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O médico que enganou uma nação: as monstruosidades de Roger Abdelmassih

O homem ganancioso, ficou conhecido por sua macabra clínica de fertilização, onde violentou mais de 40 mulheres

Paola Churchill Publicado em 31/03/2020, às 16h27

Roger no dia que foi preso
Roger no dia que foi preso - Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai

Desde pequeno, Roger Abdelmassih almejava a fama e riqueza. Sua família formada por libaneses morava em Campinas e seus pais, Olga e Jorge, eram conhecidos comerciantes da região, que trabalhavam com bazares voltados a elite.

Jorge começou fazer amizades com importantes clientes e passou a negociar bens imobiliários da família como chácaras e fazendas, fazendo com que a família ficasse ainda mais rica e com grande renome na cidade.

O começo de uma carreira promissora

Roger era o melhor aluno de seu colégio, um dos mais caros da região. Dedicado e ambicioso, falava que tinha o sonho de fazer medicina desde o início do ensino fundamental. No entanto, com o passar dos anos, acreditava que a cidade interiorana era muito pequena para sua mente brilhante, então pediu a autorização do pai para se mudar para São Paulo e ter acesso a melhor escola para alcançar seus objetivos.

O ex-médico Roger Abdelmassih sendo preso em Assunção, Paraguai/Crédito:Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai

 

Mudou-se para a capital paulista e ingressou no colégio Bandeirantes. Mas logo se frustrou, pois percebeu que ele continuava um bom aluno, mas não o melhor da sala. Formou-se entre os mais inteligentes da turma e passou direto no vestibular de Medicina da Unicamp.

O futuro médico pensava sempre no futuro, se gabava de seus bens e só andava na faculdade com pessoas que fossem agregar em algo em sua carreira profissional. Já nos primeiros semestres, já havia escolhido sua área de atuação: a urologia.

Em 1968, aos 24 anos se formou na Unicamp, sendo um motivo de muito orgulho para seus parentes. Em um de seus estágios, ele conheceu o renomado doutor Milton Nakamura. Não demorou muito para trabalhar com ele em sua clínica de fertilização, onde adquiriu experiência, mas passou a atuar também em sua própria clínica, localizada em Campinas.

Abdelmassih era muito exigente em relação a clientela. Só atendia pessoas ricas e de alta influência na sociedade. No final dos anos 70, começaram a surgir os primeiros casos de fertilização in vitro, Milton e Roger ficaram impressionados com a ideia de trazer a técnica para solo brasileiro, mas os dois tinham razões diferentes pra isso. O primeiro pensava em quantas mulheres ele poderia ajudar com o processo, enquanto o outro, só pensava no quão famoso e rico ficaria por isso.

Roger com sua segunda esposa, Larissa Maria Sacco/ Arquivo pessoal 

 

Tudo por um bebê

Por divergirem muito sobre o procedimento, a parceria entre os dois acabou e cada um seguiu seu caminho. Roger otpou por trazer a sua clínica para São Paulo e disse que começaria seus projetos com a reprodução assistida.

O lema do médico passou a ser “Tudo por um bebê”, ele só conseguia pensar em ampliar os números de casos bem-sucedidos, pois se promovia por meio das estatísticas. Ele não tinha o objetivo de entender o motivo da infertilidade e nem como tratá-la, mas sim, em quantas crianças iriam nascer através de seu trabalho. Como consequência, o médico daria vida a uma série de tragédias.

Em 1996, uma figura ilustre pediu a ajuda de Roger, era o jogador Pelé e sua esposa Assíria Nascimento. Sete meses após o encontro, os gêmeos do casal nasceram e foram noticiados por todos os veículos de comunicação.

Aquilo foi suficiente para o especialista em fertilização ficar famoso, seu sonho agora havia se tornado realidade. Passou a ser figura frequente na mídia, participando de diversos programas, como o da Hebe, estampando capas de revistas e se aproximando  de diversas celebridades.

O médico monstro

A fama trouxe novos pacientes para a clínica. Toda a repercussão fez com que Abdelmassih se colocasse no mercado como um Deus, pois acreditava que tinha o dom de trazer ao mundo quantas crianças quisesse.

Foi a partir desse momento que as coisas começaram a ficar estranhas no local. Ele prometia muito mais do que deveria, não fazia os exames corretamente nas mulheres e as enchia de hormônios, além de não revelar a procedência do material genético que utilizava.

Ele promovia os números, mas esquecia do lado humano da medicina. Em 2004, o patrimônio do médico das celebridades girava em torno R$ 100 milhões de reais, mas ele queria mais.

Enquanto acreditava estar no auge de sua carreira, em 2006, começaram a surgir denúncias no Orkut contra o milionário. Foi criada uma comunidade por uma usuária anônima conhecida como Iris para comentar os horrores que sofreu nas mãos de Roger. Não demorou muito para aumentar o número de mulheres que diziam ter passado por situações semelhantes, sendo todas violentadas pelo médico.

Ex-médico Roger Abdelmassih ao ser preso no Paraguai/ Crédito: Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai

 

Os meios de comunicação começaram a ter conhecimento dos casos. Ao ser perseguido e questionado sobre as denúncias, sempre alegava que as pessoas tinham inveja do seu sucesso e que as mulheres que o denunciaram estavam bravas por não terem conseguido engravidar.

As vítimas decidiram que era a hora do monstro pagar por seus crimes e queriam que ele fosse à justiça. No entanto, nenhum advogado aceitava o caso, pois sabia do poder aquisitivo de Roger e que era uma causa perdida. Todavia, o jogo mudou quando mais de 40 depoimentos de mulheres que sofreram violência sexual vieram à tona.

Em 2009, foi sancionada uma lei n° 12.015 que igualavam os crimes de atentado violento ao pudor com casos de estupro. Foi então feito um pedido de prisão preventiva ao Abdelmassih, ele passou a responder por 56 estupros, 52 consumados e quatro tentativas.

O homem foi preso e os pedidos de Habeas Corpus todos negados. Quatro meses após o cárcere, o Ministro Gilmar Mendes falou que sem a demonstração real de que os abusos continuaram não teria como mantê-lo preso. Assim que foi solto, Roger fugiu do país com sua atual esposa Larissa Maria Sacco, que estava grávida de gêmeos.

Prenda-me se for capaz

Ninguém sabia o paradeiro do violador. A polícia acreditava em vários lugares que ele poderia estar: do interior de São Paulo ou até mesmo no Líbano, mas não tinha evidência alguma e tudo não passava de suposições.

Em 2011, Abdelmassih era o homem mais procurado do Brasil chegando a entrar na lista da Interpol de foragidos. As vítimas ficaram apavoradas, enquanto o homem que cometeu absurdos estava escondido. Entretanto, o pesadelo teria um dia.

Depois de muita investigação, foram grampeados os telefones de pessoas que mantinham contato com o Roger, como seu psiquiatra e a irmã que enviava os medicamentos que ele precisava. Através dos rastreios, foi encontrado o telefone de Larissa, que deixou a foto mesmo no número pessoal do Whatsapp.

A família, que estava em Assunção no Paraguai, vivia uma vida luxuosa em uma mansão de 600 m² com sete quartos. No dia 19 de agosto de 2014, Roger foi preso em flagrante após 3 anos foragido. Ele alegava inocência e dizia que a prisão o mataria. Acabou sendo condenado a 181 anos de prisão e iria cumprir pena no famoso presídio de Tremembé, no entanto, teve o pedido de prisão domiciliar revogado pela justiça em outubro de 2019.


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