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Enigmas, ratos e até mesmo a 'bola de fogo': Há 25 anos, terminava o programa Ponto a Ponto

Em 4 de agosto de 1996, os brasileiros se despediam do programa marcado por provas curiosas

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/08/2021, às 09h00

Adolescente realiza prova com bola de fogo no programa "Ponto a Ponto"
Adolescente realiza prova com bola de fogo no programa "Ponto a Ponto" - Divulgação / YouTube / TV Globo

Em 1996, a Globo chamava atenção ao importar um curioso formato da Espanha para aplicar na televisão brasileira. O 'El gran juego de la oca', (O Grande Jogo do Ganso, em tradução livre do espanhol) era produzido há três anos pelo canal Antena 3 e instigou emissora carioca.

Contando com provas que aumentavam a dificuldade conforme os prêmios aumentavam, a conversão dos pontos acumulados nas dinâmicas eram convertidos em valores em dinheiro — mas a adaptação nacional levou a dificuldade a sério, criando provas focadas em esportes radicais para associar o público jovem com a atração.

Dessa maneira, provas especiais foram criadas, desde subir em um pau-de-sebo, escalar em paredes e desvendar enigmas, prova com depilação, atravessar compartimentos contendo cobras, rãs e ratos e até manter o batimento cardíaco baixo durante a apresentação de um strip-tease.

Os apresentadores da atração reunidos em fotografia / Crédito: Divulgação / Globo

 

Prova arriscada

Conforme noticiado pelo portal de TV da Folha na época, o programa era transmitido nas tardes de domingo e estreou em 31 de março de 1996 sob o comando de Márcio Garcia, Ana Furtado e Danielle Winits.

Usando equipamentos de segurança, os desafios possibilitavam a dupla vencedora a converter os pontos do programa em dinheiro, além de continuarem participando no domingo seguinte. Caso totalizassem 30 mil pontos, levavam dois carros zero quilômetro, como registra o portal do programa no Memória Globo.

Contudo, a principal polêmica ao redor da atração se deu com uma prova específica, intitulada "Bola de Fogo".

Apresentada ainda na chamada de estreia, um participante, vestindo uma roupa impermeável tinha de levar sete bolas de fogo até o topo de um escorregador, tomando o estúdio com fumaça — mas recompensando o jogador com R$ 1 mil pela conclusão.

Mexendo com fogo

Em maio do mesmo ano, pouco depois da estreia da atração, os irmãos Felipe e Gustavo Boch Tesch, com 15 e 17 anos respectivamente, tentaram imitar a brincadeira do programa em casa ao acender uma bola com um material inflamável, mas sem nenhuma roupa de proteção ou luvas. 

A combustão do item fez com que a brincadeira se tornasse uma tragédia. Eles foram conduzidos para o Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre, mas morreram ao ter boa parte dos corpos queimados, como registra a Folha de S. Paulo.

Tal tentativa resultou em um pedido da Câmara dos Deputados para que a Procuradoria Geral da República (PGR) investigasse a responsabilidade da emissora nos óbitos.

Através de uma carta do vice-presidente de Operações da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ao deputado Gilney Viana foi deixado claro que os concorrentes da atração eram protegidos de maneira adequada e assinavam um termo que cobriam acidentes e até seguro de vida.

De qualquer maneira, a direção da emissora decidiu cancelar o show com apenas 19 equições, tendo sua última transmissão em 4 de agosto de 1996.