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Matérias / Curiosidades

O que aconteceu com as vítimas do 'Golpista do Tinder'?

Na produção da Netflix, conhecemos Cecilie Fjellhøy, Pernilla Sjöholm e Aylee Charlotte. Mas o que aconteceu com cada uma delas?

Fabio Previdelli Publicado em 19/02/2022, às 09h00

Cecilie Fjellhøy, Aylee Charlotte e Pernilla Sjöholm - Divulgação/Instagram/@cecilie_
Cecilie Fjellhøy, Aylee Charlotte e Pernilla Sjöholm - Divulgação/Instagram/@cecilie_

'O Golpista do Tinder’ se tornou uma das produções mais populares da Netflix que estrearam em 2022. Ao relatar as artimanhas de Simon Leviev, o documentário mostra como um sujeito que se passou como filho de um magnata dos diamantes conseguiu aplicar golpes em mulheres do mundo inteiro. 

Estima-se que o golpista, até então, já tenha sido responsável por um desfalque acumulado de mais de 10 milhões de dólares, segundo reportado pela própria plataforma de streaming. Apesar das tramóias que fora acusado, Leviev não foi preso por isso. Mas como ele agia?

O modus operandi

Como o próprio nome da produção já diz, ele encontrava suas vítimas através do Tinder, uma das plataformas de relacionamento mais usadas do mundo.

Por lá, seu perfil sempre atraia uma infinidade de pretendentes, que se encantavam com o sujeito bem-vestido e endinheirado que demonstrava conhecer os lugares mais sofisticados do mundo.  

Mas tudo não passava de uma farsa, afinal, nem mesmo Simon Leviev existia de verdade. A realidade é que o israelense Shimon Hayut havia adotado o nome depois de sair fugido de sua terra natal para evitar ser preso por crimes relacionados a fraudes. 

Simon Leviev, o 'Golpista do Tinder'/ Crédito: Divulgação/Instagram/Simon Leviev

Para ajudar na fantasia que criava para suas vítimas, ele foi acusado de se apresentar como herdeiro de um magnata dos diamantes e SEO da LLD Diamonds. Como uma forma de ‘validar’ suas mentiras, seus primeiros encontros com suas vítimas eram repletos de luxos e regalias, que iam desde restaurantes sofisticados, presentes caros e até mesmo exuberantes viagens em seu jatinho particular. 

Na realidade, porém, o dinheiro usado para isso vinha de outras vítimas que ele já havia enganado, conforme aponta o documentário. O que transformava seu golpe em uma grande pirâmide de estelionato. Mas como ele conseguia isso?

Apesar da ‘riqueza’, Simon dizia enfrentar dificuldades com seus concorrentes de mercado, afirmando ser perseguido constantemente por eles. Seu poder de convencimento era tamanho que suas vítimas passavam a temer por sua vida e se demonstravam dispostas a ajudá-lo de qualquer maneira. 

Após enviar a foto de seu suposto segurança particular ensanguentado, Leviev dizia que seus inimigos estavam rastreando suas compras através de seu cartão de crédito.

Assim, pedia dinheiro emprestado para suas vítimas — que em muitas ocasiões lhe davam quantias exorbitantes e até mesmo cediam seus próprios cartões. 

O reembolso, porém, nunca ocorria, até que elas se dessem conta da furada que caíram. No documentário da Netflix, somos apresentados, em ordem cronológica, a três delas: Cecilie Fjellhøy, Pernilla Sjöholm e Aylee Charlotte. Mas o que aconteceu com cada uma delas?

A vítima norueguesa

O primeiro ‘match’ de Simon que conhecemos no documentário é a norueguesa Cecilie Fjellhøy, de 33 anos, que conheceu o 'Golpista do Tinder' em Londres, onde ainda reside. Após o primeiro encontro com o trapaceiro, ela se apaixonou perdidamente por ele e até mesmo fez planos para ter filhos e viver junto de Leviev

Porém, tudo que ela conquistou estando junto a ele foi uma dívida de cerca de 200 mil libras (algo em torno do de R$1,2 milhão). Segundo aponta a própria produção da Netflix, Cecilie teve que passar um período em um hospital psiquiátrico após descobrir toda a tramoia. 

Apesar de ainda continuar pagando as dívidas que fez, ela também causou prejuízos em Simon. Após contar sua história a um jornal de seu país, o nome e identidade do golpista passou a ser mais conhecido, o que ajudou com que outras vítimas o reconhecessem. 

O desfalque em uma ‘amiga’

O caso da suíça Pernilla Sjöholm, de 36 anos, é um pouco diferente de Fjellhøy. Embora também tenha sido vítima de Simon, os dois nunca chegaram a ter um envolvimento amoroso. 

Após o match no Tinder, eles saíram juntos e acabaram se tornando grandes amigos. Bom, pelo menos é assim que Pernilla o enxergava antes de ser lesada entre 50 e 60 mil euros (R$300 mil e R$360 mil).

Após descobrir mais sobre o golpe de Simon através da matéria denunciada por Cecilie, as duas ficaram amigas e juntas criaram um site de financiamento coletivo para que as vítimas do israelense consigam pagar suas contas. 

Adeus grife

Por fim, somos apresentados a história de Aylee Charlotte, de 26 anos, que foi a única que conseguiu se vingar de Simon Leviev. Ao descobrir que o namorado não era quem dizia, Aylee continuou o ajudando, mas apenas para enganá-lo.

Dizendo que o auxiliaria com suas questões financeiras, ela se propôs a vender parte das roupas de grife de Simon para levantar algum dinheiro, porém, o valor das vendas nunca foi repassado a Leviev

Além do mais, por ser a única pessoa em quem Simon confiava, Aylee sabia onde ele estava e, assim, denunciou seu paradeiro para a polícia, que o procurava por um crime cometido anteriormente. 

As autoridades gregas foram alertadas de que ele entraria no país sob um passaporte falsificado. Detido, ele acabou sendo condenado a 15 meses de prisão, mas foi solto por “bom comportamento” após cumprir um terço da pena.


*Com informações da Revista Quem;