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Os crimes realizados no Edifício Martinelli

Situado no centro da cidade de São Paulo, prédio já foi point da elite paulistana e cortiço para moradores de rua

Joseane Pereira Publicado em 17/01/2020, às 08h00

Edifício Martinelli ao fundo, junto ao Clube Comercial e um dos Palacetes Prates, 1931
Edifício Martinelli ao fundo, junto ao Clube Comercial e um dos Palacetes Prates, 1931 - Wikimedia Commons

Subindo no gigantesco Edifício Martinelli, localizado no coração da cidade de São Paulo, é possível avistar locais como a Catedral da Sé e o Vale do Anhangabaú. Projetado pelo italiano Giuseppe Martinelli e inaugurado em 1929, esse prédio entrou em fase de degradação a partir da década de 50 — se tornando palco para crimes famosos. Confira abaixo alguns deles.

Neide, esganada antes de cair

O Martinelli, ponto de encontro da Elite paulistana que acabou se tornando um cortiço para moradores de rua, foi cenário de crimes, prostituição, tráfico de drogas e suicídios. Entre as vítimas que encontraram seu fim está Neide, trabalhadora de uma boate local, cuja morte foi extensamente descrita no jornal Notícias Populares.

Encontrada morta em 30 de junho de 1965, ela teria sido jogada do 27º andar. Os operários que encontraram seu corpo teriam relatado que ela estava “em estado deplorável, com o rosto deformado, numerosas fraturas expostas e o antebraço direito desligado do tronco”.

Publicação da morte de Neide, julho de 1965 / Crédito: Notícias Populares

 

Análises em seu corpo revelaram que Neide havia sido esganada antes de cair e, segundo sua irmã Neuza, a moça tinha uma dívida de 100 mil cruzeiros no carteado. Não se sabe por que ela foi parar no Edifício, que não era sua residência, e o cruel assassino nunca foi encontrado.

O alfaiate Davilson

Antes de Neide, outra vítima já havia sido morta por lá. Em 9 de março de 1947, o corpo de Davilson Gelisek, de 14 anos, foi encontrado cheio de ferimentos e com as calças abaixadas até o joelho. Quatro dias antes, o garoto — que trabalhava como alfaiate na rua Senador Feijó — havia saído para trabalhar e nunca mais voltou.

Segundo a autópsia, a morte tinha sido causada pela queda de um andar alto. Para o delegado que cuidou do caso, ele tinha caído por acidente, mas a população em geral preferiu divulgar que Davilson foi morto enquanto participava de uma orgia em um dos apartamentos do edifício.

A jovem Rosa

Tempos depois, em 9 de agosto de 1972, outro assassinato ocorrido no Martinelli seria deixado de lado por falta de provas. Era a morte de Rosa, garota de 17 anos que foi encontrada no térreo do prédio. Um de seus sapatos fora deixado no 17º andar e, segundo testemunhas, ela teria ido de um baile ao Martinelli junto com um homem desconhecido.

Pouco tempo após a morte de Rosa, o banqueiro Olavo Setúbal decidiu restaurar o edifício, desalojando os moradores e comprando apartamentos privados. Reinaugurado em 1979, o local recebe visitantes diariamente, que escutam atentos às macabras histórias de assassinato ocorridas no passado.


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