Matérias » Brasil Império

Órfão, abandonado e pressionado: a frenética infância de Dom Pedro II

Com o objetivo de impedir que o futuro monarca seguisse os passos do pai, diversos tutores fizeram de Pedro um erudito nas mais diversas áreas e línguas

André Nogueira Publicado em 25/04/2020, às 09h00

Pedro II aos 15 anos em pintura oficial
Pedro II aos 15 anos em pintura oficial - Wikimedia Commons

Dom Pedro II foi a criança que passou por uma infância ambígua: rica e perturbadora. O jovem, que perdeu a mãe, Maria Leopoldina, com um ano de idade, cresceu rodeado por criados num grande palácio, mas distante do pai, que revezava entre comemorações e o governo. Todavia, as coisas ficariam ainda piores em 1831, quando, por diversas pressões, D. Pedro I abdicou o trono e fugiu para Portugal.

Abandonado pelo pai, o garoto passou a ser criado pelos tutores, diante de uma situação bagunçada: sendo herdeiro do trono, era constitucionalmente muito jovem para governar. Tendo apenas seis anos, sem saber como foi parar lá, a infância do futuro Magnânimo foi marcada pela solidão, apesar da centralidade na corte.

Além disso, seus dias também eram marcados pela imensa pressão diária. Ele deveria ser instruído para liderar um gigante império. Mais do que isso: precisaria transpassar as dificuldades do pai, sendo conciliador, bom administrador e articulador político, diante das contradições do império brasileiro, marcado pela escravidão e o isolamento.

Dom Pedro II criança / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como consequência, José Bonifácio tornou-se o tutor do jovem. Seria sua responsabilidade o treinamento político, diplomático e cultural do futuro imperador. Ao mesmo tempo, a Assembleia Geral exigia constantes relatórios do desenvolvimento do herdeiro. O tutor começou bem sua educação, mas logo foi destituído pelo Parlamento diante da situação caótica do país.

Então, Manuel Inácio de Andrade, o Barão de Itanhaém, tornou-se o novo responsável por Dom Pedro II. Ele foi um dos principais instrutores do jovem, e chegou a indicar o Marquês de Sapucaí como um de seus instrutores na criação de um vasto léxico ao monarca. Desde criança, foi levado a acordar diariamente às 6h30, para iniciar seus estudos às 7, com poucos intervalos. A jornada durava até às 22h, quando jantava e ia para a cama.

D. Pedro ainda teve a ajuda de personagens notáveis durante sua criação, como D. Mariana Carlota de Verna, principal aia e professora, que ensinou ao lado do padre Antônio de Arrábida, antigo tutor de Pedro I, e do frei Pedro Mariana, que o lecionou línguas, matemática e religião.

Seu último responsável foi um homem de nome Rafael, no entanto, pouco se sabe sobre sua vida. No entanto, afirma-se que se trata de um homem negro e veterano da Guerra da Cisplatina

Dom Pedro ainda jovem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aprendendo desde cedo, Pedro desenvolveu grande inteligência e foi versado nas mais diversas áreas. Forçou-se a desenvolver uma personalidade distante do boêmio pai, o fazendo ser empático e disciplinado, além de alfabetizado em latim, francês, inglês, italiano, espanhol, grego, árabe, hebraico, occitano e tupi. Ainda entendia de engenharia, astronomia, matemática, esgrima, biologia e diversas outras áreas.

Pedro cresceu em cenário catastrófico: o Brasil não tinha um imperador, sendo regido por juntas e depois por regentes únicos que disputavam o poder entre conservadores e federalistas.

Era exigido que se assumisse logo o imperador legitimado pelo poder dinástico. Como consequência, a articulação tomou conta, buscando a retomada do unitarismo nacional contra uma possível fragmentação ameaçada pela série de revoltas que ocorriam no país.

Coroação de Dom Pedro, aos 15 anos / Crédito: Wikimdia Commons

 

Ou seja, era impossível que a corte e Pedro não fosse pressionada a agir. Além disso, o herdeiro foi iniciado nos círculos políticos e nos debates entre alas logo cedo, enquanto muitos políticos tentavam articular uma redução da maioridade necessária para a ascensão do monarca ao trono.

Ele foi levado a negociar com o parlamento, que desenvolveu um programa que levou ao Golpe da Maioridade em 1840, quando o Bragança tinha apenas 15 anos.


+Saiba mais sobre Dom Pedro II através das obras disponíveis na Amazon

D. Pedro II, de José Murilo de Carvalho - https://amzn.to/2pP3Ym4

As viagens de D. Pedro II: Oriente médio e áfrica do norte, 1871 e 1876, de Roberto Khatlab - https://amzn.to/33sspUS

Dom Pedro II na Alemanha: Uma amizade tradicional, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança (2014) - https://amzn.to/34yeNYV

As Barbas do Imperador, de Liliam Schwarcz - https://amzn.to/2NpJAB3

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du