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Sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte fundou o FBI nos EUA

Charles Joseph Bonaparte participou do governo de Ted Roosevelt e estabeleceu o Escritório de Investigações do país

Redação Publicado em 30/07/2019, às 14h00

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- Reprodução

Algo que nem o visionário Napoleão Bonaparte conseguiria prever é o fato de que seu sobrinho-neto, Charles Joseph Bonaparte, foi não só secretário da Marinha dos EUA como também um dos responsáveis pela fundação do FBI.

Isso ocorreu durante a gestão do presidente Theodore Roosevelt, que criou as bases para a criação do Federal Bureau of Investigation (Escritório Federal de Investigação)

Charles era neto do irmão mais novo de Napoleão I, grande general que possibilitou a dominação francesa da Europa. Em 1807, durante o seu auge, ele colocou o irmão Jérôme (ou Girolamo) para comandar o reino de Westfalia, um principado da atual Alemanha.

Jérôme Bonaparte, rei de Wastfália / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando Napoleão foi derrotado em Waterloo, Jérôme permaneceu na Westfalia, fugindo depois para a Itália e, finalmente, EUA. Só voltaria à Europa com a ascensão do sobrinho Napoleão III como imperador francês, recebendo títulos nobiliárquicos e enriquecendo. Jérôme foi junto a sua esposa, Elizabeth, e seu filho, Jérôme, conhecido como Bo.

Entretanto, o imperador não gostava do relacionamento e forçou Jérôme a terminar seu casamento com a estadunidense, que voltou a Baltimore com o filho. Lá, viviam com requinte.

Bo casou-se em 1829 com Susan May Williams e com ela teve dois filhos, Jerome Napoleon Bonaparte II e Charles Joseph Bonaparte. Ambos nunca quiseram reivindicar títulos imperiais, mesmo que Charles tenha feito um brasão para si mesmo.

Charles Bonaparte / Crédito: Reprodução

 

Ele foi enviado para Harvard para estudar Direto. Retornou à Baltimore, se tornando um profissional de destaque. Politizado, se identificava como um republicano progressista e defendeu diversas pautas em favor de direitos civis a negros e mulheres.

Também ganhou destaque durante sua luta contra a corrupção das oligarquias políticas que governavam o estado. Por esse motivo, ficou conhecido como Charlie the Crook Chaser (Charlie, o Caçador de Trapaceiros).

O Caçador de Trapaceiros comandou uma jornada de combate aos democratas envolvidos em escândalos de abuso de autoridade, até se tornar membro do Colégio Eleitoral para a nomeação do presidente em 1904.

Neste ano, foi eleito Theodore Roosevelt, com uma campanha em defesa de reformas governamentais e combate à corrupção. Como consequência, ele se juntou a Charles Bonaparte e o indicou como secretário da Marinha. O descendente de Napoleão era respeitado na época, mesmo sendo considerado uma pessoa estranha (por se recusar a usar tecnologias recentes da época, preferindo enviar cartas e viajar a cavalo).

Como secretário da Marinha, possibilitou que a instituição se tornasse uma potência mundial e presente no Atlântico e no Pacífico. Por seus méritos, logo se tornou Procurador Geral dos EUA, entre 1906 e 1908.

Brasão do FBI / Crédito: Getty Images

 

Neste tempo, foi responsável pelo estabelecimento do FBI (na época o BOI – Bureau of Investigation), como órgão especial do Departamento do Tesouro. Charles queria incorporar o Serviço Secreto à instituição, mas o Congresso impediu temendo a formação de uma Polícia Secreta.

No entanto, Bonaparte recrutou alguns agentes do Serviço Secreto para sua força original de trinta e quatro agentes especiais, junto com novos recrutas e outros profissionais da lei. Como primeira missão, o BOI fez uma grande investigação sobre a prostituição interestadual no país.

O BOI foi brevemente nomeado como Division of Investigation em 1932, doze anos após a morte do fundador, mas logo se tornou o FBI que conhecemos hoje.