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O suposto rapto de Lim Ji-hyun, desertora da Coreia do Norte

Em busca de uma nova vida, a mulher mudou-se para a Coreia do Sul e ficou famosa por difamar seu país de origem, mas alegou que era obrigada a fazer tais acusações

Nicoli Raveli Publicado em 21/05/2020, às 11h00 - Atualizado às 20h30

Lim Ji-hyun em entrevista realizada pelo governo norte-coreano
Lim Ji-hyun em entrevista realizada pelo governo norte-coreano - Divulgação

Lim Ji-hyun tomou uma decisão difícil logo quando jovem: decidiu abandonar seu país de origem, a Coreia do Norte - onde a populaçaõ enfrentava uma crise de fome - e mudou-se para a Coreia do Sul em busca de uma nova vida. Lá, estava disposta a seguir o seu sonho e tornar-se uma apresentadora de programas televisivos.

Diante tamanho sucesso, a mulher ganhou destaque. Mas ninguém esperava que, em meio a sua ascensão, um desastre fosse acontecer. Foi em 2017, aos 26 anos, que seus dias como apresentadora chegaram ao fim.

Em meio a diversos programas televisivos, Lim, que se apresentava como Jeon Hye-sung, criticou a Coreia do Norte. Segundo a própria apresentadora, ela foi obrigada a manchar a imagem do país vizinho diversas vezes.

De volta à Coreia do Norte

Após diversas aparições, Ji-hyun voltou a seu país de origem. Sua transição, entretanto, foi muito questionada na época, já que havia rumores se ela realmente havia retornado à Coreia do Norte voluntariamente ou havia sido sequestrada.

Lim Ji-hyun concendendo uma entrevista / Crédito: Divulgação 

 

Os boatos só foram abafados após a publicação de uma filmagem do próprio governo do Norte, no qual a apresentadora de televisão foi entrevistada e afirmou diversos fatos sobre sua trajetória.

Primeiramente, Lim contou que foi atraída para a Coreia do Sul por uma fantasia de que lá poderia comer bem e ganhar muito dinheiro. Mas, em meio a sua descrição, alegou que não demorou muito para se arrepender, uma vez que percebeu que o país era comandado pelo dinheiro e que ela foi atormentada fisicamente e psicologicamente.

Infeliz, ela foi chamada para participar do Club Moranbong, um programa televisivo no qual ela comentava sobre sua infância na Coreia do Norte e sobre a família Kim. "Caluniei, falei mal da República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] porque assim me ordenou a rede de televisão”, acrescentou.

O suposto sequestro

Após trabalhar em diversos locais, contou Lim, decidiu retornar voluntariamente ao país vizinho, já que sentia falta de seus parentes, principalmente de seus pais. “Cada dia na Coreia do Sul era um inferno”, completou.

Lim Ji-hyun com um broche da Coreia do Norte em entrevista após os rumores do suposto sequestro / Crédito: Divulgação 

 

O principal ponto, porém, não deixou de ser um questionamento após a aparição da apresentadora, que fazia questão de elogiar o líder do país, Kim Jong-un, por oferecê-la uma segunda oportunidade.

Porém, seria isso apenas uma forma de encobrir o suposto sequestro ou tratava-se da realidade? Essa pergunta parecia estar longe de ser respondida. Para isso, as autoridades sul-coreanas decidiram realizar uma investigação sobre o caso.

Primeiramente, a polícia de Seul, capital da Coreia do Sul, averiguou as movimentações bancárias e telefonemas de Lim. Mas a situação estava longe de ser desvendada.

Enquanto isso, o jornal Korean Times levantou mais um questionamento. Outros desertores do Norte cogitavam que Ji-hyun havia sido sequestrada nas proximidades da fronteira entre a Coreia do Norte e a China, onde a mulher teria ido para ajudar seus parentes a também abandonar o país.

Para as autoridades, a suposição era plausível, já que milhares de norte-coreanos abandonavam o local e iam em direção a Coreia do Sul. Além disso, poucas pessoas desejaram voltar ao Norte: segundo um levantamento da BBC, menos de 25% retornaram entre 2012 e 2017.

Lim Ji-hyun acompanhada de norte-coreanos durante a entrevista / Crédito: Divulgação 

 

Mesmo com uma busca implacável, as autoridades sul-coreanas não conseguiram desvendar o mistério, nem mesmo Lim revelou como foi sua viagem de volta ao norte.

Entretanto, muitos rumores não favorecem a imagem da Coreia do Norte como um país acolhedor, uma vez que o país considera os desertores como traidores e escórias humanas.


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