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O que teria enfurecido Freddie Mercury durante passagem no Brasil em 1985?

O vocalista do Queen no Brasil teria se enfurecido durante passagem em um dos maiores festivais do Brasil

Wallacy Ferrari Publicado em 11/04/2021, às 09h00

Roger Taylor e Freddie Mercury após concluir show do Rock in Rio
Roger Taylor e Freddie Mercury após concluir show do Rock in Rio - Flickr / Comunità Queeniana

Extravagâncias e pessoalidades na preparação para receber uma grande estrela da música já é um dos símbolos mais quiméricos do rock mundial; toalhas brancas, números específicos de alimentos e até mesmo regalias sem nenhum sentido marcam a história de grandes astros em grandes turnês — e maior festival da história do Brasil não fica de fora dessa.

No Rock in Rio, Axl Rose, do Guns n’ Roses, chegou a solicitar uma macarronada gigante e convidar todos os funcionários para comer juntos em uma mesa.

Princefoi mais específico, solicitando que ninguém olhasse seu rosto e especificando que a iluminação de seu camarim fosse na cor púrpura — que foi rapidamente improvisado com velas azuis e vermelhas.

Tais episódios foram revelados pelo apresentador Amin Khader, em entrevista ao Extra, repercutida pela Rolling Stone Brasil, que durante as décadas de 1980 e 1990 se tornou um dos mais importantes promotores de eventos do Brasil.

Ele foi responsável pela organização e produção dos camarins de artistas nas três primeiras edições do Rock in Rio, incluindo a de 1985, onde revelou uma curiosa passagem com Freddie Mercury.

Freddie Mercury durante apresentação com a famosa regata de relâmpago / Crédito: Getty Images

 

Especificações do rei

O vocalista do Queen foi acompanhado pelo promoter brasileiro desde sua chegada de helicóptero na arena, após se hospedar no Copacabana Palace. Dentre as exigências enviadas pela produção do cantor, uma surpresa; o bigodudo fazia questão de receber uma garrafa de saquê aquecida a 20°C para consumo imediato.

O organizador conseguiu proporcionar e reaquecer ao chegar, mas descobriu um incômodo de Freddie. Ao desfilar nos corredores do camarim, notou muitas outras pessoas ocupando o espaço — mesmo que isso não interrompesse sua locomoção. Entre as pessoas, haviam músicos, funcionários, empresários e nomes da música popular brasileira.

Freddie queria saber porque aquelas pessoas estavam ali. Amin respondeu dizendo que tratavam-se de “artistas do mesmo gabarito” que o dele, mas o cantor retrucou: “Não são, porque eles me conhecem, e eu não os conheço. Você tem cinco minutos para tirar todos de lá".

Freddie Mercury em apresentação com o Queen / Crédito: Divulgação/Youtube/VIDEO REMASTER ITA/23.12.2018

 

Gritos homofóbicos

A ordem gerou revolta entre os brasileiros, que instantes depois, deixaram o corredor aos gritos de “Bicha! Bicha!” contra o vocalista. Freddie perguntou a Amim do que se tratava, mas o promoter mentiu, alegando que eram elogios. “Como? Se eles estão com cara de ódio!”, respondeu o astro antes de entrar no camarim.

Minutos depois, pouco antes do conjunto sair em rumo ao palco, Amin foi solicitado para verificar e iniciar a reposição de itens pós show, dando de cara com o espaço completamente revirado: “Ele me chamou no camarim e perguntou se no Brasil havia furacão. Quando olhei, estava tudo destruído”.

Mesmo assim, os organizadores não se incomodaram; o promoter arrumou tudo de novo e preparou para que, após o show, eles pudessem repousar antes de voltar ao hotel — e com certeza, valeu a pena o esforço; a tal apresentação é conhecida como a mais notável da história do festival.