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O movimento de esterilização contra negros durante o segregacionismo nos EUA

Uma política eugenista que visava "purificar" a nação americana tomou conta dos Estados Unidos durante a época de segregação racial

Giovanna de Matteo Publicado em 21/11/2020, às 13h00

Manifestantes protestam contra a miscigenação racial, em 1959
Manifestantes protestam contra a miscigenação racial, em 1959 - Wikimedia Commons

Uma investigação  revelou que, entre os anos de segregacionismo nos Estados Unidos, mais de 7.600 pessoas negras que moravam no estado da Carolina do Norte, sofreram esterilizações a partir de um programa de "interesse público" organizado pelo Estado. 

Segundo especialistas, estima-se que no país todo mais de 60 mil afro-americanos foram vítimas dessas práticas no século 20, que foram criadas para impedir que esta população se reproduzisse, em uma política de eugenia branca e de extermínio às pessoas de cor.

Mapa mostra a aplicação das leis estadunidenses de esterilização em Nova Iorque, em 1921/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo Buck v. Bell, essas campanhas eugenistas eram permitidas em trinta e dois Estados, e foram aprovadas em uma decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Apesar da população negra ser o principal alvo, a política propagada também atingiu outras minorias.

A campanha consistia em selecionar inúmeras crianças e adolescentes, que eram levados por assistentes sociais para que fossem submetidos à esterilização, que as autoridades médicas e judiciais justificavam como uma prática urgente e necessária, já que esses tinham uma "mente fraca". 

Muitas vezes os responsáveis por essas crianças não recebiam explicações sobre os procedimentos que seus filhos iriam passar, e assinavam o consentimento sem ao menos entender o que estava escrito no relatório. 

O superintendente do Registro da Eugenia, Harry H. Laughlin, foi o responsável por decidir quais pessoas não poderiam ter o direito à reprodução. Desse modo, ele elaborou uma lista de "pessoas socialmente incompetentes", entre eles estavam: "deficientes mentais, lunáticos, criminosos, bêbados, cegos, surdos, vulgares, homossexuais, entre outros que poderiam ser considerados inferiores".

De acordo com Barry Mehler, professor de história da Ferris State University, em Michigan, "a primeira lei de esterilização foi adotada em Indiana em 1907". Para ele, essas políticas promoviam uma espécie de "higiene racial", e visava uma "purificação" da nação estadunidense.

“A eugenia americana e europeia criou o racismo e o sexismo genéricos - geneticamente inferiores”, explicou o professor, em reportagem à Le Monde. "Sem surpresa, as vítimas sempre acabaram sendo as vítimas tradicionais da discriminação — judeus, negros, mulheres e os pobres.“

Exposição eugênica, nos Estados Unidos / Créditos: Wikimedia Commons

 

No século 19, os Estados Unidos aboliram a escravidão no país. Porém, a cultura enraizada do racismo não acabou, e até hoje afro-americanos sofrem ataques. Por muito tempo, o país norte-americano impediu a adesão da população ex-escrava e afro-americana na sociedade. As políticas criaram um ambiente de segregação racial, principalmente nos estados do Sul e os Confederados.

Principalmente durante as décadas de 60 e 70, as leis de segregação racial impediam que os negros obtivessem seus direitos civis básicos. Eles eram proibidos de frequentarem diversos locais públicos, assim como não podiam estudar ou ter empregos de qualidade. 

O movimento de esterilização, por sua vez, foi parte de um consciente comum que acreditava que a população do país precisava ser "limpa" de características indesejadas, advindas geralmente de populações de origem africana e hispânica.


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