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Queimando há décadas: O que explica a misteriosa 'porta do Inferno'

A cratera localizada no Turcomenistão intriga pesquisadores e é alvo de polêmica no país

Isabela Barreiros Publicado em 12/01/2022, às 11h24

A Cratera de Darvaza, chamada de 'porta do Inferno', no Turcomenistão
A Cratera de Darvaza, chamada de 'porta do Inferno', no Turcomenistão - Tormod Sandtorv via Wikimedia Commons

Na última semana, o presidente do Turcomenistão ordenou que pesquisadores do país encontrassem uma maneira de finalmente acabar com a Cratera de Darvaza, chamada informalmente de “porta do Inferno”.

Localizada ao norte da nação, no meio do deserto de Karakum, está o enorme incêndio em decorrência da cratera de gás natural, que queima há pelo menos cinco décadas e já teve tentativas anteriores sem sucesso de ser apagado.

Segundo declarou Gurbanguly Berdymukhamedov em rede nacional no último sábado, 8, conforme repercutiu o jornal The Guardian, o local “afeta negativamente o meio ambiente e a saúde das pessoas que vivem nas proximidades”.

“Estamos perdendo valiosos recursos naturais pelos quais poderíamos obter lucros significativos e usá-los para melhorar o bem-estar de nosso povo”, afirmou o líder político, que disse ter instruído as autoridades a “encontrar uma solução para extinguir o fogo”.

“Porta do Inferno”

O incêndio da 'porta do Inferno' / Crédito: Benjamin Goetzinger via Wikimedia Commons

 

O local por si só é impressionante: uma cratera de 69 metros de largura e 30 metros de profundidade, com um interior que conta com gás natural que continua queimando há mais de 50 anos.

Ainda assim, muitos podem se questionar como a situação chegou a esse ponto, ou seja, como o impressionante poço surgiu, já que ele foi resultado de ação humana, e não um fenômeno natural que já estava ali há muito tempo.

Pelo que se sabe, segundo a BBC News, tudo aconteceu em 1971, quando aconteceu um acidente de perfuração durante uma exploração para encontrar petróleo no deserto de Karakum.

Os geólogos soviéticos estavam perfurando o solo e acabaram atingindo uma caverna de gás, o que fez com que a plataforma de perfuração desmoronasse junto com a terra embaixo dela e formasse três grandes sumidouros.

Fogo dentro da cratera / Crédito: flydime via Wikimedia Commons

 

Naquela situação, os soviéticos decidiram queimar o gás ao atear fogo, com o objetivo de evitar que os gases perigosos, como o metano, se difundissem na atmosfera. Eles, no entanto, pensavam que o incêndio duraria apenas algumas semanas e não décadas.

Embora essa seja a história mais difundida sobre a origem da “porta do Inferno”, o explorador canadense George Kourounis, que fez uma viagem ao local em 2013 para o canal National Geographic, contou à BBC que não é possível saber exatamente o que aconteceu.

"Uma das coisas mais impressionantes e frustrantes sobre esta cratera é que realmente não há muita informação sobre ela. [Você não consegue], nem sequer visitando o país", revelou.

Fiz todo o possível para encontrar algum relatório ou registro oficial, algum jornal que mencionasse o incidente... Mas, nada”, completou o especialista.

De acordo com Kourounis, não existe nada que respalde a teoria do acidente soviético, ainda que geólogos do Turcomenistão afirmem que a cratera tenha se originado nos anos 1960 e começado a queimar na década de 1980.

Ele acrescenta que "há inclusive controvérsia sobre se ela foi incendiada acidentalmente, como pela queda de um raio, ou se foi intencional", porque existe a hipótese de que a cratera surgiu a partir de “flaring”.

A técnica envolve queimar intencionalmente os excedentes da extração de gás natural em decorrência de segurança e economia e constaria como ultrassecreto nos documentos, caso tivesse acontecido no deserto de Karakum há décadas.

A Cratera de Darvaza / Crédito: Rastapopulous via Wikimedia Commons

 

 

Com todos os mistérios que cercam a Cratera de Darvaza, é possível dizer que sua origem ser envolta de incógnitas está de acordo com a postura que a União Soviética vinha apresentando ao longo de sua história: segredos e apenas sucessos eram divulgados.

Como a URSS era muito rica em gás natural, é possível que queimar o local tenha sido a melhor estratégia na época, ressaltando que a liberação de metano na atmosfera é extremamente perigosa pois pode causar explosões.


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