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O último adeus: O insano velório de Rudolph Valentino, ídolo do cinema mudo

O astro de Hollywood teve uma das despedidas mais midiáticas da história do entretenimento

Fabio Previdelli Publicado em 02/04/2020, às 12h30

O ator de cinema mudo Rudolph Valentino
O ator de cinema mudo Rudolph Valentino - Wikimedia Commons

Rodolfo Pietro Filiberto Rafaello di Valentina nasceu no dia 6 de maio de 1895 em Castellaneta, na região da Puglia, Itália. Sua infância conflituosa se refletiu na sua vida escolar: sendo expulso de vários colégios.

Em 1913, migrou para os Estados Unidos. Na terra do Tio Sam ele trabalhou como jardineiro, lavador de pratos, garçom e até mesmo gigolô. Por lá, ele também foi dançarino de vaudeville, mas sua vida mudou quando ingressou no universo cinematográfico de Hollywood.

Nas telonas, deu vida a diversos vilões de aparência latina. Rudolph Valentino começou a chamar a atenção em 1921, quando estrelou um dos filmes mudos de maior bilheteria de todos os tempos: Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. O papel no longa foi conquistado graças ao apoio de June Mathis. Mais tarde, no mesmo ano, ele protagonizou o polêmico filme O Sheik.

Valentino no drama "Monsieur Beaucaire", de 1924 / Crédito: Getty Images

 

O ator italiano era considerado o galã da época. Seu porte alto e atlético, além da sua beleza, o tornava praticamente irresistível ao público. Entretanto, sua fama e sucesso chegaram ao fim em agosto de 1926.

Na ocasião, Valentino foi hospitalizado repentinamente devido a uma úlcera rompida. Uma semana depois ele estava morto. A repercussão da morte do ator foi tremenda e seu funeral foi estranhamente insano.

Primeiro, houve uma horda incontrolável de fãs que praticamente esmagaram a polícia de New York. Estima-se que mais de 100 mil pessoas estiveram presente para darem o último adeus ao artista. Eventualmente, uma revolta eclodiu quando os admiradores lutaram para conseguir um último vislumbre de seu ídolo.

Multidão que acompanha o velório de Rudolph Valentino / Crédito: Wikimedia Commons

 

Enquanto isso, na enfermaria, quatro guardas de honra de camisa preta — supostamente enviados por Benito Mussolini —, estavam ao lado do caixão. Investigações subsequentes revelaram que a funerária havia contratado os guardas como parte de uma ação publicitária. Afinal, que funerária deixaria passar a oportunidade de uma publicidade gratuita?

O drama não terminou aí. Antes de sua morte, Valentino, que se divorciou duas vezes, estava tendo um caso com a atriz polonesa Pola Negri. Tomada pela comoção, ela desmaiou no caixão de seu amado e, quando foi reanimada, proclamou o que o ator havia proposto a ela: então, ela se declarou viúva — desmaiando novamente diante de uma enorme decoração floral que ela enviou para a funerária.

O local de descanso final do galã seria em Hollywood, na Califórnia, onde justamente ele tinha ganho tal status de estrela. Na viagem de trem de cinco dias para o oeste, milhares de pessoas se despediram.

Finalmente em Hollywood, Valentino recebeu uma segunda cerimônia de despedida. Pola Negri compareceu, é claro. Nesta segunda oportunidade, ela também desmaiou diversas vezes — para o deleite dos fotógrafos.

O corpo de Rudolph Valentino sendo velado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um ano depois da morte do ator, uma mulher de preto visitou seu túmulo, colocando rosas em sua lápide. Ela manteve essa prática por vários anos, até que repórteres locais notaram sua presença, o que levou que dezenas de pessoas repetissem o ato.

A identidade da mulher nunca foi revelada, embora muitos especulem que ela poderia ser Ditra Flame, uma moça que recebeu uma visita de Valentino no hospital quando ela tinha apenas 14 anos. Flame disse que visitaria o túmulo do ator todos os anos para prestar seus respeitos.

No fim, apesar de todas as pessoas que quiseram transformar o funeral de Valentino em um grande espetáculo midiático, parece que ao menos uma parecia realmente se importar com o triste fim do grande ator do cinema mudo.


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