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O poderoso Piye, o primeiro faraó negro do Egito

Durante a conquista egípcia, o soberano de origem núbia fez vários reis inimigos clamarem por piedade

Vanessa Centamori Publicado em 08/06/2020, às 15h23

Representação de Piye, o primeiro faraó negro
Representação de Piye, o primeiro faraó negro - Divulgação/Youtube

Por volta de 752 a.C, acreditava-se que o majestoso Piye era apoiado por uma divinidade suprema, o deus Amon. Tal reputação divina rendeu ao jovem negro apoio o suficiente para sua missão de vida: terminar o que seu pai falecido tinha começado. 

O pai do rapaz era o rei núbio, Kashta, que havia tentado dominar o Egito. Quando ele faleceu, colocou sob as mãos de Piye a tarefa de consolidar a conquista egípcia. Agora herdeiro da Núbia, o jovem partiu para o seu destino.

Saiu do reino núbio de Kush e navegou com dezenas de embarcações lotadas de guerreiros. Eles desceram o rio Nilo por volta de 730 a.C. Então, uma batalha épica e assustadora começou. 

A conquista

No decorrer de um ano inteiro, Piye e seu exército derrotaram impiedosamente todos que cruzassem seu caminho. Confrontos de enorme carnificina ocorreram. Tudo isso para combater Tefnakht, o rei da 24ª dinastia do Egito. 

Ele era responsável por controlar a região ocidental do Delta do Nilo e avançava para o sul do Egito, depois de ter conquistado Mênfis. Piye queria impedir o domínio do rei egípcio e focou primeiro em destruir as alianças dele com outros soberanos — entre eles o rei Namart, de Hermópolis. 

Deu certo: Namart acabou abandonando o inimigo de Piye e se voltou ao lado do soberano negro. Mênfis foi conquistada e vários reis locais se renderam. Muitos deles clamaram por piedade e em troca de suas vidas, entregaram a Piye todas as suas riquezas e joias.

Mapa mostra o Delta do Nilo / Crédito: Divulgação

 

As tropas do núbio tiveram sorte e voltaram inteiras até o delta do Nilo. Piye tornou-se senhor de um enorme império. Suas terras iam do norte sudanês ao Mediterrâneo. E mais que isso: virou, por fim, o primeiro faraó negro da história. Ele representou a casta de núbios que reinou no Egito antigo por décadas durante um período batizado de 25ª Dinastia.

Vida íntima e incesto 

Não há muitos detalhes registrados sobre as relações amorosas de Piye, mas sabemos que ele teve aproximadamente de três a quatro esposas. Uma delas foi Abar, sobrinha do rei Alara, da da 25ª dinastia núbia. 

Com Abar, Piye teve um filho chamado Taharqa. Ele também teve cerca de 10 outros filhos com suas outras esposas Tabiry (irmã de Abar) e Peksater, filha do rei Kashta, que também chegou a governar a Núbia.

Representação de Khensa, esposa-irmã de Piye / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Outra possível esposa do soberano foi Khensa, que era também sua irmã. A existência do incesto intriga até hoje os historiadores, que acreditam que Piye e Khensa são filhos do mesmo pai. A prática das relações consanguíneas era algo comum no Egito e, aparentemente, na Núbia também. 

Governando o Egito

O primeiro faraó da 25ª Dinastia comandou os egípcios a partir de Napata, onde permaneceu com suas riquezas. Ele realizou muitos feitos militares e tais realizações estão registradas em uma estela de granito, conhecida como a Estela da Vitória. O símbolo pertenceu ao Templo de Amon e fica exposto atualmente no Museu Egípcio do Cairo.

Passaram-se 35 anos e jamais Piye foi ameaçado novamente. Ele morreu em 714 a.C, de causas desconhecidas. Foi sepultado de modo requintado: seu corpo foi colocado em uma pequena pirâmide em El-Kurru, no Sudão, edifício que ele mesmo tinha solicitado a construção antes de morrer. 

Pirâmides construídas pelos filhos de Piye / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Seu último desejo era ser enterrado ao lado de seus cavalos favoritos e assim foi. O sucessor que veio depois foi seu irmão, Shabaka. Isso pois era costume entre os núbios da realeza entregarem o trono sempre ao irmão do rei. Mais tarde, dois filhos de Piye — Shebitku e Taharqa — também comandaram o Egito após o tio. 


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