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O teólogo que ardeu na fogueira: os dias finais de Giordano Bruno

Ele pensava que a Terra girava em torno do Sol, que o astro brilhante era uma estrela e que outros planetas abrigavam vida inteligente. Para calar suas ideias, a Inquisição o executou

Ingredi Brunato Publicado em 13/08/2020, às 17h20

Estátua de Giordano Bruno, por Ettori Ferrari, Roma
Estátua de Giordano Bruno, por Ettori Ferrari, Roma - Wikimedia Commons

Giordano Bruno teve a formação de um sacerdote. No entanto, foram seus pensamentos hereges que o tornaram conhecido, e que, por fim, o levaram a ser queimado vivo pela Igreja Católica. 

O filósofo romano defendia todo tipo de ideia inusitada: acreditava que o Universo era infinito, que a matéria era feita de átomos e que existiam outros planetas como a Terra lá fora, orbitando estrelas como o Sol, e hospedando vida inteligente. 

Isso tudo em uma época que pensamentos que contrariassem os ensinamentos da Bíblia eram considerados uma heresia severa. Giordano, porém, acreditava fervorosamente em tudo que pregava — e não era a oposição da Igreja que iria pará-lo. 

Crenças filosóficas subversivas

O que é mais interessante sobre Giordano Bruno é que ele não era um cientista, como se poderia deduzir pelas suas afirmações. Curiosamente, muitos de seus pensamentos são hoje conhecimentos já estabelecidos da astronomia, afinal. 

De forma inesperada, não foi realizando cálculos matemáticos ou experimentos científicos que o filósofo chegou em suas conclusões, e sim através da fé cristã. Para ele, por exemplo, o Universo era infinito porque Deus era infinito, e a matéria é feita de átomos porque essa seria a partícula onde reside Deus, que está em toda parte. 

Após abandonar seu hábito católico e Roma, onde foi julgado por seus pensamentos heréticos, ele tentou recomeçar sua vida em diversos países europeus, porém nunca conseguiu realmente se encaixar. Até tentou se converter ao calvinismo na Suíça, mas foi acusado novamente de herege. 

Retrato desenhado de Giordano Bruno. Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma emboscada?

Um nobre italiano chamado Giovanni Mocenigo foi o responsável por convidar Giordano Bruno para performar uma técnica sua, a mnemônica, em Veneza. Tratava-se de um método de memorização, no entanto, o nobre católico, impressionado, interpretou o que viu como magia. 

Por conta disso, ele teria denunciado o filósofo para a Inquisição, trancando-o em um quarto até que os agentes da organização religiosa viessem buscá-lo. Alguns historiadores possuem uma versão diferente da história: eles acreditam que a situação teria sido uma armadilha montada pela Igreja para prender o filósofo, com Mocenigo servindo como peão. 

Tendo sido uma armadilha ou não, o fato é que Giordano Bruno acabou nas mãos da Inquisição. A esse ponto da vida, o filósofo já havia publicado diversas obras com o objetivo de disseminar suas ideias, o que tornava seu julgamento muito mais grave do que aquele seu primeiro, logo antes de abandonar o hábito. 

Um fim de queixo erguido 

A Inquisição exigiu que Giordano negasse o que havia dito durante a vida, fazendo a confissão de que estava errado desde o início, e que era a Bíblia que guardava a verdade. O ex-membro da Igreja se recusou, enfatizando que suas teorias eram filosóficas, e não religiosas. Nem é preciso dizer que esse não foi considerado um argumento válido pelos inquisidores. 

Ele passou pelo menos sete anos preso em Roma, porém o encarceramento não amoleceu suas crenças. Quando a Igreja demandou novamente que Giordano Bruno negasse os pensamentos que pregou anteriormente, porém dessa vez colocando a sentença de morte na fogueira em jogo, sua resposta permaneceu sendo uma recusa. 

Longe de exibir uma atitude intimidada, ao ouvir sua condenação naquele último interrogatório, Giordano teria respondido os inquisidores com desafio: “Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la”. 

Durante os oito dias que separaram o último interrogatório do dia da execução, diversos padres ainda tentaram convencer Giordano a voltar atrás em suas palavras, mas sem sucesso. 

Talvez por conta da eloquência e do fervor com que o filósofo falava do que acreditava, no dia que foi queimado não houveram últimas palavras. Em 17 de fevereiro de 1600, Giordano Bruno foi mandado para a fogueira com um pedaço de madeira dentro da boca.


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