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Corridas de biga: a Fórmula 1 mortal do Império Romano

Alta tecnologia, pilotos famosos, torcedores alucinados e muito dinheiro. Conheça as corridas que, quase sempre, resultavam em morte para os competidores

Redação Publicado em 18/04/2019, às 14h31

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Wikimedia Commons

Na Roma Antiga, as corridas de biga foram um dos mais populares esportes do período. Elas surgiram bem antes de Roma, e já aconteciam quando as antigas Olimpíadas foram criadas, em 680 a.C. Mas ninguém levou essa prática tão a sério como os romanos. 

As corridas eram perigosas para os pilotos e cavalos, já que muitas vezes sofriam ferimentos graves e até a morte, mas esses apuros aumentavam a excitação e o interesse dos espectadores. No Império Romano, as equipes representavam diferentes grupos de financiadores e às vezes competiam pelos serviços de motoristas particularmente habilidosos.

Entre esses cocheiros, um escravo ganhou notoriedade durante as competições. Ganhando mais de 2.000 corridas, Flavio Scorpus se tornou o competidor mais popular da Roma Antiga.

Flavio começou a participar nas corridas durante a sua adolescência. Aos 21 anos, se destacou no Circus Maximus, cuja origem remonta ao século VI a.C., alternava corridas de carruagens e luta de gladiadores com shows. Durante a sua carreira de 10 anos, Scorpus participou de 6 mil competições.

Já as corridas podiam ser fatais para quem participava. Os veículos eram construídos pensando unicamente na rapidez e não na segurança. “Ao contrário dos carros de guerra mais robustos dos egípcios e hititas, os carros romanos foram construídos para a velocidade e o espetáculo, e não para a batalha”, explicou Mike Loades, historiador e escritor, em entrevista à Live Science.

A competição contava com 12 carruagens e 48 cavaleiros e quando começava, uma das características mais marcantes era o chamado “naufrágio”. Os veículos caíam e colidiam entre si na pista. Como consequência, se tornavam obstáculos para os competidores que estavam atrás.

O talento de Scorpus o tornou rico e famoso no Império Romano. Durante a sua carreira de 10 anos, ele acumulou uma fortuna em ouro que equivale a US$ 15 bilhões nos dias atuais. Especialistas acreditam que ele tenha morrido durante os insólitos “naufrágios.”

Entenda como eram as corridas de biga 


Profissão piloto

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Os pilotos eram chamados de aurigas. Normalmente eram pobres tentando ficar ricos ou escravos em busca da liberdade. Os melhores eram disputados pelas equipes e adorados pelo público.


Sinal verde

A largada era dada quando um pano branco era jogado ao chão. Doze carruagens saíam dos boxes (chamados de cárceres) – as equipes mais ricas pagavam para começar nos lugares da frente.


Cadeira reservada

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A tribuna de honra funcionava como um camarote para as maiores autoridades. Uma ponte levava o imperador para dentro da arena.


Muitas cores

As bigas eram distribuídas em quatro equipes: os azuis, os verdes, os vermelhos e os brancos. Vários imperadores eram fãs dos verdes. Calígula, por exemplo, ia até os estábulos na véspera da prova, para dar uma força para o time do coração.


Sem regras

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As corridas só tinham uma regra: “Não há regras”. Tudo era permitido, inclusive chicotear o adversário e jogá-lo contra o canteiro central. O naufrágio, que acontecia quando um piloto caía da biga, era o acidente mais festejado pela plateia. 


Fama e dor

Os torcedores idolatravam alguns cavalos. Na pista, era comum que os bichos perdessem a língua por causa de uma mordida ou ficassem cegos por causa de chicotadas.


Carruagens de fogo

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Somados, piloto e biga não pesavam mais do que 100 quilos e corriam a até 35 km/h. O veículo era feito de madeira e não tinha cockpit de proteção. Cada carro podia ter de quatro a dez cavalos.


Segurança mínima

A morte fazia parte das corridas. O piloto mais famoso de todos foi Scorpus, que morreu aos 26 anos, depois de 2.048 vitórias.