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Entenda porque Hitler só se casou com Eva Braun no final de sua vida

Apesar da relação pública, Adolf tinha motivos de sobra para não firmar uma relação com Eva. É o que garante um ex-guarda-costas do tirano

Fabio Previdelli Publicado em 03/12/2020, às 15h08

Hitler durante um discurso
Hitler durante um discurso - Getty Images com modificações

Uma das figuras mais execráveis da história, Hitler era um verdadeiro monstro. Porém, além de todas as atrocidades que cometeu, a figura do ditador alemão chamava a atenção por outro ponto peculiar em sua história: seus relacionamentos com as mulheres.  

Apesar de termos em Eva Braun a representação da primeira dama do Holocausto, ela não foi o único amor do Führer — se é que ele realmente a amou um dia. Fora ela, muitos também apontam uma possível ligação amorosa entre Adolf e sua meia-sobrinha Geli Raubal.  

A jovem Geli Raubal, amada por Adolf Hitler / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar das polêmicas, uma grande questão surge nessa discussão: afinal, por que Hitler nunca se casou enquanto estava em pleno poder? A resposta foi respondida por seu ex-guarda-costas, Karl Wilhelm Krause, em seu livro de memórias Living With Hitler (“Vivendo com Hitler”, em tradução livre). 

Libido de Hitler 

Ao contrário do que muitos pensam, Krause garante que Hitler não tinha repulsa às mulheres, muito pelo contrário, logo nos seus primeiros anos de poder, o Führer era cercado por jovens e belas atrizes que eram convidadas para visitar sua morada.  

“Frequentemente, durante nossas viagens, ele de repente ficava totalmente encantado, exclamando: ‘Meu Deus, olhe aquela linda garota!’. Então, ele se virava, fazendo com que eu, que estava atrás dele, fosse para o lado para que ele tivesse uma visão irrestrita e pudesse segui-la com o olhar”, conta.  

Mas isso ia além, se o austríaco se interessasse muito por determinada garota, era a vez de Wilhelm Brückner entrar em ação. Assim, o ajudante teria que se desdobrar para conseguir o endereço da pretendente e ainda convidá-la para visitar o Führer em Munique, Berlim ou Obersalzberg.

Porém, o encontro seria casual e apenas para tomar um café, afirma Karl, que explica que não rolava nada sexual.  

Cercado por admiradoras numa festa folclórica/ Crédito: Bundesarchiv

 

Além das atrizes, o ditador também atraia a atenção das estudantes da Bund Deutscher Mädel (a Liga das Moças Alemães), que era a versão para mulheres da Juventude Hitlerista. Para elas, Adolf tirava do próprio bolso alguns trocados e dava às jovens para “pagar seu café e bolo”. 

Galanteador?

Apesar desses flertes descritos por Krause, o ex-guarda-costas nega algumas supostas relações de Hitler, como a da cineasta pró-nazistas Leni Riefenstahl, por exemplo. Além dela, Karl Wilhelm também diz que o Führer jamais se envolveu com Winifred Wagner, nora do compositor nacionalista Richard Wagner — um dos favoritos de Hitler. 

 Eva Braun  

Durante o período em que Krause trabalhou para Hitler, o líder nazista já mantinha um relacionamento com Eva Braun. Os dois acabaram se casando em 29 de abril de 1945, um dia antes de ambos cometerem suicídio. 

Porém, segundo o ex-guarda-costas, entre 1934 e 1937, os dois não estiveram juntos em Berlim. Ele explica que a relação só se tornou sólida com o início da segunda grande guerra, quando Eva passou a viver em Berghof, em Obersalzberg. “Não há dúvida de que Hitler a considerava sua noiva. Mas ele não fazia o tipo ciumento”. 

Adolf Hitler, ditador nazista e Eva Braun, sua companheira / Crédito: Divulgação

 

Mas apesar disso, por que eles se casaram antes?

A explicação é bem simples: “Seu princípio era de que todo homem casado deveria comandar uma vida familiar decente. Isso não era, no entanto, algo que ele poderia oferecer, considerando a enorme quantidade de trabalho com a qual precisava lidar. Ele chegaria sempre tarde da noite em casa, e uma esposa e sua família não teriam nada a ganhar com ele”. 

Além do mais, Krause acredita que se Hitler não fosse solteiro, ele não ganharia um apoio da população tão grande assim, afinal, a “onda de entusiasmo” vinha, principalmente, das mulheres. Em uma de suas conversas, o Führer teria dito que “as mulheres são mais inclinadas a se sentir atraídas por homens solteiros”. 

Ainda segundo Karl Wilhelm, apesar do interesse pelas conversas — e apesar de seu apoio à propagandista Leni Riefenstahl, — Hitler mantinha o pensamento de que as mulheres não deviam se envolver com assuntos políticos, uma postura coerente com a visão nazista, que acreditava que elas deveriam servir, principalmente, como mães com a missão de gerar a “raça superior”.

Enfim, casados

Tudo mudou em 15 de abril de 1945, quando Eva Braun se instalou no chamado Führerbunker de Hitler, de onde não saiu mais. No local, instalado sob a Chancelaria do Reich, os dois finalmente se casaram, em uma pequena cerimonia civil, à meia noite do dia 28 para 29 de abril de 1945, tendo como testemunhas do matrimônio Joseph Goebbels e Martin Bormann.

Após assinar o livro de casamento, ela teria dito a um criado: “Agora, finalmente, és obrigado a me chamar de senhora Hitler”.

Na manhã seguinte, Eva e Hitler tiveram um modesto café da manhã. Na época, o Führer tinha 56 anos, enquanto a jovem, que agora se chamava Eva Anna Paula Hitler, tinha 33. Porém, foi uma união relâmpago. 

Eva Braun e Hitler posando para foto com seus cachorros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em menos de 40 horas após assinarem os papéis, os dois se despediram dos membros da comitiva e dos ministros alemães. Às 15h30 do dia 30 de abril de 1945, um tiro pôde ser ouvido dentro do bunker e, minutos mais tarde, Eva e Hitler foram encontrados mortos no esconderijo.

Ambos os cadáveres ainda estavam sentados no sofá do aposento. Hitler tirou a própria vida com um tiro na têmpora e Eva, de forma mais silenciosa, mastigou uma cápsula de cianeto. Os corpos foram removidos por oficias e, do lado de fora, nos jardins da chancelaria, foram queimados até virar pó.


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