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O misterioso óbito de Tutancâmon: afinal, o que matou o faraó menino?

São muitas as teorias que tentam explicar o fim da vida de uma das mais importantes figuras do Egito Antigo

Isabela Barreiros Publicado em 25/03/2020, às 09h00

Representação digital do faraó Tutancâmon
Representação digital do faraó Tutancâmon - Divulgação

Em 1922, a tumba de Tutancâmon, uma das maiores descobertas do século 20, foi encontrada quase intacta pelo egiptólogo britânico Howard Carter. Ao desenterrar o rico mausoléu, uma série de questões sobre o governo do importante faraó e o Egito Antigo no geral começaram a ser respondidas pelos artefatos observados em seu interior. No entanto, outras perguntas surgiram: afinal, como morreu Tutancâmon?

Também conhecido como Faraó Menino, devido ao fato de ter governado dos seus 10 até os 19 anos, o Rei Tutancâmon é tido como um dos mais importantes e famosos faraós da História. Porém, mesmo que sua vida seja objeto de estudo de muitos pesquisadores ao longo das décadas, ainda existem lacunas históricas na narrativa da vida do faraó.

As décadas de pesquisa e as constantes análises forenses realizadas com a múmia do rei possibilitaram a elaboração de diversas teorias sobre o fim da vida de Tut. Elas permanecem, assim, em disputa, visto que a cada investigação, novas hipóteses sobre sua morte surgem — e elas seguem sendo feitas.

A primeira vez que o corpo do faraó menino passou por um processo de escaneamento digital foi em janeiro de 2005, quando a múmia foi removida de seu sarcófago e transcrita por via de 1.700 imagens provenientes de uma tomografia computadorizada.

Rosto mumificado do faraó / Crédito: Divulgação

 

Com a primeira tomografia, foi possível descartar uma antiga crença de que o rei havia sido assassinado com um golpe na cabeça, graças a uma lesão craniana. Em 2005, os exames feitos por meio de uma tomografia computadorizada sugeriram que o faraó teve uma lesão na perna alguns dias antes de sua morte.

Discutira-se assim, que a morte havia sido causada por complicações infecciosas geradas por uma lesão na perna, durante uma sessão de caça, que o fez contrair malária. Já o pedaço de crânio quebrado teria sido consequência de um erro durante o processo de mumificação do corpo.

Parte dessa teoria é apoiada pelo famoso egiptólogo Zahi Hawass. O time do arqueólogo descobriu novas evidências indicando que, na verdade, Tutancâmon teria morrido após uma infecção em sua perna depois de um grave acidente de carruagem. A teoria debate que o acidente de carruagem teria deixado uma ferida em sua perna, causando uma infecção grave.

O corpo inteiro do faraó, com seu ferimento na perna  / Crédito: Divulgação

 

Essa é uma hipótese bastante difundida entre a comunidade científica. Um documentário sobre o faraó, vinculado pela BBC, em 2014, afirmou a mesma questão: a morte por acidente de carruagem. Mas, ainda assim, ela ainda não convenceu a todos.

Christopher Naunton, egiptólogo e ex-chefe da Sociedade de Exploração do Egito, que participou da produção da série televisiva, diz ainda ter suas dúvidas. "Atualmente, não podemos saber como Tutankhamun morreu. É bem possível que o que o matou não tenha deixado rastro”, explicou Naunton. Segundo ele, a principal evidência utilizada por eles foi a de que os exames indicaram que a múmia havia sofrido com um trauma grave no torso e no lado esquerdo.

Ainda em 2014, uma autópsia feita com mais de 2 mil exames de computador e análises genética da família, realizada pela equipe do professor Albert Zink, chefe do Instituto de Múmias da Itália, revelou motivos diferentes para a morte do faraó. Ele teria falecido devido a deficiências genéticas causadas por consanguinidade entre a realeza egípcia.

Crédito: Divulgação

 

“Era importante observar sua capacidade de andar de carruagem e concluímos que não seria possível para ele, principalmente com o pé parcialmente batido, pois ele não conseguia ficar de pé sozinho”, afirmou Zink. "Por outro lado, ele sofria de malária, por isso é difícil dizer se isso pode ter sido um fator sério na causa da morte", lembrou o arqueólogo, demonstrando que mais pesquisas serão feitas sobre o assunto.

Ainda hoje, muitas são as investigações que têm como intuito descobrir o que realmente matou o faraó Tutancâmon. É possível que se chegue a uma conclusão final sobre o que aconteceu com o rei antes de seu óbito, mas, por enquanto, isso permanece repleto de controvérsias.


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