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O pinguim que foi encontrado a 3 mil quilômetros de casa

A ave aquática, que vive na Antártica, acabou parando na Nova Zelândia por acidente

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/11/2021, às 15h36

Fotografia do pinguim citado
Fotografia do pinguim citado - Divulgação/ Departamento de Conservação da Nova Zelândia

Na semana passada, um pinguim de Adélia — que é a espécie mais conhecida — foi encontrado vagando em uma praia rochosa da Nova Zelândia. Levando em consideração que o animal é natural da Antártica, ele estava a nada menos que 3.218 quilômetros de sua terra natal. 

A ave, que foi encontrada pelos moradores locais no dia 10 de novembro e apelidado carinhosamente de "Pingu",  homenagem ao protagonista do famoso desenho animado que acompanha o dia a dia de uma simpática família de pinguins, havia evidentemente se perdido de seu grupo. 

Vale comentar que essa espécie é conhecida por percorrer grandes distâncias para procurar alimento, no entanto, esses trajetos costumam alcançar no máximo 297 quilômetros, o que é bem abaixo dos mais de 3 mil quilômetros trilhados pelo espécime.

Fotografias de pinguins de Adélia / Crédito: Wikimedia Commons/ Stan Shebs/ Andrew Shiva

 

Não é a primeira vez que um pinguim é avistado na Nova Zelândia, contudo essas ocasiões são extremamente raras, tendo ocorrido apenas outras duas vezes na história do país (em 1962 e 1993).

Outro detalhe é que, em uma delas, o animal, quando foi encontrado, já estava sem vida, de forma que Pingu teve sorte de sobreviver à sua peregrinação. 

Resgate bem-sucedido

Conforme informações repercutidas pelo LiveScience, a viagem foi compreensivelmente custosa para o organismo do animal: quando foi resgatado, estava abaixo do peso considerado adequado para sua idade (ele foi identificado como um ser que tinha entre 1 e 2 anos de vida), e ainda desidratado. 

Dessa forma, Pingu foi levado para o "Centro de Reabilitação de Pinguins" da cidade de Christchurch, que fica localizada na porção sul da Nova Zelândia. Felizmente, ele foi capaz de se recuperar após ser submetido aos cuidados dos especialistas. 

De acordo com informações postadas pela instituição em sua conta oficial do Facebook, a ave que vagara para muito longe de casa foi alimentada com "fluidos e smoothies de peixe". 

Depois de receber esse cardápio preparado especialmente para ele, Pingu conseguiu recuperar suas forças e foi devolvido ao seu habitat (na Antártica) pelos funcionários do centro de reabilitação

Alerta da Natureza

Em entrevista ao The Guardian, Thomas Stracke, que fez parte da equipe que cuidou de Pingu, buscou especular a respeito da razão por trás do indivíduo ter feito uma viagem tão longa.

Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar os comportamentos dos pinguins. Isso pois, quando a temperatura do oceano em uma certa região aumenta, os peixes tendem a se afastar dela, preferindo os locais mais frios. 

Essa escassez de alimento pode fazer com que essas aves aquáticas mudem seus hábitos a fim de procurar comida.

Todas as espécies de pinguins são como sentinelas marinhas. Quando eles estão indo mal, eles estão nos dando um sinal precoce de que as coisas não estão bem", alertou o zoólogo Philip Seddon também ao veículo. 

Infelizmente, a dificuldade de encontrar peixes é apenas um dos problemas enfrentados pelas populações de pinguins. O derretimento das geleiras, outra consequência do efeito estufa, causa a destruição do ambiente em que o animal cria seus filhotes. 

Um estudo publicado na revista Scientific Reports em 2016 chegou a prever que, no ritmo em que estávamos (e ainda estamos), é apenas uma questão de tempo até que os pinguins de Adélia comecem a desaparecer.