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Oposição ao comunismo e caçados por Vargas: A Ação Integralista Brasileira

Influenciados pelo fascismo italiano, a AIB foi o primeiro partido de massa do país. Incialmente, os integralistas apoiaram o governo de Getúlio Vargas, mas a relação não foi tão recíproca assim

Fabio Previdelli Publicado em 22/11/2020, às 06h00

Grupo de integralistas fazendo a saudação Anauê
Grupo de integralistas fazendo a saudação Anauê - Wikimedia Commons

Inspirado no fascismo italiano e no integralismo de Portugal, a Ação Integralista Brasileira (AIB) foi uma organização política criada em 1932 pelo escritor e teólogo Plínio Salgado. O AIB foi o primeiro partido de massas do país.  

Em sua essência, os integralistas eram caracterizados por sua defesa à moral religiosa, pelo nacionalismo e, principalmente, pela defesa da hierarquização social, tida como a melhor forma de manter a ordem e a paz na sociedade.  

Sessão de encerramento do Congresso Integralista. Plínio Salgado encontra-se ao centro, sentado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Popularmente, os integralistas ficaram conhecidos como os camisas-verdes, em referência direta à cor do uniforme que usavam. Em contrapartida, os seus opositores o chamavam pela alcunha pejorativa de galinhas-verde. 

Características do integralismo no Brasil 

A importação da ideologia em ascensão na Europa teve uma enorme reverberação entre as classes médias urbanas e entre os intelectuais brasileiros. Por aqui, o movimento não só batia de frente com as instituições liberais, como também combatia a crescente do movimento comunista.  

No Brasil, o integralismo foi um dos maiores e mais importantes movimentos de expressão política. Muito disso, inclusive, se deu por sua aceitação tanto no campo como na cidade. Além do mais, como a participação política era muito restrita, eles se tornaram um viés considerável devido o acolhimento por parte dos militares. 

Integralistas da cidade de Viçosa do Ceará na década de 1930 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A AIB contrastava com o perfil político dos partidos da época, que eram mais regionais e distantes de grande parte da população. Os integralistas, por sua vez, alcançavam mais adeptos e eram vistos como um movimento bem mais próximo de todos.  

Essa ideia de integração, inclusive, poderia ser vista não só na ideologia do movimento, como também de uma maneira mais simbolista e visual. A bandeira do grupo, por exemplo, tinha estampado a letra grega Sigma, que é uma representação matemática para a soma de todas as partes. Já o cumprimento entre eles era feito pela saudação “Anauê”, que em tupi guarani significava algo como “Você é meu irmão”. 

O integralismo na Era Vargas 

O integralismo veio ao Brasil paralelamente ao período em que Getúlio Vargas chegou ao governo federal. Assim, incialmente, eles apoiaram o governo Vargas, com o qual tinham ideias compartilhados. Apesar dessa aproximação ideológica, nem sempre Getúlio e a AIB falavam a mesma língua.  

Em outubro de 1932, precedidos pela criação da Sociedade de Estudos Políticos, que reunia intelectuais conservadores, a AIB cria seu próprio partido. Desde então, além de Plínio Salgado, os principais líderes dos integralistas foram Gustavo Barros e Miguel Reale, ambos juristas.  

Vargas em imagem colorizada /Crédito: Divulgação

 

Cinco anos depois, em 1937, a AIB lança Salgado como seu candidato à sucessão de Vargas. Porém, com a descoberta do Plano Cohen, Getúlio acaba se fortalecendo e, com a ameaça revolucionária comunista se tornando cada vez mais eminente, dá um golpe de Estado em novembro daquele ano.  

O golpe, inclusive, teve apoio da AIB, que esperava que Vargas nomeasse Plínio como ministro da Educação. Entretanto, ele não só não fez isso como também determinou o fechamento de todos os partidos políticos, o que incluía a AIB. 

Com a medida, em 11 de maio de 1938, o Palácio de Guanabara, residência oficial do presidente, quase foi invadido por um grupo de 80 integralistas, no episódio que ficou conhecido como Levante Integralista.  

O grupo queria depor Vargas e reabrir o partido, porém, como resposta, o governo passou a persegui-los. Presos e mortos, diversos integralistas foram caçados. Plínio Salgado, por exemplo além de disputar a presidência e tampouco virar ministro, foi exilado em Portugal, de onde só retornou após o fim do Estado Novo, em 1946. 


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