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O julgamento de Elisabeth Volkenrath, a cruel guarda de Auschwitz

Inicialmente negando seus crimes, Volkenrath foi condenada durante o julgamento de Belsen

Victória Gearini Publicado em 01/07/2020, às 17h57

Elisabeth Volkenrath após ser presa em 1945
Elisabeth Volkenrath após ser presa em 1945 - Wikimedia Commons

A ​​alemã Elisabeth Volkenrath atuou como supervisora em diversos campos de concentração durante o período do Holocausto. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a nazista foi julgada pelos seus crimes de guerra e condenada por cada um deles. 

Nascida em 5 de setembro de 1919, Volkenrath cresceu em uma família simples e depois de  terminar a escola primária, trabalhou como babá, assistente de culinária e cabeleireira.

Mais tarde, Volkenrath foi treinada para exercer o papel de aufseherin — título usado para se referir a guardas do sexo feminino — em outubro de 1941, no campo de concentração de Ravensbrück, destinado exclusivamente à mulheres. Como Volkenrath era considerada uma trabalhadora não qualificada, foi designada a um cargo inferior.

Já em março de 1942 a nazista se ofereceu para trabalhar na alfaiataria do campo de concentração de Auschwitz. Posteriormente foi enviada para Auschwitz-Birkenau, onde desenvolveu tifo e foi hospitalizada.

Durante a sua recuperação, Volkenrath foi trabalhar no setor de encomendas, tornando-se a principal responsável pela distribuição de pão no local. Em agosto do mesmo ano, conheceu Heinz Volkenrath, um soldado da SS, com quem se casou um ano depois. 

Até setembro de 1944, Volkenrath desempenhou a mesma função em Auschwitz-Birkenau, até ser transferida para o campo central de Auschwitz. Pouco tempo depois, a cruel guarda nazista foi promovida de cargo, tornando-se supervisora ​​do campo de mulheres em Auschwitz-Birkenau, onde permaneceu até 1945, quando o local foi evacuado. 

Após Auschwitz ser evacuado, Volkenrath foi enviada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde também adoeceu. Sob o comando de Josef Kramer, Volkenrath voltou a trabalhar como superintendente, após se recuperar da internação hospitalar. 

Prisão e sentença de morte 

Desde a sua chegada a Bergen-Belsen, demorou pouco tempo para o local ser libertado pelo exército britânico, que encontrou mais de 10.000 mortos e cerca de 60.000 sobreviventes em situações desumanas. Soldados da SS e colaboradores nazistas foram presos, inclusive Volkenrath, que foi levada à prisão de Celle. 

Em maio de 1945, Volkenrath foi submetida a um interrogatório pela Equipe de Investigação de Crimes de Guerra (WCIT). Embora a nazista tenha negado a participação em execuções em câmaras de gás, sobreviventes contaram às autoridades que Volkenrath era brutal e fria tanto quanto outros agentes nazistas. 

Ocorrido entre 17 de setembro a 17 de novembro de 1945, em Lüneburg, o julgamento de Belsen foi responsável por condenar alemães pelos seus crimes de guerra. Volkenrath, por sua vez, foi julgada pelas atrocidades cometidas em Auschwitz e Bergen-Belsen, mas assim como outros réus, se declarou inocente. A nazista negou, ainda, ter participado de assassinatos em massa e de ter torturado prisioneiros. 

No entanto, Volkenrath admitiu ter ajudado na seleção das vítimas em Auschwitz, mas disse que não tinha conhecimento sobre as câmaras de gás. Ao longo do julgamento declarou, ainda, que já havia agredido fisicamente alguns reclusos, mas disse que tal brutalidade foi feita para manter a “ordem do campo”.

Ainda em novembro de 1945, Elisabeth Volkenrath foi condenada à morte por enforcamento. Um mês depois, o carrasco britânico Albert Pierrepoint executou a sentença do júri, na prisão de Hameln.


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