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Família dez doações: O idoso que morreu de Covid-19 e deixou uma rica coleção de 70 mil moedas

Aos 14 anos de idade, Nathalino Ruy guardou moedas de seu primeiro salário; décadas depois, a pequena economia havia se tornado uma imensa coleção

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 03/07/2021, às 09h00

Moedas da coleção de Nathalino
Moedas da coleção de Nathalino - Divulgação/Arquivo Pessoal/Leandro Ruy

Nathalino Ruy tinha 83 anos de idade quando, em março de 2021, faleceu em decorrência da Covid-19. Ele vivia em Jundiaí, em São Paulo, e desde muito cedo, aos 14 anos, colecionava moedas do Brasil e de diversos outros países.

Essas moedas se transformaram em um verdadeiro acervo para seus filhos e netos.

Um enorme acervo

O G1 realizou uma matéria com os familiares de Nathalino, que revelaram a existência de um gigantesco acervo contendo moedas de países como Japão, União Soviética, Grécia e Emirados Árabes.

A coleção era tão grande que pesava mais de 240 quilos, de modo que necessitou de várias pessoas para contar o valor total e isso em um período que durou quase 24 horas. 

"Ele sabia tudo sobre moedas e conseguiu passar grande parte desse conhecimento para uma das netas que se interessava pelo assunto. Ela está ajudando com as pesquisas sobre os valores das moedas colecionáveis", explicou o filho do idoso, Leandro Ruy.

Coleção de moedas ao lado de um retrato de Ruy / Crédito: Divulgação/TV TEM

 

Grande paixão

De acordo com os familiares do colecionador, sua paixão pelas moedas teve início quando recebeu seu primeiro salário, aos 14 anos. Na época, o jovem Ruy colocou os trocos dentro de um pote, o que passou a tornar um hábito ao longo de sua vida.

Quando, em 1994, chegou nossa moeda atual, o real, a coleção passou a se misturar com as economias do idoso, uma vez que guardava também os trocos que recebia quando ia ao mercado.

Também os amigos de Nathalino, quando viajavam ao exterior, traziam moedas para ele, o que contribuiu para a diversificação de sua coleção.

Moedas estrangeiras da coleção de Nathalino / Crédito: Divulgação/TV TEM

 

O desejo de Nathalino

O idoso desejava que seus familiares usassem suas economias e coleção para ajudar quem mais precisasse. Desta forma, a família decidiu realizar uma doação de panetones com a parte que conseguiram trocar no mercado e, com a outra, entregaram vales para entidades assistenciais.

"Nós contamos todas as moedas e chegamos a um valor de mais de R$ 20 mil. Decidimos ir até um supermercado que fazia a troca por panetones. O que não conseguimos trocar transformamos em dois vales, que foram doados para famílias necessitadas. Esse era o desejo dele", declarou o filho de Nathalino.

Moedas de Nathalino / Crédito: Divulgação/TV TEM

 

Covid-19

O idoso contraiu a Covid-19 no primeiro trimestre deste ano. Nos primeiros dias, ele permaneceu em casa, isolado do restante da família, mas em 3 de março necessitou ir até o hospital, após um mal súbito e ficou internado na enfermaria. Em seguida, foi transferido para a UTI, onde faleceu 15 dias depois, em 18 de março.

"Foram momentos de tristeza e de esperança. Durante as visitas, ele estava sempre alegre, mandava recados para os conhecidos e pedia uma festa com tudo azul para a sua saída do hospital, mas, infelizmente, não foi possível", lembrou o filho.

Ele contou que a família fez uma homenagem com balões azuis durante o cortejo. "A tristeza foi de não podermos ao menos nos despedir, dar o último abraço, ouvir a última palavra. Sua vacina estava agendada, mas não deu tempo", finalizou.