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Bizarro interior exposto: o mistério da possível múmia do príncipe egípcio Webensenu

O corpo mumificado, que possui um buraco em seu crânio, ainda tem sua identidade questionada por arqueólogos

Isabela Barreiros Publicado em 08/05/2020, às 07h00

A possível múmia de Webensenu
A possível múmia de Webensenu - Wikimedia Commons

Em março de 1898, o egiptólogo francês Victor Loret fez uma descoberta inestimável para a arqueologia. No Vale dos Reis, local conhecido por abrigar inúmeras tumbas construídas para faraós pertencentes ao Império Novo do Egito Antigo, o arqueólogo encontrou um antigo túmulo egípcio que escondia múmias de figuras muito importantes para a época. Hoje, acredita-se que o vale contém pelo menos 63 tumbas e câmaras faraônicas.

No túmulo, que passou a ser chamado de KV35, estavam as múmias dos faraós Amenófis II, Tutemés IV, Ramsés IV, V e VI, entre outros personagens vitais para a História egípcia. No entanto, existiam ainda outros corpos no local, cujas identidades permanecem em disputa até os dias de hoje. Foram três as múmias encontradas em uma única câmara: a Dama Jovem, a Dama mais Velha e o Garoto.

Essas três múmias são as mais “anônimas” encontradas dentro da tumba KV35. A primeira, de acordo com arqueólogo Zahi Hawass, seria a mãe do faraó Tutancâmon e filha do faraó Amenófis III e da rainha Tiye. A segunda, a própria Tiye, Grande Esposa Real do faraó Amenófis II. O último corpo, no entanto, permanece como alvo de controvérsias.

A Dama mais Velha, o Garoto e a Dama Jovem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Novas pesquisas e análises de DNA procuram solucionar a dúvida de quem seria esse garoto que foi identificado como diferentes pessoas por egiptólogos. A hipótese mais aceita é que ele seria o príncipe Webensenu, filho de Amenófis II. No entanto, outra possibilidade é que ele talvez seja o enigmático príncipe de Amarna, Semencaré, filho de Amenófis II e da rainha Tiye, possivelmente a Dama mais Velha.

Até os dias de hoje, porém, existem apenas hipóteses mais aceitas que outras, porque é muito difícil ter uma resposta definitiva para tais assuntos. Ainda assim, a primeira sugestão parte de descobertas feitas dentro da tumba. Alguns fragmentos de vasos canópicos (que guardavam os órgãos das pessoas mumificadas) e shabtis (estatuetas egípcias) continham seu nome escritos, o que levou pesquisadores a acreditarem que o corpo se tratava de Webensenu.

A múmia

Crédito: Wikimedia Commons

 

O egiptólogo australiano Grafton Elliot Smith também analisou as condições da múmia, tentando determinar informações importantes que poderiam revelar mais sobre sua identidade. Ele mediu o corpo e comentou sobre suas características físicas mais marcantes.

"É um garoto pequeno (1,242m) cuja aparência geral é sugestiva de uma idade de cerca de nove ou dez anos; mas como os dentes caninos permanentes estão presentes e cresceram completamente, ele não pode ter menos de onze anos de idade”, afirmou o especialista.

A criança não identificada possuía suas orelhas furadas e estava incircunciso. O arqueólogo e anatomista afirmou posteriormente que a múmia estava com ambos os braços estendidos sobre a região pubiana do corpo. Além disso, ele narrou também que a mão esquerda do garoto estava fechada, mas tinha o polegar estendido.

Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, como se sabe, muitos sarcófagos antigos sofriam frequentemente com ladrões de túmulo que vandalizavam os locais e, muitas vezes, destruíam as múmias e seus importantes artefatos. Isso não foi muito diferente no caso da tumba KV35: ela foi invadida inúmeras vezes e foi quase milagre que os corpos mumificados conseguissem sobreviver.

Devido a essas difíceis circunstâncias, a múmia do menino também sofreu nas mãos dos vândalos. Há um buraco em seu crânio e também um enorme corte no lado esquerdo de seu pescoço e do tórax. Ainda assim, considera-se que ele está em um bom estado de preservação, sendo possível realizar exames e análises no corpo sem que ele desmorone.


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