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O intrigante esqueleto da vila neolítica submersa de Atlit Yam

O sítio arqueológico de por volta de 8.500 anos guarda inúmeras descobertas impressionantes, como um semicírculo de pedras ritualístico

Isabela Barreiros Publicado em 19/06/2020, às 07h00

O esqueleto encontrado em Atlit Yam
O esqueleto encontrado em Atlit Yam - Wikimedia Commons

Desde os anos 1960, inúmeras descobertas arqueológicas vêm sendo feitas na costa mediterrânea do município de Atlit, em Israel. Entre assentamentos submersos nas águas próximas e naufrágios antigos, pesquisadores ficam cada vez mais entusiasmados com as possibilidades de pesquisa da região.

Ao longo dos vários anos de escavações e estudos, a área passou a ser considerada uma descoberta arqueológica muito importante por si só. Submersa, estava uma antiga vila neolítica que cobre pelo menos 40 mil metros quadrados, por volta de 10 acres, que ficou conhecida como Atlit Yam. Nela, foram encontrados diversos artefatos e objetos raros.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Os pesquisadores observavam que a costa guardava casas retangulares e um poço provavelmente feito pela população que ali vivia antigamente. Esses achados puderam caracterizar o sítio arqueológico como um antigo assentamento humano, que, segundo a datação de carbono realizada no local, datava entre 8900 e 8300 anos.

Essas descobertas foram feitas principalmente no ano de 1984, quando o arqueólogo marinho Ehud Galili decidiu examinar a região na procura de naufrágios. Além deles, conseguiu perceber que o local guardava muito mais: foi quando avistou diversos restos antigos, como possíveis residências, lareiras e o já mencionado poço.  

Especificamente sobre o fundo buraco, ele está, nos dias de hoje, a aproximadamente 10,5 m abaixo do nível do mar, tem um diâmetro de 1,5 m e uma profundidade de 5,5 m. Além disso, ele possui paredes feitas de pedra seca, pederneiras e osso moídos de animais. Os especialistas encontraram mais restos animais sobre a entrada do poço, o que os sugeriu que talvez ele estivesse em desuso pela população que posteriormente abandonou o local.

Diversos artefatos como vasos feitos de pedra e ferramentas pré-históricas também foram descobertos. Mas uma estrutura em particular intrigou muito os pesquisadores. Era uma espécie de semicírculo de pedras que, com sete megálitos no total, pesando cerca de 600 quilos, montava o que parecia algum tipo de rito.

Ilustração do semicírculo de pedra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Esculpidas, essas pedras estavam colocadas sistematicamente ao redor de uma nascente de água doce. Devido ao posicionamento desses megálitos e também pelas inscrições observadas neles, as pesquisas indicam que se tratava de um ritual “da água” feito pelas pessoas que viviam no local.

No entanto, os mais importantes achados Atlit Yam provavelmente são os esqueletos completos encontrados na região. Em 1 de outubro de 1987, uma escavação realizada pela Universidade de Haifa, de Israel, fez a primeira descoberta que iniciou um longo processo de escavações nos próximos anos. Eles encontraram um esqueleto humano completo, que estava muito bem preservado sob 10 metros de água.

Além da preservação, a acomodação dos ossos também intrigou os arqueólogos: ele estava em posição fetal, deitado para o lado direito. Além disso, ele também foi muito importante para a datação do sítio arqueológico por meio da análise do carbono vegetal encontrado em seu túmulo. Foi assim que eles afirmaram que o local estava em 8 mil anos.

Um dos artefatos encontrados / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2008, pesquisadores escavaram mais dez enterros flexíveis, que estavam tanto dentro das casas retangulares anteriormente descobertas quanto nas proximidades da vila neolítica. Eles analisaram os corpos e descobriram que um deles era de uma mulher e outro de uma criança. O restante provavelmente se trata de homens.

Além disso, quatro dos esqueletos estavam com danos nos ouvidos, o que os pesquisadores acreditam terem sido causados por mergulhos em água fria. Eles provavelmente iam até o fundo das águas para conseguir frutos do mar, de acordo com anzóis e pilhas de espinhas de peixe prontos para o comércio encontrados na região, demonstrando a relevância desses recursos para os habitantes.

Isso também indica que eles podem ter deixado a vila de forma repentina. A especialista Maria Pareschi desenvolveu uma pesquisa pelo Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia de Pisa e descobriu que a região provavelmente foi acometida por tsunami causado por um colapso vulcânico do flanco leste do Monte Etna, há 8.500 anos. É provável que Atlit Yam tenha sido abandonada rapidamente devido a esse motivo.


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