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O incrível caso do homem que achou uma mensagem da Segunda Guerra na chaminé de casa

O bilhete estava na pata de um pombo-correio, cujo esqueleto foi anunciado em 2012 no mesmo local na residência, localizada em Bletchingley, Inglaterra

Vanessa Centamori Publicado em 18/08/2020, às 12h53

David Martin em antiga reportagem do The Telegraph
David Martin em antiga reportagem do The Telegraph - Divulgação/Youtube/The Telegraph/02.09.2012

Em 2012, na Inglaterra, David Martin, de 74 anos, fez, por acaso, uma descoberta capaz de invejar muitas pessoas. Embora não tivesse a intenção de realizar tal feito, o ex-oficial de justiça, ao reformar a chaminé de sua casa, na vila de Bletchingley, em Surrey, se surpreendeu ao revirar uma pilha de lixo.

Lá, entre os itens descartáveis, estava algo surpreendente: os restos mortais de um pombo-correio da Segunda Guerra Mundial. Muita gente não sabe, mas esses animais foram vitais para os serviços de inteligência do segundo grande conflito global. Treinados para enviar mensagens sigilosas, eram capazes de contribuírem para orquestrar ataques fatais. 

No caso do pombo morto encontrado por Martin, ele provavelmente havia feito um voo perigoso, a partir do território ocupado pelos nazistas, a centenas de quilômetros de distância. Mas o que será que esse "recruta" carregava de tão importante? 

Pata de pombo encontrada por David Martin na chaminé de sua casa / Crédito: Divulgação/Youtube/The Telegraph/02.09.2012

 

O achado 

David Martin e sua esposa, Anne, notaram que o pombo levava um recipiente vermelho, com um pedaço de papel fino, com palavras secretas. Logo de cara, dava para ver o dizer "serviço de pombo", seguido por 27 blocos de código manuscritos.

O incrível documento logo foi enviado pelo ex-oficial de justiça para decifradores especialistas do centro de inteligência CGHQ (Government Communications Headquarters).

Porém, eles não conseguiram desvendar o quebra-cabeça que eram aqueles códigos. Segundo a BBC, os especialistas chegaram até a dizer que, "sem acesso aos livros de código relevantes e detalhes de qualquer criptografia adicional usada", a mensagem permaneceria "impossível de descriptografar".

Reviravolta

Só foi quando o bilhete passou pelas mãos de Gord Young, membro do grupo de história local Lakefield Heritage Research, que o impossível se demonstrou não tão improvável assim. Young disse que demorou apenas 17 minutos para decifrar a mensagem.

À rede BBC, ele revelou ainda que a nota era do ano de 1944 e, apesar de ser da Segunda Guerra, ainda mantinha um código simples da Primeira Guerra Mundial. O sistema costumava ser utilizado para detalhar as posições das tropas alemãs na Normandia.

Mensagem codificada que estava acoplada ao pombo / Crédito: Divulgação/Youtube/The Telegraph/02.09.2012

 

Para ter acesso à essa informação, Young usou um livro de seu tio-avô, que era usado por observadores aéreos da força britânica Royal Flying Corp. Após alguns minutos quebrando a cabeça, o responsável pelo documento foi identificado: o autor do bilhete, conforme escrito, era o soldado Sgt William Stott, de 27 anos. 

O rapaz fazia parte do regimento do exército britânico chamado de Fusiliers de Lancashire. Ele teria liberado o pombo-correio, junto a mais outro, com duas mensagens exatamente iguais, em Normandia. A intenção era descrever aos aliados em que posições os alemães estavam.

Uma das possibilidades é que o pombo tinha como destino final o quartel do Marechal de Campo Montgomery, em Reigate, Surrey. A partir de lá, Montgomery planejou os desembarques do Dia D — data na qual os aliados desembarcaram nas praias Normandia, dando o começo ao final da Segunda Guerra. 

Tragicamente, semanas depois de mandar as mensagens por meio dos animais voadores, o sargento Sgt William Stott faleceu e está hoje enterrado em um cemitério na mesma área do norte da França. 

Imagem ilustrativa de pombo empalhado que foi usado na Segunda Guerra Mundial / Crédito: Divulgação/Peacepark,org

 

Morte do pombo

Para se ter uma ideia, durante a Segunda Guerra, o SOE — sigla do departamento de espionagem do governo britânico — utilizou mais de 250 mil pombos correios. Mais seguro do que simplesmente mandar soldados, os pássaros eram considerados também mais rápidos e eficientes na hora de enviar códigos secretos. 

No caso do recruta voador encontrado na chaminé, ele provavelmente não sobreviveu para entregar o bilhete. Teria dado uma parada na casa para descansar, após voar por centenas de quilômetros. Então, caiu lá de cima, talvez até devido à fumaça de um incêndio. 

Assim, o bicho morreu, com a mensagem vital ainda presa na perna. Para se ter a ideia da importância do texto, ao jornal The Daily Mail, Colin Hill, curador de uma exposição especializada em pombos-correio da Segunda Guerra, apontou que a informação acoplada no animal deve ser "altamente secreta". 

"O anel de alumínio encontrado na pata do pássaro nos diz que ele nasceu em 1940, e sabemos que é um pombo das Forças Aliadas por causa da cápsula vermelha que carregava, mas isso é tudo o que sabemos", explicou. 


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