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O julgamento de bruxas mais cruel da História

Processo ocorreu na Espanha, em 1610, pelo Tribunal da Inquisição de Logroño

Joseane Pereira Publicado em 05/11/2019, às 08h00

El Aquelarre, quadro de Goya evocando o julgamento das Brujas de Zugarramurdi
El Aquelarre, quadro de Goya evocando o julgamento das Brujas de Zugarramurdi - Wikimedia Commons

Quando pensamos em caça às bruxas, a lembrança mais comum é sobre o julgamento de Salém, ocorrido na Nova Inglaterra colonial. Entretanto, outras perseguições a supostos feiticeiros foram igualmente terríveis – ou até pior. É o caso da caça às bruxas espanhola, que resultou em milhares de processos e dezenas de mortes.

BRUXAS DA ESPANHA

Uma coisa específica sobre a Inquisição Espanhola era que governantes seculares do Clero se reuniam com a Igreja para supervisionar os processos – um acordo entre a Igreja e o Estado para perseguir hereges.

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Aquellos polvos, de Goya, destacando uma bruja sentada com dignidade humilde, ouvindo a sentença de seu Inquisidor / Crédito: Wikimedia Commons

Um dos maiores julgamentos de bruxas realizados pela Inquisição Espanhola ocorreu na vila de Zugarramurdi, localizada no País Basco. Lá, no ano de 1610, uma moradora afirmou ter visto em sonhos que seus vizinhos participavam de um ritual em uma caverna próxima. Isso chamou atenção dos juízes do Tribunal da Inquisição de Logroño, que prendeu 53 paroquianos locais.

No dia 7 de novembro daquele ano, cerca de 30 mil pessoas foram a Logroño para assistir ao auto de fé, que se iniciou com uma procissão liderada pela bandeira do Santo Ofício, seguida por mil comissários e membros da Inquisição que usavam brincos de ouro e cruzes no peito.

Após isso, entraram os penitentes: 21 deles estavam com uma vela nas mãos, e seis com uma corda na garganta, para indicar que deveriam ser chicoteados.

O processo teve dois dias de duração. No dia 8 de novembro, uma segunda feira, 18 pessoas acusadas de bruxaria foram redimidas por terem confessado seus atos. Mas seis homens e mulheres que resistiram à Inquisição foram queimados vivos, junto a cinco pessoas que já haviam morrido sob tortura.

O número total de pessoas acusadas pela Inquisição no País Basco ficou desconhecido por muito tempo. Apenas depois que o Vaticano abriu os arquivos, revelou-se que cerca de 7 mil homens, mulheres e crianças foram acusados de bruxaria, e dezenas deles foram torturados e mortos.


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