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76 anos depois: O legado e as lições deixadas pela Segunda Guerra Mundial

Ainda convivemos com as heranças deixadas pelo conflito

Sérgio Giacomelli, escritor Publicado em 25/08/2021, às 14h33

Exposição 'Fruehling em Berlim' ('Primavera em Berlim') sobre a Segunda Guerra Mundial em 22 de abril de 2015
Exposição 'Fruehling em Berlim' ('Primavera em Berlim') sobre a Segunda Guerra Mundial em 22 de abril de 2015 - Getty Images

Era 2 de setembro de 1945 na baía de Tóquio. Sobre o navio USS Missouri da marinha dos Estados Unidos o Japão assinava sua rendição dando fim à Segunda Guerra Mundial. Apesar desse triste e avassalador período da história mundial, que lições foram aprendidas? Poderia um conflito tão cruel deixar algum legado?

Gosto de citar a frase do historiador James J. Sheehan para definir o quanto o conflito foi nefasto e cruel: “a guerra deve ser evitada a todo custo e as democracias devem resistir à agressão".

Nunca poderemos nos esquecer das atrocidades cometidas na maior tragédia que a humanidade presenciou desde os registros da escrita. Talvez a maior lição seja o que a intolerância às etnias - a xenofobia - pode causar se não for controlada, transformar-se em uma catástrofe, como foi o caso do Holocausto que ceifou a vida de cerca de seis milhões de judeus.

Igor Malicky, sobrevivente do Holocausto, durante exposição /Crédito: Getty Images

 

Os impactos foram tão profundos que após seu fim grandes líderes mundiais se motivaram a criar instituições que pudessem mediar conflitos para garantir a paz mundial além de atuar na defesa dos Direitos Humanos.

O maior exemplo talvez seja a Organização das Nações Unidas (ONU), criada em 1945 e o principal legado deixado por aquele período hoje com 193 países-membros.  

As transformações ocorreram em quase todas as áreas, sejam nas relações econômicas, sociais e políticas. Foi o caso da queda dos grandes impérios coloniais, a exemplo França e Inglaterra, devido a crise pós-guerra. Novas tecnologias foram desenvolvidas como o micro-ondas.

E, também, foi no período que se reforçou a inclusão da mulher no mercado de trabalho, considerada grande conquista na evolução da condição feminina na sociedade.

Com a necessidade de as indústrias produzirem artefatos para a guerra e os homens nos frontes de batalha, as mulheres passaram a ser a alternativa para suprir essa lacuna de força de trabalho.

Os impactos da guerra também atingiram a moda que teve fortes mudanças nas vestimentas das pessoas, em especial das mulheres.

Os produtos foram destinados à fabricação de artefatos de guerra, a exemplo do nylon que se usava para a fabricação de meias femininas e passou a ser utilizado na fabricação de paraquedas.

A moda precisou ajustar-se com reaproveitamento de tecidos e aviamentos mais baratos. As saias passaram a ser substituídas pelas calças e macacões pela funcionalidade dessas peças, com bolsos grandes para que as mulheres pudessem carregar de maneira fácil seus pertences no caso de bombardeios. Inovações que foram perpetuadas.

Passaram-se 76 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a história não parou, transformações ocorreram, as pessoas precisaram adaptar-se às novas realidades e a aprender a viver com heranças deixadas pelo conflito.

As mudanças sociais, políticas, materiais e humanas demonstram a extraordinária capacidade da humanidade superar grandes tragédias e reerguer-se sobre alicerces da própria sobrevivência.

Que o ser humano possa construir a trajetória da história futura sobre um caminho pavimentado pela democracia, por meio do diálogo, do entendimento e respeito mútuo entre os povos e suas etnias.


*Sérgio Giacomelli é escritor, engenheiro eletricista, nascido em São Miguel do Oeste/SC, passou a infância e a juventude entre a cidade e o campo. Viveu muitos anos em Ribeirão Preto/SP e na capital paulista, hoje segue a vida profissional em Belo Horizonte/MG. Apaixonado por pesquisas, é descendente de italianos e coloca essas particularidades no romance de época D'Angelo - O Viajante de Conca.