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O homem que devolveu uma revista roubada 51 anos depois

Ele havia furtado o item em 1968, e o devolveu em 2019 para a surpresa dos donos originais

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 31/07/2021, às 09h00

Fotografia da revista e de carta pedindo desculpas
Fotografia da revista e de carta pedindo desculpas - Divulgação/ Biblioteca Pública do Condado de Cuyahoga

Os funcionários de uma biblioteca pública do estado norte-americano de Ohio ficaram surpresos quando, em 2019, receberam de volta uma revista Life que fora retirada do local por volta de meio século antes. 

Junto com o exemplar, que é de 1968 e traz uma fotografia dos Beatles no capa, veio uma carta com um pedido de desculpas e um cheque de 100 dólares — que seria, naquele ano, o equivalente a 377 reais. O caso foi divulgado pela ABC News e repercutido pelo G1 na época. 

“Olá. Eu roubei essa revista da livraria Parma Ridge Road quando eu era uma criança. Me desculpe por ter pegado. Eu anexei um cheque para pagar a multa atrasada”, diz a mensagem, que foi escrita por um estadunidense que se identificou como “Brian”. 

De acordo com o então porta-voz da instituição, que se chama Robert Rua, a biblioteca pública aceitou o pedido de desculpas do homem, e ainda o agradeceu por ter feito “a coisa certa”. 

Vale mencionar que a taxa para atraso na devolução de exemplares é de 10 centavos por dia, de forma que a verdadeira multa para um atraso de 51 anos passaria de 1.800 dólares, ainda conforme a ABC News. 

Felizmente para Brian, a tarifa para de aumentar após chegar a 100 dólares. E, de qualquer forma, uma edição da Life da década de 60 pode ser adquirida hoje na internet pelo valor de 50 dólares, de maneira que a quantia paga pelo cheque do norte-americano já serve também para expressar seu arrependimento. 

Outro caso

Nos últimos anos, surgiram diversas notícias sobre pessoas que se esqueceram de devolver livros — ou revistas, como nesse caso — para bibliotecas décadas atrás, e acabaram realizando a restituição apenas recentemente como forma de desencargo de consciência.

Até mesmo George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, cometeu um deslize assim. Conforme divulgado pelo The Guardian em 2010, o estadista pegou emprestada uma obra a respeito de política internacional de uma biblioteca localizada em Nova York no ano de 1789, contudo nunca chegou a devolver o exemplar em vida. 

Fotografia do livro esquecido / Crédito: Wikimedia Commons

 

A restituição foi realizada depois que a instituição fez um inventário de seus livros, e deu falta da obra, que se chamava “The Law of Nations” (Ou, em tradução livre, “A Lei das Nações”) e era escrita pelo diplomata Emer de Vattel. 

Quando foi constatado que o responsável por retirar o exemplar do local fora ninguém menos que Washington, os empregados de Mount Vernon decidiram pagar por uma nova edição da mesma publicação. A residência, no caso, é aquela que o presidente morou, e que hoje é aberta à visitação. 

Fotografia de Mount Vernon / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, o livro nunca devolvido por George Washington voltou para sua biblioteca original 221 anos depois, ainda conforme o The Guardian. Também neste caso, a multa pelo atraso não foi cobrada — até porque a soma das taxas diárias totalizou a exorbitante quantia de 300 mil dólares.