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O que aconteceu com a Família Imperial brasileira após a queda da monarquia?

Com o advento da República, os membros da Monarquia tiveram destinos diversos, como a loucura e o envolvimento na Primeira Guerra Mundial

Joseane Pereira Publicado em 14/11/2019, às 08h00

A Família Imperial
A Família Imperial - Wikimedia Commons

Em 15 de novembro de 1889, era proclamada a República do Brasil. Com isso, os membros da Família Imperial seguiram para o exílio na França e no Império Austro-Húngaro, embarcando a bordo do navio Sergipe. Lá estavam D. Pedro II e sua esposa Teresa Cristina, junto de Isabel, seu esposo D. Gastão e os filhos D. Pedro de Alcântara, D. Luís e D. Antônio Gastão. Também estava presente Pedro Augusto, filho mais velho da falecida Leopoldina

TERESA CRISTINA

Teresa Cristina aos 55 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Três semanas após sua chegada à Europa, a Imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II, faleceu na cidade do Porto devido a uma falha em seu sistema respiratório. No leito de morte, ela teria dito a Maria Isabel, Baronesa de Japurá: “Não morro de doença, morro de dor e de desgosto. Sinto a ausência das minhas filhas e de meus netos. Não posso abençoar pela última vez o Brasil, terra linda. Não posso lá voltar”.

D. PEDRO II

Pedro II em seu leito de morte / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após a morte da esposa, Pedro II se estabeleceu em Paris. Seus últimos anos foram tristes e melancólicos, vivendo com poucos recursos em hotéis modestos, e sendo ajudado por seu amigo, o Conde de Alves Machado. Em seus diários, ele escrevia sobre os sonhos de retornar ao Brasil.

Em um dia frio, ao retornar para casa após um passeio pelo Rio Sena, ele sentiu um leve resfriado. A doença evoluiu para uma pneumonia, levando à morte de Pedro II no dia 5 de dezembro de 1891. Suas últimas palavras foram: "Deus que me conceda esses últimos desejos, paz e prosperidade ao Brasil”.

Durante a preparação do corpo para o velório, um pacote lacrado contendo terra foi encontrado, junto à seguinte mensagem do imperador: "É terra de meu país. Desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”. Além da terra, um livro foi colocado sob sua cabeça no leito de morte, simbolizando que sua mente descansava sobre o conhecimento.

Em 1921, um ano antes do centenário da Independência Brasileira, os restos mortais de Pedro II e Teresa Cristina foram trazidos ao Brasil. Estão sepultados na Catedral de S. Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

PEDRO AUGUSTO

Crédito: Wikimedia Commons

 

O filho de Leopoldina e neto de D. Pedro II também foi para o exílio junto à família. A bordo do navio, ele começou a manifestar seus primeiros surtos psicóticos: tentou esganar o comandante, afirmando que ele teria recebido dinheiro para eliminar a Família Imperial.

Sua situação acabou piorando, e ele foi levado para tratamento psiquiátrico na Áustria. Passando a noite em claro, Augusto vociferava contra inimigos imaginários e era visto frequentemente acocorado, com o olhar vidrado e espumando pela boca. Enquanto estava no manicômio, ele foi examinado por Sigmund Freud. Morreu com 68 anos de idade, em 6 de julho de 1934, após mais de 40 anos de internação.

ISABEL E SUA FAMÍLIA

Isabel e Gastão junto ao filho Luís e netos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após o governo republicano brasileiro ter abolido a pensão da Família Imperial, o príncipe Francisco, tio de Gastão, concedeu ao sobrinho e sua esposa uma mesada mensal. Seus filhos entraram em escolas parisienses. Comprando uma vila na comuna francesa de Bolonha, a família viveu uma vida calma e quieta.

Luís e Antônio lutaram durante a Primeira Guerra Mundial pelo Exército Britânico. Antônio morreu em uma queda de avião no ano de 1918, e Luís acabou morrendo em 1920 por uma grave doença contraída nas trincheiras. A morte dos dois causou um grande choque em Isabel, cuja saúde logo começou a se deteriorar.

Em 1920, a república brasileira suspendeu o banimento da Família Imperial, o que fez Gastão e Pedro de Alcântara voltarem para a celebração do reenterro de Pedro II e Teresa Cristina. Isabel morreu em 14 de novembro de 1921, e seu esposo faleceu no ano seguinte, no Rio de Janeiro, enquanto estava no Brasil para celebrar o centenário da Independência.

Pedro de Alcântara, o primogênito, renunciou aos direitos dinásticos para se casar com uma nobre tcheca sem sangue real. Foi o único filho do casal que viveu até a velhice, falecendo em Petrópolis aos 65 anos de idade, vítima de uma doença respiratória. No ano de 1990, seus restos mortais foram para a Catedral de São Pedro de Alcântara, onde repousam ao lado de seus pais e avós.


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