram 100 anos desde que nossas crianças partiram".

Mais antiga ilustração sobre a lenda / Crédito: Domínio Público/Augustin von Moersperg

 

Há ainda um manuscrito do século 15, chamado Luneburg, que referencia uma narrativa semelhante: a de que 130 jovens (ou crianças) desapareceram em 26 de junho de 1284, após seguirem um flautista até uma região chamada Calvário ou Koppen.

Teorias

De acordo com Wibke Reimer, coordenador de projetos do Museu Hamelin, há diversas teses sobre a história do flautista. Uma das principais delas sugere que os jovens da cidade migraram para a Europa Oriental em razão da recessão econômica.

"Nesse cenário, o flautista desempenhava o papel do chamado localizador ou recrutador. Eles eram responsáveis ​​por organizar as migrações para o leste, e dizem que usavam roupas coloridas e tocavam um instrumento para atrair a atenção dos colonos (clientes em potencial)", afirma Reimer.

Há ainda historiadores que sugerem que a lenda reflete a Cruzada das Crianças do século 13, que tinha como objetivo a retomada de Jerusalém, a Terra Santa

Fotografia das ruas de Hamelin, na Alemanha / Crédito: Wikimedia Commons/Dewi König

 

A praga da dança

Contudo, talvez a mais curiosa das teorias é a que diz ter ocorrido na região um surto de dança coletiva, fenômeno medieval registrado em certas ocasiões após uma série de pandemias e desastres naturais. A praga da dança, também conhecida como Dança de São Vito, teria surgido no século 11, na Europa.

Foi registrado, no século 13, um incidente como esse na cidade de Erfurt, que fica ao sul de Hamelin. Na ocasião, um grupo de jovens teria ficado rodopiando de maneira descontrolada, de modo que muitos acabaram chegando bem longe dali: a 20 km de distância, já em outro povoado. Um dos registros, inclusive, afirma que algumas crianças, morreram de tanto dançar, enquanto outras acabaram ficando com tremores crônicos.

Na ilustração, o flautista encanta um grupo de crianças / Crédito: Domínio Público/Kate Greenaway

 

Uma única data

Porém, há algo que nenhuma das teorias conseguiu explicar, segundo Reimer: "Não explicam a data específica citada em que as crianças desaparecem, e o sentimento local de trauma", disse o coordenador. "Aconteceu algo que as autoridades encobriram? Algo tão traumático que se transmitiu oralmente durante tanto tempo na memória coletiva do povo, durante décadas e até séculos?", questionou.

Ele pontua que o dia 26 de junho, que repetidas vezes aparece nos documentos como a data do evento, marca também as celebrações pagãs do solstício de verão.

Além disso, a apuração ainda enfatiza que o fato de a documentação dizer que as crianças seguiram o músico até o Koppen, traduzido como "montanhas", sugere uma outra hipótese: é possível que o flautista, quem simbolizaria um xamã pagão, estivesse levando os jovens de Hamelin para realizar as festividades daquela data quando uma facção cristã os atacou. 


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