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O triste fim e o peculiar testamento do estilista Alexander McQueen

Após cancelar um desfile às pressas, o gênio da moda — que vestiu Beyoncé, Lady Gaga e Cameron Diaz — deixou o mundo em 11 de fevereiro de 2010

Vanessa Centamori Publicado em 19/08/2020, às 16h53

Alexander McQueen em entrevista antiga para a Fashion Television
Alexander McQueen em entrevista antiga para a Fashion Television - Divulgação/ Youtube/Fashion Television

Em 11 de fevereiro de 2010, às 10h20 da manhã local, o Departamento de Polícia de Londres recebeu uma ligação do serviço de ambulância da cidade alertando sobre a morte de um homem de cerca de 40 anos. A chamada de socorro aos paramédicos, segundo informou o The Sun na época, foi feita pelos empregados do renomado estilista  Alexander McQueen. 

As roupas de McQueen eram vestidas por Beyoncé, Lady Gaga, Cameron Diaz, Michelle Obama — entre muitos outros nomes famosos. Nem é preciso dizer que o mundo da moda entrou em luto com a perda. 

Rumores de um possível suicídio não demoraram para circular: os planos do estilista já tinham sido cancelados naquele mesmo dia. A segunda grife de McQueen, a McQ, deveria fazer sua estreia na MAC & Milk, evento paralelo à semana de moda de Nova York. Porém, o milionário de sucesso cancelou o desfile às pressas. 

Alexander McQueen / Crédito: Youtube/Divulgação/Victoria and Albert Museum 

 

Gênio dos looks 

McQueen nasceu em 17 de março de 1969, em uma família que estava longe do glamour das passarelas. Enfrentou dificuldades em uma das zonas mais pobres da capital britânica. Seu pai era motorista de táxi e ele era caçula de seis irmãos. 

Aos 16 anos de idade, abandonou a escola para se aventurar como aprendiz em uma grife britânica. Aos 20 anos ele foi contratado pelo designer Koji Tatsuno, que compartilhava com ele raízes na alfaiataria britânica. 

Depois de passar uma temporada ousada em Milão, o homem voltou para Londres e finalizou um mestrado em Design de Moda no Central Saint Martini. Em 1992, toda a coleção que McQueen produziu no mestrado foi comprada pela influente estilista de moda Isabella Blow, pelo valor genoroso de 5 mil libras. 

Naquele mesmo ano, sob a mentoria e contatos de Blow, a carreira do jovem deslanchou. Em 1996, já conhecido como "o hooligan da moda inglesa", Alexander McQueen tornou-se o principal estilista da casa de alta costura francesa Givenchy. Ele seria ainda eleito o melhor estilista britânico do ano — título que conquistou quatro vezes, entre 1996 a 2003. 

O último desfile de Alexander McQueen / Crédito: Youtube/Fashion Television 

 

Vida íntima 

McQueen dizia que se entendeu como gay aos seis anos de idade e se assumiu para os pais aos 18. “Saí muito jovem. Nunca estive [no armário]. Tinha certeza de mim e da minha sexualidade e não tenho nada a esconder. Fui direto do ventre da minha mãe para a parada gay”, contava ele, segundo a Vogue

Em 2000, McQueen teve uma cerimônia de casamento com o documentarista George Forsyth, em um iate em Ibiza. A união, entretanto, não foi oficial, pois o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não era legal na Espanha naquela época. 

Morte 

McQueen ainda apresentaria a nova coleção de sua grife principal no dia 9 de março de 2010, na temporada de desfiles de Paris. Mas, isso não foi possível, com sua morte repentina.

Segundo noticiou a BBC, um inquérito confirmou que o óbito do estilista foi um suicídio. Ele se matou após se enforcar em um armário. Há tempos, o famoso sofria de depressão, ansiedade e insônia.

Tudo se agravou após a morte da mãe do estilista, Joyce, que morreu nove dias antes dele tirar a própria vida. O sepultamento dela ocorreria um dia depois do suicídio de McQueen. 

A morte do gênio da moda aconteceu após ele consumir cocaína, tranquilizantes e pílulas para dormir. O psiquiatra que o tratava, Stephen Pereira, disse que o profissional se "sentiu muito pressionado por seu trabalho". "Ele achou que esta era a única área da vida dele onde sentiu que tinha conseguido alguma coisa", acrescentou. 

Especulações

Segundo o portal Terra, um livro registrou que o estilista já pensava em se matar durante um desfile com um tiro na cabeça. A obra, chamada Alexander McQueen: Blood Beneath The Skin,  diz que ele havia expressado tal vontade ao seu amigo Sebastian Pons. 

O amigo ligou para o escritório de McQueen em Londres, onde lhe disseram para não se preocupar, pois o estilista estava bem. Além disso, ainda segundo o livro, o milionário já havia tentado suicídio duas vezes antes de, infelizmente, dar um fim absoluto na própria vida. 

Outra questão foi que, em 2014, o livro 'Champagne supernovas', de Maureen Callahan, revelou que McQueen havia sido diagnosticado com HIV alguns anos antes. Então, o peso da doença, somado à depressão profunda, teria agravado ainda mais a situação, segundo a Glamour

Logo de Alexander McQueen / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Testamento curioso 

Após o óbito, foi descoberto que Alexander McQueen havia deixado uma herança de 50 mil libras (equivalente a R$ 125 mil). Tal valor iria a ninguém mais do que: seus cachorros.

Em nota, McQueen escreveu: "Cuidem dos meus cachorros. Me desculpem. Eu amo eles". Tudo isso, para ter certeza de que os animais seriam bem cuidados. Porém, a maioria da fortuna — que totalizava 16 milhões de libras — foi para suas organizações beneficentes prediletas. 

Entre as associações, estava a The Terrence Higgins Trust, um lar para cães e gatos abandonados; e o centro budista de Londres. Ainda foi incluída a organização beneficente Sarabande, fundada pelo próprio McQueen, e que oferece bolsas para a escola de design Central St Martins — onde ele próprio estudou. 

Parecia que Alexander McQueen queria deixar vivo seu legado na moda. Segundo a Vogue, "o mundo não seria mais o mesmo" após a revolução das suas famosas bumsters, que antecederam os jeans de cintura descaída. E nada também dos estilistas esquecerem os seus mais icônicos desfiles, como Dante (1996), La Poupée (1997), Golden Shower (1998) ou The Horn of Plenty (2009). 

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