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O insólito caso do professor decapitado por apresentar charges de Maomé, na França

Samuel Paty foi morto na sexta-feira, 16, por um radical islâmico

Giovanna Gomes Publicado em 24/10/2020, às 00h00

Samuel Paty durante aula
Samuel Paty durante aula - Divulgação

Um caso muito chocante envolvendo extremismo religioso ocorreu o mundo nos últimos dias. Um professor de história e geografia foi decapitado por um radical islâmico após mostrar charges do profeta Maomé para seus alunos. O mais estranho foi que Samuel Paty, o profissional, havia tratado sobre o tema liberdade de expressão na ocasião em que apresentou a arte aos jovens. 

Segundo relatos, como fazia todos os anos, o professor teria dito aos alunos muçulmanos que estes poderiam desviar os olhares das imagens caso se sentissem ofendidos, já que os islâmicos acreditam que qualquer caracterização do profeta é uma blasfêmia. No entanto, ele acabou sendo vítima de extremismo religioso ao ser brutalmente executado aos 47 anos.

O crime

O atentado ocorreu em Conflans-Saint-Honorine, cidade em que o professor morava e também onde ficava a escola onde trabalhava. Tudo aconteceu às 17h no horário local, meio-dia em Brasília. O assassino de 18 anos teria saído da cidade de Évreux, na Normandia, onde vivia, e ido até a escola onde o professor trabalhava e o seguido na rua enquanto ele voltava para casa. Assim, o criminoso de origem chechena atacou Paty em uma rua, decepando sua cabeça. 

Manifestação pela liberdade de expressão e em apoio ao professor - Crédito: Getty Images

 

O assassino fugiu, no entanto, a polícia o localizou em Éragny, a cerca de 3km do local onde a vítima foi morta, por volta das 20h. Segundo as autoridades, os agentes teriam ordenado que o homem se entregasse, todavia, ele usava um colete de explosivos e os ameaçou, de modo que foi alvejado.

Investigações  

Logo nos primeiros dias que antecederam o crime, 11 pessoas foram detidas por terem demonstrado apoio ao assassinato. Entre eles estão o pai de uma aluna muçulmana, e o militante islamita Abdelhakim Sefrioui, os quais teriam emitido uma “fatwa”, ou decreto religioso, contra o professor. O pai da menina teria postado um vídeo no Facebook criticando o professor e pedindo sua demissão.

Imagem da manifestação - Crédito: Getty Images

 

Segundo declarou o promotor contra terrorismo da França, Jean-François Ricard, o assassino pagou uma quantia entre 300 e 350 euros (entre R$ 2 mil e R$ 2,3 mil) para que alguns alunos apontassem quem era o professor. Dois adolescentes, um de 14 e outro de 15 anos, estão entre os acusados de "cumplicidade em um assassinato terrorista" e "conspiração criminosa".

"A investigação apontou que o autor do crime sabia o nome do professor, o nome da escola e o endereço, mas não tinha meios para identificá-lo", declarou Ricard. "Essa identificação só foi possível com a ajuda de alunos da escola".

"É por isso que a promotoria antiterrorismo decidiu processar dois menores de 18 anos, cujas implicações na identificação da vítima pelo assassino parecem ser conclusivas", afirmou.

Além disso, o Governo também declarou recentemente que está investigando 51 associações muçulmanas francesas.

Manifestações e homenagens

Uma série de manifestações em homenagem ao professor e em defesa da liberdade de expressão tomou conta das ruas no fim de semana após o crime. Na Praça da República, em Paris, manifestantes levantaram cartazes que diziam "não ao totalitarismo do pensamento" e "sou professor". 

Os jornalistas do jornal "Charlie Hebdo", que foi vítima de um ataque terrorista em 2015, foram um dos organizadores da homenagem. Diversos líderes políticos marcaram presença na manifestação, inclusive membros do partido do presidente Emmanuel Macron. 

Na última quarta-feira, 21, a França realizou a maior honraria a Samuel Paty, chamada Legião de Honra, na Universidade Sorbonne. Na cerimônia, o filho de 5 anos do professor foi declarado 'pupilo da nação', título que recebem os filhos de pessoas que morreram na guerra ou em atentados. 


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