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Matérias / Homem de Tollund

O que pode ter causado a morte do homem mumificado em um pântano há 2 mil anos

Conhecida como 'Homem de Tollund', a múmia encontrada na Dinamarca é uma das mais bem preservadas do mundo

Redação Publicado em 26/06/2022, às 08h00

Múmia do Homem de Tollund - Divulgação/Museu Silkeborg
Múmia do Homem de Tollund - Divulgação/Museu Silkeborg

Uma das múmias mais bem conservadas do mundo é a do Homem de Tollund, descoberta há 72 anos no centro-norte da Dinamarca, próximo à cidade de Silkeborg, em um local bastante inusitado: dentro de um pântano.

Quando o corpo mumificado foi encontrado, seu estado de preservação foi tão impressionante que acabou por fazer que a polícia local imaginasse que aquele fosse mais um caso de assassinato na região.

Na verdade, as autoridades não poderiam estar mais erradas sobre a idade daquele cadáver, encontrado com um laço de couro de animal trançado no pescoço. Segundo os arqueólogos que realizaram a autópsia, o homem morreu há 2.400 anos.

O indivíduo teria vivido durante a Idade do Ferro Pré-Romana, entre 500 a 1 a.C., o que o torna uma das mais antigas múmias naturais da história, e os pesquisadores especulam que ele provavelmente teve uma morte bastante peculiar.

Como o Homem de Tollund morreu?

Rosto da múmia em detalhes / Crédito: Divulgação/Museu Silkeborg

A principal teoria é que o indivíduo foi vítima de estrangulamento por volta do ano 350 a.C., visto que ele foi encontrado um laço de couro de animal em volta de seu pescoço, sendo jogado no pântano logo depois do assassinato.

No entanto, embora tivesse sido enforcado, o homem não apresentava sinais de violência, o que sugere que ele não foi executado como criminoso, mas provavelmente como vítima de um sacrifício humano, hipótese investigada por meio da análise de sua última refeição.

Entre 12 a 24 horas antes de morrer em um provável sacrifício ritual, o sujeito teve uma refeição saudável, que seria sua última refeição em vida, como revelou um exame realizado no conteúdo do intestino do Homem de Tollund.

Intestino preservado da múmia / Crédito: Divulgação/Danish National Museum

O estudo feito em julho de 2021, por uma equipe de cientistas liderados pela chefe de pesquisa do Museu Silkeborg da Dinamarca, Nina Nielsen, descobriu que o homem comeu um mingau feito de sementes de grãos, que continha cevada, linho, persicária, além de alguns peixes.

Segundo descreveram os pesquisadores no artigo publicado na época na revista Antiquity, as sementes de persicária, uma planta que era geralmente descartada como erva daninha, pode ter representado um propósito ritualístico no prato.

“Foi apenas uma refeição normal? Ou o descarte de alimento era algo que você só incluía quando as pessoas faziam uma refeição de ritual?" disse Nielsen à NCB News. “Nós não sabemos disso.”

Como relatou a revista Galileu, existe ainda a possibilidade de a planta ter sido colocada no mingau para reforçar a ideia de punição no ritual do homem por “receber algo nojento e horrível de comer”, segundo a professora emérita de história, arqueologia e religião na Universidade de Cardiff, no Reino Unido, Miranda Aldhouse-Green.

Reconstrução dos ingredientes do mingau / Crédito: Divulgação/Antiquity

Ela também aponta para a hipótese de a “a sociedade [estar] em uma espiral descendente, onde a comida era escassa”, fazendo com que o mingau tivesse que contar com algo que geralmente seria descartado.

A pesquisa também ressaltou que foram encontrados proteínas e ovos de vermes intestinais dentro do intestino do indivíduo, o que pode sugerir que ele sofreu com infecção de parasitas antes de morrer. É provável que isso tenha sido em decorrência de consumo de comida ou água contaminadas.