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O homem da máscara de ferro: Verdade ou mito?

Como a história de um prisioneiro do século 17 chegou até os dias atuais e virou um dos maiores símbolos de Hollywood

Vinícius Buono Publicado em 15/09/2019, às 08h00

O Homem da Máscara de Ferro
O Homem da Máscara de Ferro - Reprodução

Provavelmente o prisioneiro mais misterioso da história, o Homem da Máscara de Ferro inspirou algumas histórias desde que passou pelos cárceres franceses no século 17. De Voltaire a Leonardo DiCaprio, passando por Alexandre Dumas, a identidade do rapaz sempre foi motivo de inquietação. Mas, afinal, quem foi ele?

Para Voltaire e Dumas, que lhe atribuíram um parentesco com o Rei Luís XIV, alegando ser essa a razão para o uso do artefato que lhe fez famoso, o homem por trás do mistério era importante.

Segundo o filósofo, ele seria um irmão mais velho e ilegítimo do rei, enquanto o romancista vai ainda mais longe: o homem usaria a máscara por ser gêmeo do monarca e, portanto, o rosto mais reconhecido do país.

Cartas do carcereiro, um homem chamado Bénigne d'Auvergne de Saint-Mars, foram descobertas só em 2015 e, pelo que consta nelas, o nome do infame prisioneiro seria Eustache Dauger, um homem envolvido em diversos escândalos políticos no final do século 17. 

Entre as polêmicas, estavam o Caso dos Venenos, onde diversos membros da alta sociedade francesa foram envolvidos em casos de envenenamento e rituais satânicos, promovidos por Catherine Montvoisin, considerada a maior serial killer da história .

Apesar disso, o envolvimento de Dauger não devia ser tão intenso, ou ele teria ido para a fogueira como outros condenados. O que ele fez de tão grave, então, para merecer tal punição? Provavelmente, nada. E a máscara nem era de ferro, outra invenção de Voltaire, mas sim de veludo negro.

Segundo consta nos relatos, Saint-Mars teria obrigado Dauger a usar a máscara justamente para criar essa mística, dando a entender que ele mantinha um prisioneiro importante sob sua custódia. Quase quatro séculos depois, é possível dizer que a tática funcionou. Neles, também, havia uma descrição da cela onde ele jazia e ela era bem simples, em vez da opulência que imaginaram os famosos autores.

Saint-Mars era um avaro de primeira e teria feito isso para, além de ganhar status e respeito, desviar dinheiro que o rei mandava para cuidar de um prisioneiro de alta periculosidade.

Existem relatos conflitantes, dizendo que Eustache Dauger teria morrido numa prisão para monges, bem longe de Saint-Mars e da máscara de ferro, o que impede que o martelo seja batido, confirmando-o como o encarcerado.

Independente de quem era, o homem (e a máscara) sobreviveram ao tempo, virando até produção de Hollywood inspirada na história de Dumas. Nela, não há mistério: o famoso prisioneiro é ninguém menos que Leonardo DiCaprio.