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Onde viveu o maior crocodilo do mundo?

O Purussaurus brasiliense foi um gigante predador que consumia em média 40 quilos diários de carne há 8 milhões de anos

Isabela Barreiros Publicado em 20/11/2021, às 08h00

Reprodução do Purussaurus brasiliense, maior crocodilo do mundo
Reprodução do Purussaurus brasiliense, maior crocodilo do mundo - Valter Calheiros/Museu da Amazônia (Musa)

O maior crocodilo que viveu no planeta em qualquer tempo foi o Purussaurus brasiliense, que os cientistas acreditam ser um parente distante do jacaré-açu, uma espécie de jacaré exclusiva da parte sul das Américas.

O predador gigante poderia chegar a mais de 12 metros de comprimento e andou pela Amazônia ocidental há milhões de anos, durante o período Mioceno, quando ocupava o topo da cadeia alimentar da região.

Com o surgimento da Cordilheira dos Andes, no entanto, a espécie do “superjacaré” acabou sofrendo com suas consequências climáticas e indo à extinção. Os efeitos dessa mudança foram drásticos especialmente na Amazônia.

Enquanto prevaleceu no ambiente em que viveu, o crocodilo tinha a necessidade de consumir em média 40 quilos diários de carne, além de ter uma mordida duas vezes mais forte que a do lendário Tiranossauro Rex.

Para que todas essas informações sobre o animal pré-histórico fossem coletadas, cientistas tiveram que realizar investigações em partes de fósseis descobertas ao longo dos anos — e até mesmo séculos.

Como relata o portal g1, o primeiro fóssil do Purussaurus brasiliense foi identificado há mais de um século, quando, em 1892, partes do esqueleto foram encontradas às margens do Rio Purus, o que fez com que ele ficasse conhecido como “lagarto do Rio Purus”.

Na época, o responsável por analisar o material foi o botânico João Barbosa Rodrigues, que atuava no Museu de Botânica da Amazônia no período em que o Brasil ainda era um império. Ele foi o primeiro a identificar a espécie do animal.

Muito tempo se passou desde que o pioneiro classificou o crocodilo pela primeira vez e pesquisadores continuam fazendo descobertas importantes sobre o predador que habitou a região amazônica há milhões de anos.

Crânio do "superjacaré" de 8 milhões de anos / Crédito: Valter Calheiros/Museu da Amazônia (Musa)

 

Recentemente, em agosto deste ano, cientistas publicaram um novo artigo que fez um cruzamento de informações sobre o “superjacaré”, comparando fósseis do animal que haviam sido descobertos em momentos diferentes na região.

Entre eles estava o fóssil encontrado em 1892 e outro esqueleto — talvez o mais importante. Os pesquisadores analisaram os restos mortais mais completos já encontrados do crocodilo, que está atualmente no laboratório de paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac).

“A gente analisou peças encontradas e comparamos com o material mais completo de Purussaurus brasiliensis conhecido, que é o crânio de mandíbula que estão depositados na Universidade Federal do Acre, onde temos uma mandíbula completa”, explicou uma das autoras do artigo, a paleontóloga Lucy Gomes de Souza, do Museu da Amazônia (Musa).

“Então, com os estudos dessa mandíbula, a gente conseguiu levantar novas características que são exclusivas da espécie e demonstrar que ela é diferente das duas espécies de Purussaurus que já existem, resgatando a parte histórica desses materiais”, completou.

Com a pesquisa, os especialistas puderam reforçar algumas características já conhecidas do animal, como o seu tamanho e mordida, por exemplo. Foi corroborado que a espécie Purussaurus brasiliense foi o maior crocodilo a habitar o planeta em qualquer tempo.

“A primeira vez que ele foi descrito em 1892 pelo seu criador original, o Barbosa Rodrigues, tinha poucas peças, eram placas isoladas, um pedaço de mandíbula que deu apenas para definir essa nova espécie, que chamou de Purussaurus, que significa lagarto do Rio Purus brasileiro”, apontou o paleontólogo Jonas Filho, co-autor da pesquisa.

“Mas ele apenas mencionou que era um jacaré grande, foi o que ele concluiu naquela época. Depois novos achados foram feitos e a partir daí surgiu uma avaliação muito mais abrangente do Purussaurus. Então, esse trabalho novo junta a análise desses materiais e permite a gente conhecer um pouco mais da espécie", concluiu.

O artigo foi publicado pela Academia Brasileira de Ciências e pode ser lido aqui


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