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O presidente que socorreu banhistas e apoia a ciência: Conheça Marcelo Rebelo de Sousa

Eleito por um partido de centro-direita, atual presidente de Portugal formou uma coalizão com a esquerda e, em meio a pandemia, considerou a saúde da população mais importante do que a da economia

Fabio Previdelli Publicado em 24/08/2020, às 13h10

Foto do presidente Marcelo Rebelo de Sousa
Foto do presidente Marcelo Rebelo de Sousa - Wikimedia Commons

Fenômeno em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, atual presidente do país, é considerado um dos presidenciáveis mais cativantes das quatro últimas décadas da democracia lusitana. Professor catedrático de Direito, jornalista e comentador político, foi eleito com 52% dos votos — vencendo em todos os 18 distritos continentais e nas duas regiões autônomas de Portugal.

Conhecido por seus comentários políticos no canal televisivo TVI, onde ficou no ar por mais de uma década, teve a campanha mais barata entre os presidenciáveis, mostrando que sua forte influência lhe acompanhou ao longo dos anos.

Mas quem é Marcelo Rebelo de Sousa?

Filho de um médico e político do Estado Novo com uma assistente social, Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em 12 de dezembro de 1948. Oriundo de Celorico de Basto, no distrito de Braga, se destacou no Liceu Pedro Nunes, onde aos 15 e 16 anos recebeu o prêmio D. Dinis — atribuído aos melhores alunos do país.

O presidente português Marcelo Rebelo de Sousa durante discurso / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1971, se licenciou em Direito e, treze anos depois, terminou seu doutorado em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. No início dos anos 1990 começou como professor catedrático do Grupo de Ciências Jurídico-Políticas na faculdade onde se formou.

Além de lá, também lecionou na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa; na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas; e na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

Como jornalista atuou no semanário Expresso. Rebelo de Sousa foi acionista minoritário da Sojornal, onde foi redator e editor na área de política e sociedade. Ele também dirigiu a revista E, e foi acionista fundador do Semanário.

Parlamente, começou as outras duas funções, começou a ganhar notoriedade sendo comentarista político, primeiro na rádio TSF (1993 a 1996), e depois na televisão, colaborando aos domingos à noite no Jornal Nacional da TVI, a partir dos anos 2000. Durante quinze anos, alternou entre a TVI e a RTP.

Vida política e eleições

Em 1974, Marcelo Rebelo de Sousa aderiu ao Partido Social Democrata (de centro-direita), onde foi eleito o primeiro presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa (1945-1977). No mesmo ano foi eleito deputado pela Assembleia Constituinte, onde participou da elaboração da Constituição de 1976, atualmente em vigor.

Também esteve à frente do projeto de revisão dessa mesma Constituição, onde era defendido um conjunto de reformas que visava a democratização do regime, o que passava pelo saneamento da influência militar nas instituições democráticas — o que incluía a extinção do Conselho da Revolução, a criação do Tribunal Constitucional, além de reforçar o papel da Assembleia e do Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa em visita ao Papa Francisco / Crédito: Wikimedia Commons

 

Rebelo de Sousa também esteve à frente de uma ala que ajudou na renovação interna de seu partido e encabeçou a lista dos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, mas acabou sendo derrotado nessa ocasião. Ele também foi presidente da Assembleia Municipal de Cascais, da Assembleia Municipal de Celorico de Basto e Membro do Conselho de Estado, onde permaneceu até ser eleito.

Marcelo Rebelo de Sousa foi empossado em 9 de março de 2016, em um programa de comemorações oficiais que se estendeu até o dia 11. Sua primeira viagem presidencial ao estrangeiro foi ao Vaticano, onde foi recebido, em 17 de março, pelo Papa Francisco. No mesmo dia foi até a Espanha onde se jantou com o rei Filipe V.

Vida simples e sem muitos gastos públicos

Desde que foi eleito, nunca habitou o palácio de Belém, residência oficial presidencial, em vez disso, preferiu continuar vivendo em sua casa, no Cascais. Por lá, antes da pandemia, costumava banhar-se no mar diariamente às 8h e se secar com o calor do sol. Nesse meio tempo, sempre foi muito prestativo com seus admiradores, que pediam para tirar uma foto. Por lá, brinca-se que todos os portugueses deverão ter uma foto com o presidente ao fim de seu mandato.

No início desse ano, uma foto sua viralizou quando foi flagrado em um supermercado usando máscara e um simples bermudão. A surpresa, é claro, se deu fora de Portugal, já que em terras lusitanas sua figura já é vista com normalidade. Em outra ocasião, virou manchete ao salvar duas jovens que haviam caído de uma canoa e estavam se afogando.

Governo para todos

Se muitos países vivem governos autoritários ou que um presidente vise prestigiar apenas uma parcela da população, Marcelo Rebelo de Sousa busca ao máximo unir a população e acabar com a polarização política.

Apesar de fazer parte de um partido de centro-direita, com uma inclinação conservadora, ela se considera mais à esquerda do que à direita, prometendo lutar contra as injustiças sociais e contra desigualdade, o que é se suma importância para um país onde um terço da população é considerado pobre.

Em 2017, comentou que a coalizão que teve com a esquerda, que governava o país desde novembro de 2015 — com um grupo Executivo minoritário de socialistas com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e dos Verdes —, “superou suas expectativas”.

“Os nacionalismos são uma resposta de autodefesa diante da mudança. Mas a sua visão está equivocada. A humanidade caminha no sentido oposto”, comentou. “Portugal está vivendo uma experiência inédita”.

Apoiador da ciência em meio à pandemia

Em contramão de grandes centros que, durante a epidemia do coronavírus, preferiram arriscar a vida de milhares de pessoas em defesa da estabilidade econômica, Rebelo de Sousa disse que sua prioridade era outra: salvar vidas e conter a disseminação do vírus. “Não podemos parar”.

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, durante discurso / Crédito: Wikimedia Commons

 

“A vida e a saúde fitness que a economia não pare. Mas sem vida e sem saúde o combate econômico não pode ser travado com sucesso”, declarou. Ele também aproveitou a oportunidade para agradecer aos portugueses que mantinham o ‘país funcionando’, como os médicos e camionistas, passando por cientistas e agricultores.

“Aquilo que é preciso decidir, será decidido. As medidas que é preciso tomar, serão tomadas. E a ponderação que é preciso fazer, será feita, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. Com os órgãos de soberania juntos: Presidente, Parlamento, Governo, partidos solidários. Aquilo que nos une é muitíssimo mais importante do que aquilo que nos pudesse dividir”.

Pró-democracia e liberdade

Questionado sobre a luta pela liberdade frente a fenômenos internacionais e setores nacionais emergentes antidemocráticos, Rebelo de Sousa declarou: “É sempre atual a luta pela liberdade. É sempre atual, no presente e no futuro, mas é mais atual hoje, quando regressam ideias antiliberais, quando surgem as chamadas democracias iliberais ou antiliberais, ou seja, não democráticas”.

Segundo o presidente português, “há correntes de opinião e setores de pensamento que pensam que a liberdade é pouca coisa”. Ele ainda fez questão de destacar que “a liberdade em Portugal, para muitos portugueses, só esteve presente no momento em que nasceu a democracia, isto é, há 40 anos”.


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