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Matérias / Entretenimento

O que aconteceu com a primeira travesti a atuar em uma novela?

Em 1977, Cláudia Celeste chamou atenção do governo militar ao participar da novela “Espelho Mágico”, da TV Globo

Wallacy Ferrari Publicado em 24/05/2022, às 14h48

Montagem de Cláudia Celeste com reportagem atribuindo mistério a atriz - Divulgação / Redes sociais / Bloch
Montagem de Cláudia Celeste com reportagem atribuindo mistério a atriz - Divulgação / Redes sociais / Bloch

No ano de 1977, uma curiosa figura foi projetada na mídia brasileira em decorrência de um tabu relacionado ao sexo; diferentemente de qualquer especulação sexual de bastidores ou relações entre atores, Cláudia Celeste estampava as páginas dos jornais por ser descoberta como travesti publicamente.

No ano anterior, ela havia sido eleita Miss Brasil Gay, demonstrando seu talento como atriz e esbanjando beleza pelos traços finos e femininos, distintos do estereótipo masculino. Na profissão, fez sucesso também em cartaz no Teatro Rival, em Cinelândia, participando da peça "O mundo é das bonecas".

Tal atuação acabou rendendo um convite para a maior emissora do país, TV Globo, para estrelar a novela "Espelho Mágico", através do diretor Daniel Filho. Contudo, o condutor da produção sequer desconfiava que Celeste havia nascido em um corpo masculino, a colocando para coreografar e até dublar a atriz Sônia Braga, como informou o jornal O Globo.

Quando o fato tornou-se público, estampou a capa de jornais por, supostamente, ter enganado a hierarquia da empresa. Funcionários também argumentaram que não havia desconfiança, visto que não cometeriam tal erro após a proibição da Censura Federal de figuras trans, que já havia barrado aparições de Divina Valéria e Rogéria.

Manchete do Gazeta de Notícias em 8 de agosto de 1977 / Crédito: Divulgação / Gazeta de Notícias

Após a descoberta

Em decorrência da polêmica, ela foi cortada da produção e não participaria mais de novelas da emissora carioca. Contudo, pôde prosseguir o sonho após o fim da Ditadura Militar, sendo convidada para interpretar na novela 'Olho pro Olho', pela Rede Manchete, em 1987, dez anos após ser barrada pela censura.

Por lá, conseguiu completar a produção e foi ao ar normalmente, dando sequência a carreira de atriz em filmes e no teatro, inclusive seguindo carreira internacional. Tal projeção resultou uma homenagem pelo conjunto de sua obra e luta para o reconhecimento durante a primeira edição do Festival TransArte, evento que trata de identidade de gênero e sexualidade, no ano de 2016.

Na vida pessoal, ainda casou-se com um companheiro de cena, o bailarino Paulo Wagner, que a acompanhou até os últimos dias de vida. Cláudia veio a falecer em maio de 2015 aos 66 anos de idade, vítima de uma infecção pulmonar.