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Neste dia, em 1994, acontecia o brutal Massacre de Ruanda

O trágico episódio deixou marcas profundas no país africano e evidenciou críticas sobre a falta de intervenção da ONU no conflito

Vinícius Buono Publicado em 07/04/2021, às 07h06

Cenas do Massacre de Ruanda
Cenas do Massacre de Ruanda - Divulgação / Youtube / Fim Dos Tempos

No ano de 1994, cerca de 800 mil pessoas foram brutalmente assassinadas em Ruanda, em apenas 100 dias. Membros da comunidade minoritária tutsi e oponentes políticos foram cruelmente executados por extremistas étnicos hutus. 

As duas etnias viviam por toda a região dos Grandes Lagos Africanos. Segundo o jornal BBC, em torno de 85% da população de Ruanda é composta por hutus, sendo a minoria composta tutsi. 

Durante a época da colonização, os europeus formentavam as diferenças étnicas entre ambos povos, com o intuito de alimentar as desavenças e manter o controle do país. Contudo, em 1959, os hutus se rebelaram contra os belgas e derrubaram a monarquia tutsi, levando dezenas de milhares de pessoas a fugir para outros territórios.

Já em 1990, os tutsis formaram um grupo rebelde, que foi chamado de Frente Patriótica Ruandesa (RPF). Em seguida, invadiram Ruanda e lutaram para libertar o país do domínio hutu.

Com o acordo de paz estabelecido em 1993, parecia que as coisas iriam melhorar. Contudo, quando em abril 1994 o avião que transportava os então presidentes de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e do Burundi, Cyprien Ntaryamira — ambos hutus — foi abatido por mísseis, deu início a 100 dias de horror.

Os 100 dias de horror

De acordo com a BBC, na noite de 6 de abril de 1994, o avião que transportava os presidentes hutus foi derrubado por mísseis. Na época, extremistas hutus acusaram a Frente Patriótica Ruandesa de ter orquestrado o atentado.

Cenas do Massacre de Ruanda / Crédito: Divulgação / Youtube / Fim Dos Tempos

 

Por outro lado, os tutsis alegaram que não foram os responsáveis pelo ataque aos presidentes. Além disso, os líderes da RPF chegaram a acusar hutus de terem planejado o atentado, para poder "justificarem" o genocídio que estava por vir. 

Desta forma, no final do século 20 iniciou-se o brutal Massacre de Ruanda, que ficou marcado na história da humanidade. O genocídio foi orquestrado pela alta cúpula do governo e contou com o apoio da mídia. Além disso, a população tutsi não foi morta apenas por oficiais do exército, mas também por civis hutus. 

Segundo a BBC, para realizar o massacre, uma lista com nomes de opositores do governo foi entregue às milícias. A partir disso, bloqueios foram montados por várias estradas, onde pessoas tutsis eram brutalmente assassinadas. 

Poucos eram os requisitos para que um hutu conseguisse armas e, desta forma, grupos de extermínio foram formados por civis. As vítimas tutsis, por sua vez, foram brutalmente massacradas por pessoas que até então eram seus vizinhos, colegas e amigos.

Na época, alguns homens chegaram a matar suas esposas tutsis, sob alegação que seriam assassinados caso recusassem. Outras milhares de mulheres dessa etnia encontraram outros fins trágicos: foram submetidas como escravas sexuais.

O fim do massacre 

Conforme a BBC, a ONU não recebeu ordens para parar com o massacre, embora tivessem forças de segurança em Ruanda. Mais tarde, após a execução de 10 soldados belgas, as Nações Unidas e a Bélgica retiram suas tropas do país africano.

Já a França, que era aliada do governo hutu, enviou forças militares para a zona de conflito. Contudo, foram acusados de não fazer esforços para parar com a matança na região.

Ossos de vítimas do massacre / Crédito: Divulgação / Youtube / Fim Dos Tempos

 

Durante pouco mais de três meses, o país africano viveu em uma zona de guerra. Mais tarde, a ONU e grandes potências mundiais foram duramente criticadas por não intervir no conflito enquanto milhares de tutsis eram mortos. 

O massacre só teve fim em julho de 1994, quando a Frente Patriótica Ruandesa conseguiu derrubar o governo e assumir o controle do país. Durante o conflito, o número de refugiados em países vizinhos atingiu níveis alarmantes.

A infraestrutura de Ruanda entrou em colapso e, com 40% da população morta ou refugiada, nem o sistema jurídico se salvou — os poucos juízes que lá ficaram não tinham base para julgar devido à participação maciça de civis.

Embora tenham sido adotadas medidas para o crescimento da economia do país e para a comunhão das duas etnias, ainda hoje assuntos acerca do genocídio seguem sendo um tabu na mídia e nas escolas do território.


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