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O rico âmbar que preservou o nascimento de filhotes de caracol há 99 milhões de anos

Durante o Cretáceo, uma mãe caracol deu à luz seus filhotes em meio à resina, possibilitando que, milhões de anos depois, o momento ainda pudesse ser contemplado

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 15/06/2021, às 11h11

Filhotes de caracol preservados em âmbar
Filhotes de caracol preservados em âmbar - Divulgação/Tingting Yu

Uma equipe de pesquisadores alemães e chineses recentemente encontrou algo extremamente fascinante e raro: um âmbar que preservou uma mãe caracol e seus cinco filhotes no momento do nascimento, ocorrido há 99 milhões de anos.

Graças à resina presente em uma árvore e, considerando à falta de sorte da progenitora, o exato momento em que pequenos moluscos ganhavam a vida durante o período Cretáceo foi preservado pela natureza, possibilitando que nós, seres humanos, o contemplássemos, mesmo tendo surgido muito tempo depois. 

A descoberta, de acordo com a revista Galileu, se deu em Mianmar, país do sudeste da Ásia, e foi publicada em um artigo na edição de setembro de 2021 do periódico Gondwana Research. 

A mãe caracol e seus 5 filhotes foram preservados no líquido / Crédito: Divulgação Tingting Yu

 

Uma incrível descoberta

Conforme explicou em comunicado a cientista Adrienne Jochum, do Instituto de Pesquisa Senckenberg, na Alemanha, os cientistas descobriram "o corpo e a concha de uma fêmea de caracol terrestre excepcionalmente bem preservada logo após o nascimento de sua prole, que também está no âmbar.”

Para analisar as estruturas dentro da resina, a equipe utilizou, segundo Jochum, fotografias de alta resolução, além de imagens de tomografia realizadas a partir de um microcomputador. .

Tomografia do conteúdo no âmbar / Crédito: Divulgação/Tingting YU

 

'Bebês' aprisionados

A especialista do Instituto Seckenberg, quem também faz parte dos museus de história natural de Frankfurt e Berna, afirmou que os filhotes teriam sido “aprisionados” no líquido assim que nasceram.

Segundo ela, a mãe teria tentado salvá-los da resina da árvore quando percebeu que corriam risco. Contudo, já era tarde demais.

"A mãe caracol deve ter notado seu destino iminente e está esticando seus tentáculos em uma postura de 'alerta vermelho'”, analisou a profissional.

Na imagem, um caracol-gigante-africano moderno sai de um recipiente / Crédito: Getty Images

 

Parto incomum

Jochum ainda destaca que o tipo de parto registrado no âmbar é raro em caracóis terrestres. De acordo com a equipe de pesquisadores, essa teria sido uma estratégia de sobrevivência da espécie.

“Presumimos que os filhotes dessa espécie — comparados aos caracóis que põem ovos — eram menores e nasciam em menor quantidade para aumentar sua chance de sobrevivência”, disse a cientista.

“Com base na descoberta, não podemos apenas fazer afirmações sobre a morfologia e paleoecologia dos animais, mas agora também sabemos que existiram caracóis vivíparos no período Cretáceo," finalizou.

Confira o estudo completo aqui.


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