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Vampiro de Niterói, o serial killer que aterrorizou o Brasil na década de 90

Durante 8 meses, Marcelo Costa de Andrade assassinou 14 crianças e ficou conhecido pela brutalidade e sadismo contra suas vítimas

Caio Tortamano Publicado em 28/09/2020, às 17h00

Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói
Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói - Divulgação

Marcelo Costa de Andrade é filho de Sônia Xavier Costa, empregada doméstica, e seu pai era balconista de um bar. Sofrendo com a violência todos os dias, assistia sua mãe ser espancada diariamente pelo seu pai. Aos cinco anos, seus pais se separaram e o menino foi obrigado a se mudar para o Ceará e morar com seus avós.

A vida com os seus avós durou até os 10 anos, quando sua mãe o trouxe de volta para o Rio de Janeiro. Passou os próximos anos vivendo entre a casa da mãe e de seu pai, sendo hostilizado em ambas as residências. Depois de um tempo, fugiu de casa e passou a morar na rua, sobrevivendo através da prostituição.

Morou na rua até ser acolhido pela Casa dos Meninos, uma entidade que abrigava garotos de 6 aos 13 anos. Aos 14, já não podendo mais morar na Casa, voltou para as ruas e para a prostituição, da qual ele não gostava, mas era a única forma que havia encontrado para sobreviver. O dinheiro que sobrava Marcelo usava para viajar.

Já mais velho ele conheceu um porteiro de prédio com o qual começou a se relacionar. Morando com o homem, passou a frequentar os cultos de uma igreja evangélica.

O Vampiro de Niterói / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aparentemente, havia encontrado estabilidade em sua vida. Voltou a morar com a mãe, arrumou um emprego fixo, como vendedor de bolsas e, mais tarde, como distribuidor de panfletos. Por menos conturbada que sua vida parecesse estar, foi justamente nesse período em que a sua horrenda trajetória psicopata começou.

O Vampiro

Tudo começou com a investigação da morte duvidosa de um garoto de apenas 6 anos de idade. Ivan havia sido encontrado em 1991 num esgoto, vestindo apenas a bermuda. Investigadores acreditavam se tratar de um afogamento, mas a autopsia indicou que o garoto havia sofrido com uma morte por asfixia e violação sexual.

O irmão do garoto, Altair, foi interrogado pela polícia. Logo foi descoberto que se tratava de um homem que molestou e assassinou o irmão do sobrevivente. A partir da reconstrução do episódio que tirou a vida do garoto, a polícia iniciou uma árdua investigação.

O autor do crime brutal foi Marcelo, que confessou o assassinato de imediato, e afirmou estar surpreso com a lentidão com a qual foi encontrado pelos policiais. Na delegacia, ele confessou outros crimes, descrevendo com frieza e clareza todas as ações terríveis cometidas contra 14 crianças que tinha de 6 a 13 anos. Os assassinatos foram cometidos em um curto período de 8 meses.

Marcelo durante as investigações / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O primeiro crime ocorreu em abril de 1991, quando voltava do trabalho. Ao encontrar com um garoto vendendo doces na avenida, Marcelo abordou a criança oferecendo dinheiro em troca de ajuda em um ritual religioso que nunca aconteceu.

Ao levar o menino para um matagal, o assassino tentou abusar da criança que resistiu, fazendo com que Marcelo o agredisse com uma pedra e depois o asfixiando e o estuprando. Era o começo de uma trajetória de crimes.

Foi sua segunda vítima que imortalizou o período pelo qual seria conhecido. Ao abordar da mesma maneira o garoto Anderson Gomes Goulart, de 11 anos, o Vampiro de Niterói abriu a cabeça do menino com uma pedra, bebendo mais tarde o sangue que escorria e era guardado em uma vasilha.

Marcelo não foi julgado por nenhum dos crimes. Isso porque a justiça considerou que o criminoso havia sido cometido com retardo mental, sendo assim irresponsável pelos seus crimes.

Como consequência, o assassino foi encaminhado para hospitais psiquiátricos que, de 3 em 3 anos realizavam exames psicológicos para saber se ele estaria curado de sua loucura ou não.

Em outubro de 2017 a defesa de Marcelo entrou com um pedido de liberdade para o rapaz. Tanto a promotoria, quanto o próprio laudo médico do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo, local onde estava internado, afirmaram que ele não possui capacidade para se reintegrar com a sociedade sob nenhuma circunstância.


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