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Jogo da morte Asteca: Quem perdia era sacrificado

Esse jogo é o esporte mais conhecido dos povos mesoamericanos. Em partidas cerimoniais, o time perdedor era decapitado

Fabio Marton Publicado em 16/08/2019, às 06h00 - Atualizado às 07h00

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Jogadores em campo / Crédito: Hafaell

O nome era ollamaliztli em nahuatl (asteca) ou pitz em maia. Mas a ideia havia surgido muito tempo antes desses povos, por volta de 1400 a.C. na civilização olmeca, a primeira a construir grandes cidades no México — que incluíam colossais quadras de bola.

Assim, os mesoamericanos jogaram bola por quase 3 mil anos, até a conquista espanhola — ou bem mais, se você considerar o ulama, jogo praticado ainda hoje na região de Sinaloa, que usa os quadris para jogar a bola de um lado a outro.

Entre os maias, que fizeram a maior quadra conhecida em Chichen Itza, os jogos eram revestidos de profundo significado religioso, relacionados ao mito dos Gêmeos Heróis, que teriam desafiado os senhores de Xibalba, o submundo, para uma partida. Os astecas também viam no jogo um sentido cósmico, a batalha do Sol contra a noite.

Mas eles tinham uma atitude bem mais casual: a maioria dos jogos era feita por diversão, com ninguém saindo morto (salvo acidente). Os nobres eram os profissionais, mas plebeus batiam uma pelada em campos improvisados. Havia até banca de apostas.

Mostramos aqui a presumida versão asteca numa quadra inclinada - havia inúmeros tamanhos e variações, com a quadra maia em Chichen Itza com paredes verticais e o anel a impossíveis 6 metros de altura. Presumida porque as regras não são conhecidas em detalhes.

Componentes do campo / Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Confira os detalhes:

Sacrifícios

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Em jogos cerimoniais, o time perdedor era sacrificado por decapitação. Algumas figuras em quadras até mesmo mostram os vencedores jogando com suas cabeças.

Como os sacrifícios na sociedade asteca eram de figuras de baixo status, podendo jogar contra verdadeiros ídolos da torcida, os historiadores acreditam que esses jogos eram pré-arranjados e o time dos prisioneiros não tinha a menor chance.

Regras

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Como um jogo milenar que passou por muitas culturas, as regras variavam enormemente. Em todas elas, a ideia era não deixar a bola cair nem sair da quadra. Na versão asteca, depois de duas quicadas, no máximo, ela tinha de ser passada para o lado adversário.

Se a parede do outro lado fosse atingida, era ponto. Se o time falhasse em passar, deixasse a bola ir para fora ou falhasse numa tentativa de passar pelo aro, era o adversário que ganhava pontos.

Variações

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Acredita-se que a versão principal entre os astecas permitia apenas o uso dos quadris, talvez joelhos. Em outras variações (ou nessa, vai do historiador) podiam valer os punhos, cotovelos, cabeça ou até mesmo tacos, muito parecidos com os do hockey moderno.

Grande prêmio

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Como tentar mandar a bola através do anel e errar dava pontos ao inimigo, e como era extremamente difícil fazer isso com os quadris, era raro ver uma bola passar por ele. Mas, quando passava, era o fim do jogo — vitória para quem conseguiu.

Bola

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Era feita de uma mistura de borracha de plantas diferentes, para que quicasse de forma ideal. Podia ter 30 cm de diâmetro e pesar até 4 kg — o que fazia com que tivesse um impacto brutal. Os jogadores frequentemente saíam da quadra cheios de hematomas, às vezes com ossos quebrados e, em impactos contra a cabeça, podiam até mesmo acabar mortos.

Jogadores

 Crédito: Reprodução/Hafaell

 

Os nobres aprendiam a jogar na escola, a calmenac. Quem fosse realmente bom podia se tornar um profissional. Escravos e cativos de guerra, destinados ao sacrifício, também jogavam.

Havia todo um equipamento, espécie de armadura de tecido, couro e madeira, usado para proteger de boladas e ajudar a mover a bola com mais impacto. A proteção nos joelhos era porque os jogadores tinham que se jogar no chão frequentemente.