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O que levou Robbie Fowler a comemorar um gol desta maneira polêmica?

Excêntrica lenda do Liverpool extravasou ao celebrar gol contra o rival Everton

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 07/11/2021, às 00h00

Robbie Fowler comemorando um gol contra o Everton, em 1999
Robbie Fowler comemorando um gol contra o Everton, em 1999 - Getty Images

Por mais clichê que seja, é inegável afirmar que o “gol é o grande momento do futebol”. O ápice do esporte cria uma atmosfera única onde atletas e torcedores se unem por uma só emoção, um sentimento ímpar. 

Mas, não é só a paixão que cria a magia do momento, nosso organismo também tem papel fundamental nisso. Não só nossos batimentos cardíacos aumentam loucamente, mas nossa pressão também sobe de maneira brutal. Assim como a dilatação das pupilas é algo quase que instantâneo. Isso sem contar que nossos pulmões trabalham a pleno vapor. 

“Nesse momento, a adrenalina, que prepara as pernas para correr; o indivíduo para lutar, para fugir, enfim, para enfrentar situações que geram o estresse, é liberada. O coração acelera. Essas substâncias atuam no sistema elétrico produzindo maior frequência. E quando a frequência cardíaca aumenta, a pressão arterial aumenta, também”, explica o cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima em entrevista ao portal Gazeta Online. 

O êxtase deve ser maior ainda quando o gol é feito contra o seu maior rival, em uma situação onde ganhar é a única alternativa que importa. Se a comemoração tiver um toque de provocação, melhor ainda. E nesse cenário, não há ninguém melhor que Robbie Fowler.

O Merseyside derby

Everton e Liverpool fazem um dos maiores clássicos não só da Inglaterra como também do futebol mundial. Até a década de 1990, por exemplo, como recorda matéria publicada pelo portal Trivela, os dois clubes eram os maiores vencedores da Terra da Rainha. 

Desde quando foram fundados — Everton (em 1878) e Liverpool (1892) —, o lado azul dessa disputa era o maior vitorioso até a década de 1960, mas o Liverpool reverteu esse placar a ponto de tornar o embate contra o Manchester United muito mais simbólico do que contra seu rival regional. 

Outro ponto que marca o derby de Merseyside, nome dado em alusão ao rio que percorre a cidade, é que mesmo com a rivalidade, os clubes nutrem uma certa cordialidade entre si. O primeiro ponto para isso é que o Anfield Rose, estádio do Liverpool, já foi casa do Everton. Além do mais, os Reds já usaram a cor azul quando ainda se chamava de "Everton Athletic", explica o Trivela. 

Lance do Merseyside derby/ Crédito: Nigel Wilson de England via Wikimedia Commons

 

Além de craques que fizeram história nos times terem torcido para seus respectivos rivais na infância, um último fator que ajuda nessa ‘amistosidade’ é a distância entre os dois estádios: que é de apenas 1.100 metros.

Mas tudo isso não significa que os encontros entre os dois deixem de ser acirrados e que provocações não surjam por ambas as partes.

Robbie Fowler em azul e vermelho

Robert Bernard Fowler era um desses exemplos de jogadores que fez sucesso por um clube, mas que torcia por seu rival na infância. Apaixonado pelo Everton quando menino, o atacante assinou seu primeiro contrato profissional com o Liverpool, em 1992, quando completou 17 anos. 

Mas sua estreia no time principal só aconteceu duas temporadas depois, em janeiro de 1993, logo após ele ter ajudado a Seleção Inglesa a conquistar o Campeonato Europeu Sub-18. Em seu primeiro jogo pelos Reds, sua equipe ganhou por 3x1. A atuação de gala viria pouco depois, quando marcou os cinco gols da vitória no jogo de volta contra o Cottagers pela Copa Inglesa.

Fowler em ação pelo Liverpool/ Crédito: Getty Images

 

A ascensão de Fowler foi meteórica, com ele marcando 12 gols em seus 13 primeiros jogos. Entre 1995 e 1996, foi eleito o Jovem Jogador do Ano da Associação Profissional de Jogadores.

A parceria com Steve McManaman, outro ídolo do Liverpool, foi o motivo pelo qual o clube ficou conhecido por ser “a força ofensiva mais potente da Inglaterra na época”, relata matéria da ESPN. Robbie ficou famoso por marcar gols de todas as variedades, ângulos e distâncias, sendo apontado por McManaman como o "maior artilheiro de todos os tempos" com quem atuou.

A comemoração polêmica

Na mesma medida que Fowler fazia sucesso dentro de campo, vinham as polêmicas fora dele. A primeira delas foi quando ele e outros jogadores foram apelidados de “The Spice Boys”, por um suposto envolvimento de Robbie com a Spice Girl Emma Bunton.

O termo cunhado pelo Daily Mail acabou sendo usado de maneira pejorativa para sugerir que ele e seus colegas eram playboys — e por isso estavam demonstrando um baixo rendimento. 

Mas a maior polêmica de sua carreira aconteceu em abril de 1999, quando o Liverpool recebeu o Everton no Anfield. Na ocasião, parte da torcida azul o acusou de ser usuário de drogas. 

Robbie não se manifestou publicamente, mas sua resposta veio em grande estilo dentro de campo, onde marcou dois gols da vitória por 3x2 contra o rival. Quando anotou o primeiro tento, após uma cobrança de pênalti, Fowler foi até a torcida do Everton, se ajoelhou na linha de fundo e simulou estar cheirando a marcação, como se ela fosse uma carreira de cocaína. Como resultado, ele acabou pegando quatro jogos de suspensão. 

Robbie celebrando o gol contra o Everton/ Crédito: Getty Images

 

Arrependimento?

Em entrevista à revista britânica FourFourTwo, em 2020, Fowler foi questionado se havia se arrependido do gesto após cerca de 20 anos. "De forma alguma. Os torcedores do Everton pegavam muito no meu pé. Eu sabia o que estava fazendo. Eu não me importava. Era a chance de acabar com eles depois do abuso que sofri", respondeu. 

Ao todo, contando suas duas passagens, Robbie Fowler jogou 369 jogos pelo Liverpool e balançou as redes 183 vezes — onde ganhou uma FA Cup, duas Copas da Liga Inglesa, uma Taça da UEFA e uma Supertaça da UEFA.


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