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O matador de Ferraris: A incrível história que inspirou o filme Ford vs Ferrari

Numa batalha épica e verdadeira, repleta de adrenalina, ironia e orgulhos feridos, Ford e Ferrari se enfrentaram, não foi no mercado automobilístico, mas nas pistas de corrida

M. R. Terci Publicado em 22/11/2019, às 11h00

Pôster do filme Ford vs Ferrari
Pôster do filme Ford vs Ferrari - Divulgação

Esse mês estreou nas salas dos cinemas um filme para quem curte história e automobilismo. O longa metragem Ford vs Ferrari narra a trajetória do lendário Ford GT40 do projetista norte americano Carroll Shelby e do piloto britânico Ken Miles.

Tendo como cenário as provas de endurance automobilística dos anos 1960, em especial, o 34º Grande Prêmio Automobilístico das 24 Horas de Le Mans, ocorrido nos dias 18 e 19 de junho 1966, no autódromo Circuit de la Sarthe, França, onde as fábricas Ford e Ferrari se enfrentaram em uma disputa repleta de adrenalina dentro da pista e, fora dela, cheia de ataques pessoais, ironias e orgulhos feridos.

Em 1963, Enzo Ferrari teria oferecido sua fábrica de carros esportivos a Henry Ford II, que tinha como projeto rejuvenescer a imagem da montadora norte-americana na Europa. Após uma cara auditoria, Ford constatou que a empresa de Enzo não estava lá essas coisas e impôs algumas condições nada apetitosas no contrato.

Só que o italiano não havia conquistado a liderança no segmento de carros esportivos abaixando a cabeça ou pedindo permissão; nesse aspecto, em contrapartida, impôs a condição dele, uma única, mas que lhe dava poderes inquestionáveis dentro da divisão de corridas da Ferrari.

Ford não aceitou, exigia que todos os orçamentos de competição acima de 228 mil euros fossem pré-aprovados por uma comissão presidida por curadores de sua confiança. Enzo que não era ingênuo mandou o magnata da indústria norte-americana às favas – para dizer o mínimo – e teve início uma acalorada e mútua troca de farpas nos jornais, que seguiria até o dia em que Henry Ford II criou um departamento de competições automobilísticas, dentro da Ford, com uma única missão: privar a Ferrari de sua hegemonia nas provas de longa duração.

Tarefa hercúlea, tendo em conta que a rival italiana havia conquistado o primeiro lugar em todas as edições da cultuada Le Mans na década de 1960. Tarefa impossível, tendo em vista do tempo para a empreitada.

Ford GT40 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas em menos de um ano, a Ford lançou o primeiro carro, o Ford GT40, um sonho que exibia linhas elegantes e agressivas, alimentado por um motor V8 de 4,2 litros, capaz de atingir 321 km/h. Mas a máquina de Ford ficou longe da glória almejada e infelizmente para ele, o carro se mostrou instável à alta velocidade e, naquele ano de 1964, a Ferrari ganhou novamente em Le Mans.

Humilhado, Ford II não desistiu. Contratou Carroll Shelby, o criador do icônico Cobra Shelby e ele, por sua vez, chamou seu amigo, o piloto de corridas Ken Miles para aprimorar o monstruoso, conquanto frágil, GT40.

O trabalho começou do zero. Miles logo descobriu as falhas no carro e com astúcia e muito improviso começou a corrigir uma a uma. Mas a empresa trazia o projetista e seu piloto em rédea curta. O departamento de corridas da empresa hesitava em aquiescer os pedidos mais comezinhos e os constantes desentendimentos culminaram em mais problemas.

Em 1965, a Ford apresentou durante a corrida de Le Mans o novo carro equipado com motores de 7 litros. Uma grande melhoria, mas insuficiente para bater os italianos. Nova derrota. Outra humilhação para Ford.

Henry Ford II não desistiu. Decidiu dar carta branca à Shelby e Miles que em 1966, no circuito de La Sarthe, apresentaram o GT40 MKII, uma máquina reforçada com motor V8 de 7 litros e 485 CV. A rival italiana apresentou o Ferrari 330 P3, em fibra de vidro, para confrontar a marca norte-americana.

No dia da largada, Ford se apresentou no campo de batalha com um exército de engenheiros e mecânicos e cerca de nove carros. Dada à partida, as Ferraris se viram na liderança por quase todo o dia e na madrugada também, contudo, no domingo de manhã, Miles estava à frente e a Ford ficou em primeiro, segundo e terceiro lugares.

A Ford, assim, entrava para a história como a primeira empresa norte-americana a vencer as 24 horas de Le Mans. Mais que isso, a obra prima de Shelby e Miles viraram o rumo da história automobilística, inovando e fazendo com que os engenheiros automobilísticos repensassem a maneira de fazer carros. Nos quatro anos que se seguiram, apenas os carros da Ford subiram ao pódio e o GT40 conquistou o apelido de Ferrari Killer.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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