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52 anos de mistério: Neste dia, em 1968, acontecia o mais enigmático roubo do Japão

O crime criativo já inspirou filmes, livros, séries e quadrinhos, de tanto que marcou o país

Ingredi Brunato Publicado em 09/12/2020, às 08h50

Retrato do autor do crime
Retrato do autor do crime - Divulgação/ Twitter

Em 10 de dezembro de 1968, quando ocorreu um dos roubos mais famosos da história do Japão, era um dia chuvoso. O estratagema usado foi relativamente simples: aparentemente, não era preciso nada tão complexo para roubar um banco naquela época. 

O método criativo e inusitado que o diferenciou. Foi justamente por ele que os funcionários do banco foram pegos de surpresa - e essa surpresa durou tempo suficiente para o criminoso fugir com o dinheiro

Execução 

Tudo começou quando um policial montado em uma motocicleta parou um caminhão que fazia seu caminho através de um bairro de subúrbio japonês. Aquele não era qualquer veículo: tinha um carregamento em dinheiro avaliado em 294 mil ienes (equivalente hoje a 3,4 milhões de dólares). 

Ele havia partido do Nippon Trust Bank, banco de renome no Japão, mais cedo naquele dia, e partiu em direção à fábrica da Toshiba, marca de produtos eletrônicos, levando um bônus de fim de ano. 

Prédio do Nippon Trust Bank hoje / Crédito: Divulgação

 

"Fomos informados de que seu carro pode estar conectado com dinamite", informou o oficial aos quatro funcionários desarmados, contando ainda que houvera uma explosão na casa de um dos gerentes da filial. 

Os homens acabaram acreditando no suposto representante das autoridades - um ledo engano, pois, aquele era justamente o criminoso que iria roubá-los. 

O policial então se arrastou para baixo do caminhão, fingindo verificar algo. Então gritou a notícia terrível: “É dinamite. Vai explodir!”. Os funcionários podiam ver fumaça saindo do local, e não tiveram dúvida, correndo para longe para se salvarem. Foi revelado mais tarde que essa fumaça vinha de uma simples chama acendida pelo bandido. 

Fuga

O caminhão, entretanto, não tinha bomba nenhuma implantada nele. Era uma mentira do falso oficial de justiça, que após ser deixado sozinho, entrou no veículo e dirigiu para longe.  

Os vestígios que deixou para trás foram uma motocicleta pintada de forma a imitar a que os policiais usavam, o próprio caminhão, que largou em algum ponto do percurso, e um carro da marca Toyota. O último veículo, que também era roubado, foi encontrado quatro meses após o roubo, contendo as caixas de metal onde o dinheiro estava guardado. 

Fotografia de motocicleta de polícia japonesa da década de 60 / Crédito: Divulgação/ Gary Ilmen 

 

Investigação

A investigação desse roubo espetacular durou sete anos, período durante o qual centenas de detetives trabalharam nele (dois deles, inclusive, morrendo de exaustão durante esse processo).

O governo gastou cerca de 12 milhões de reais e um número absurdo de pessoas foram interrogadas, totalizando 118.000 cidadãos. Porém, a despeito de todos os esforços, não foram capazes de encontrar o culpado. 

Depois de sete anos, o instituto legal de limitações da legislação japonesa passou a valer, fazendo com que a investigação fosse encerrada, independentemente de seus resultados. 

Dessa forma, o criminoso nunca foi descoberto, e seu crime perfeito se tornou uma espécie de lenda no Japão. 

Depois da armação 

A quantidade absurda de dinheiro, assim como a esperteza por trás do esquema marcaram as pessoas da época, que chegam a lembrar o que estavam fazendo no dia que a notícia do roubo saiu. 

Em entrevista para o News.com.au, Keiji Harashima, de 53 anos, que era gerente de uma empresa de caminhões próxima do bairro onde tudo aconteceu, comentou o caso: "Isso não foi realmente ousado?! As pessoas nos tempos antigos eram tão ingênuas que acreditavam em qualquer um se vestia como um policial". 

Embora o recorde de maior roubo de dinheiro já tenha sido superado, esse crime permaneceu como o mais marcante culturalmente, sendo reproduzido em diversas peças ficcionais ao longo dos anos, como livros, filmes, séries de TV e mangás (quadrinhos japoneses).


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