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O possível parentesco entre Suzane von Richthofen e o Barão Vermelho, o piloto mais icônico da Primeira Guerra

Após o bárbaro crime que vitimou Manfred e Marísia, em 2002, veio à tona a relação entre a assassina dos pais e o piloto de caça e herói alemão da Primeira Guerra Mundial

Fabio Previdelli Publicado em 16/02/2020, às 08h00

Barão Vermelho e Suzane von Richthofen
Barão Vermelho e Suzane von Richthofen - Creative Commons

Em 31 de outubro de 2002, um bárbaro crime chocou o Brasil: o casal Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen foi brutalmente assassinado enquanto dormiam na sua luxuosa mansão na rua Zacarias de Góes, no bairro do Brooklin, em São Paulo. O país estava diante de um dos crimes mais insólitos do mundo.

Posteriormente, a filha do casal, Suzane Louise von Richthofen, confessou ter ordenado que o namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian Cravinhos, colocassem um ponto final na vida de seus progenitores — que eram ferrenhos defensores do fim da união dos adolescentes.

O caso Richthofen ganhou notoriedade pela crueldade do ato e pela frieza dos réus, principalmente Suzane, nos dias posteriores ao crime. Mas um fato que é pouco lembrado sobre o delito é as raízes da família Richthofen, que divide opiniões.

Família Richthofen / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nascido num castelo às margens do rio Danúbio, na cidade alemã de Erbach, em 1953, Manfred Albert von Richthofen mudou-se para o município de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul, no ano seguinte.

Duas décadas depois, ele seguiu para São Paulo. “[Ele] entrou no curso de Engenharia Civil na Universidade de São Paulo, onde conheceu a estudante de Medicina de ascendência libanesa, Marísia, com quem casou no final da década de 1970”, explica Ullisses Campbell no livro ‘Suzane — Assassina e Manipuladora’, Editora Matrix.

“Manfred mantinha hábitos da cultura alemã em casa. Aos domingos, por exemplo, ele levava a sério o que os alemães chamavam de Ruhetag, o dia do descanso. O primeiro dia da semana era marcado por um silêncio absoluto. O único som ouvido na mansão dos Richthofen era música clássica e mesmo assim bem baixinho”.

Os Richthofen também cultivavam outros hábitos de sua terra natal, como deixar as janelas fechadas, mesmo em dias de sol; serem poucos afetivos uns com os outros e também manterem uma certa privacidade sobre suas vidas pessoais.

Entretanto, Manfred deixou essa última característica de lado durante uma entrevista concedida 6 anos antes de sua trágica morte. Na ocasião, o alemão recebeu em sua residência o repórter Cláudio Júlio Tognolli, do extinto Jornal da Tarde, para fazer um perfil do piloto e herói de guerra Barão Vermelho, o aviador mais icônico da Primeira Guerra.

Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho / Crédito: Getty Images

 

"O Barão Vermelho era meu tio-avô. E meu pai foi indicado para testar o primeiro esquadrão de aviões bombardeio de mergulho Stuka, agrupados num esquadrão batizado por Hitler de Esquadrão Richthofen. Meu pai comandou tudo isso, foi bombardear a Guerra Civil Espanhola para proteger o ditador Franco, que solicitara a Hitler o apoio logístico dos Stukas", lembrou o pai de Suzane. "Meu pai, de certa forma, ajudou a pintar a Guernica, de Pablo Picasso, porque bombardeou a cidade retratada por ele. Meu pai morreu em decorrência de problemas nas costas, porque mergulhava muito com os Stukas, e quando o avião arremetia, ocorria aquilo que ele chamava de chicote, a batida forte das costas no encosto do Stuka".

O trecho acima foi tirado da matéria ‘Imprensa alemã e o Barão Vermelho’, escrita pelo próprio Tognolli que está disponível no portal Observatório da Imprensa.

Cláudio relata que antes da entrevista, Manfred levou ele o fotógrafo J. F. Diório, que o acompanhava na ocasião, até a biblioteca da mansão. Lá, lhes foi apresentado uma árvore genealógica dos Richthofen e Manfred sinalizou “onde estava o Barão Vermelho e onde estava ele dentre os galhos, rabiscados num chuvão gótico de bicos-de-pena”. O chefe da família também foi fotografado segurando um livro que continha fotos de seu antepassado.

Após o crime, o caso ganhou enorme repercussão na mídia alemã, em particular no diário Bild. O periódico tentou a todo custo desmentir que o homem assassinado tivesse algum parentesco com o piloto de caça e herói alemão da Primeira Guerra. Apesar de serem homônimos — Barão Vermelho era a alcunha de Manfred von Richthofen —, o bild disse que informação tinha sido disseminada pela imprensa “sensacionalista do Brasil”.

No artigo, Tognolli defende com unhas e dentes de que não há a possibilidade dessa narrativa ter sido inventada por ele. “Do exposto, podem racionalmente pairar no ar as seguintes indagações: 1) este repórter inventou a história; 2) Manfred, num acesso delirante, daqueles que os psicanalistas chamam de delusão, inventou a história; 3) a imprensa alemã errou em dizer que a história é mentira e o especialista alemão em Barão Vermelho está mal informado”.

“Vamos supor que os estudiosos e imprensa alemães estejam certos ao afirmar que não há a mínima possibilidade de parentesco entre o nosso Manfred e o Manfred ‘Barão Vermelho’: nesse caso, fica com os advogados da filha do engenheiro e mentora dos crimes, Suzane Richthofen, uma carta na manga para a defesa derrubar o in dubio pro societate da promotoria. Porque, nesse caso, o engenheiro Manfred seria um psicopata, delirante a ponto de inventar uma história de vida que nunca foi sua. E, ainda nesse caso, surgiria uma apetitosa brecha defensória para Suzane: seu pai era um doente capaz de vilanias mentais tão específicas que teriam acabado por alterar o comportamento da filha…”, concluiu Claudio Julio Tognolli.


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