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O Isaac Newton da música: os enigmas de Johann Sebastian Bach, o pai da harmonia

As icônicas composições de Bach ilustram qual os sons que se pode conseguir ao fazer música com uma abordagem matemática

Ingredi Brunato Publicado em 29/11/2020, às 06h00 - Atualizado às 07h00

Pintura de Johann Sebastian Bach
Pintura de Johann Sebastian Bach - Wikimedia Commons

Johann Sebastian Bach é um dos mais célebres nomes da música clássica até os dias atuais. O músico alemão alcançou a proficiência em muitas funções durante sua vida, como de organista (tocador de órgão), violinista, compositor e maestro. 

Um dos motivos pelo qual a música criada por ele entrou para a História pode ser indicada pelo título pelo qual Beethoven mais tarde o chamou: “o pai da harmonia”. Bach compunha com um rigor técnico único, e uma abordagem que buscava criar beleza a partir da ordem e da simetria. 

Um exemplo

Cânone do Caranguejo é uma música curta que ilustra muito bem o tipo de princípio que o compositor alemão valorizava ao organizar notas musicais em uma partitura. Sua melodia é composta de uma única linha, que é tocada a primeira vez normalmente, para então ser repetida, porém dessa vez de trás para frente, terminando com as duas versões sendo tocadas ao mesmo tempo — é pura simetria, duas partes iguais porém opostas. 

Dessa forma, essa melodia também pode ser considerada um palíndromo. Um exemplo mais famoso de palíndromo é a frase: “Roma me tem amor”, que diz a mesma coisa lida de trás para frente. Também existem estruturas assim na Natureza, como é o caso do próprio DNA

Também é relevante dizer que “Cânone do Caranguejo” é um nome que foi dado depois da morte do músico, fazendo referência à como esses crustáceos andam de lado, assim como o som dessa melodia. 

Na música de Bach, esses padrões simétricos são chamados também de fractais, e sua repetição ao longo de sua obra mostra como sua arte é inspirada antes por elementos da lógica do que por emoções. 

Casa onde Bach morou / Crédito: Wikimedia Commons

 

A matemática 

A relação entre o estilo artístico do músico alemão e a disciplina da matemática é auto-evidente. Assim como Pitágoras acreditava que padrões numéricos continuam uma beleza inigualável, o compositor possui um trabalho que parece buscar comprovar essa máxima. As partituras de Bach revelam o som da matemática. 

Segundo o autor Joel Robertson, que escreveu o livro “Natural Prozac: Learning to Release Your Body's Own Anti-Depressants” (Ou “Prozac Natural: Aprendendo a Liberar os Antidepressivos do seu Próprio Corpo”, em tradução livre), ouvir as composições do alemão seria capaz de produzir tanto efeitos de relaxamento quanto de energização. 

Isso porque as harmonias simétricas de Bach aparentemente teriam como propriedade o estímulo à liberação de serotonina no cérebro, um neurotransmissor fundamental para o bem-estar. Uma evidência de que os métodos musicais do alemão são capazes de se comunicar com algo em nossa estrutura.

Enigmas 

Busto de Bach / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outro exemplo de como Johann Sebastian Bach tratava música como uma ramificação da matemática é como, no fim da vida, enquanto professor, criou gosto por produzir “enigmas musicais”, que passava a seus alunos. 

Esses enigmas misturariam inscrições em latim com partituras incompletas, tendo por objetivo que os interessados em chegar na solução precisassem deduzir a melodia final através da interpretação das palavras na língua antiga. 

Atualmente, existem certas respostas que se tornaram padronizadas, todavia não significa que sejam o resultado que Bach realmente esperava, de forma que aficcionados por música ainda podem tentar sua sorte se assim quiserem.


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