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Há 14 anos, era descoberta a tumba de Herodes, o Grande

O sanguinário rei de Israel teve seu local de repouso encontrado e rapidamente associado a uma maldição

Wallacy Ferrari Publicado em 27/04/2020, às 10h56 - Atualizado às 10h56

Escultura de sua cabeça (à esq.) encontrada em Herodium (à dir.) / Créditos: Wikimedia Commons
Escultura de sua cabeça (à esq.) encontrada em Herodium (à dir.) / Créditos: Wikimedia Commons - Wikimedia Commons

Mesmo com a alcunha de "O Grande", engana-se quem acredita que a grandiosidade do rei Herodes foi atribuída a seu controle estratégico e meticulosidade nas decisões; o líder da Judeia durante a subordinação ao Império Romano viveu entre 73 a.C até 4 a.C., mas é descrito pelos registros históricos como um representante obsecado pela morte — principalmente a dos rivais.

O símbolo sanguinário tomou projeção principalmente em decorrencia de seu ódio aos preceitos relacionados a Jesus Cristo; no episódio chamado de "Massacre dos Inocentes", ele chegou a ordenar a morte de todas as crianças com dois ou menos anos de idade, buscando eliminar o representante de Deus na Terra e, dessa maneira, evitando perder o poder, como informou a Gazeta do Povo.

O desejo pela morte também atingia o âmbito sexual, com registros de que Herodes fez sexo com o corpo de Mariana, sua companheira, momentos depois de cometer suicídio pela pressão psicológica do clã do companheiro. Conforme noticiamos anteriormente, o rei chegou a manter o cadáver conservado em uma banheira de mel por sete anos, repetindo o coito no período.

Da mesma maneira, quis que sua passagem para o plano espiritual fosse igualmente notável, fazendo questão de construir sua própria tumba. Com ornamentos luxuosos, ela estaria no centro de uma colina feita artificialmente, tempos antes de qualquer indício de crises de saúde, e apelidada de "Herodium", seu palácio pessoal do descanso eterno.

Retrato de Herodes repousado em seu trono / Créditos: Wikimedia Commons

 

Apreço de Herodium

De acordo com o portal arqueológico da construção, mantido pela Universidade Hebraica de Jerusalém, toda a estrutura foi planejada para o futuro cortejo funebre, contando com um palácio equipado com uma piscina de 2 mil metros quadrados e até um teatro, com capacidade máxima de 450 pessoas.

O apreço pela partida planejou até a morte de outras pessoas; segundo a revista Istoé, Herodes fazia questão de que, voluntariamente ou de maneira forçada, o povo de Israel chorasse em seu funeral. Dessa maneira, ordenou que, imediatamente após a confirmação, os membros de seu governo matassem os lideres judeus — ordem que não foi cumprida.

Mesmo assim, as condições tenebrosas que rodearam o interesse do líder pela morte resultaram em uma maldição que perduraria até o ano de 1973, quando o professor Ehud Netzer se instalou na região bíblica para tentar localizar o tal espaço fúnebre. A busca perdurou em um acampamento de 38 anos, mas obteve resultados impressionantes.

Tudo ligado a morte

Em 2007, Ehud encontrou o túmulo com todos os exames de datação, características do período e artefatos relacionados ao rei, sendo o maior achado arqueológico de Herodes. Apesar de ter sido parcialmente contestado pela comunidade arqueológica da época por não encontrar nenhum tipo de inscrição mortuária indicando o nome do rei, o pesquisador preferiu se manter nas instalações para realizar mais estudos.

Assim como ocorreu com Howard Carter — arqueólogo que descobriu o túmulo de Tutancâmon, porém faleceu devido a uma intoxicação com gases liberados pelo sarcófago — Ehud prosseguiu com a escavação nas ruínas, enfrentando perigos com uma idade já avançada.

Ehud Netzer junto com vestígios da tumba encontrada / Créditos: Divulgação

 

Três anos depois, em outubro de 2010, Netzer estava com 73 anos e continuava a auxiliar na análise presencial da equipe arqueológica, quando apoiou-se em um corrimão de madeira de mais de 2 mil anos. O rompimento da barra fez o pesquisador cair de uma altura de seis metros. Na queda, Ehud não resistiu aos ferimentos na coluna e faleceu, como informou o jornal Estadão.

Diversas autoridades da comunidade científica e autoridades de Israel prestaram condolências em seu falecimento, associando suas contribuições acadêmicas como as mais importantes na história recente do país. O pedido de Herodes, no entanto, foi finalmente cumprido: sua morte foi chorada por pessoas de todo o país, por bem e por mal.


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