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Origem humilde e abandono paterno: a vida íntima de Coco Chanel, uma das maiores estilistas do mundo

Antes de tornar-se um ícone da moda, Chanel teve uma infância sofrida e escondeu, por muitos anos, sua verdadeira história

Penélope Coelho Publicado em 01/06/2020, às 19h00

Chanel em 1920
Chanel em 1920 - Wikimedia Commons

A famosa frase: “A força se consegue com fracassos e não com os sucessos”, foi dita por Gabrielle Bonheur Chanel e representa com propriedade sua história. Antes de virar uma das maiores referências de moda e luxo, ainda garota, Chanel teve que aprender a vencer em meio às dificuldades.

Conhecida por seu apelido, Coco nasceu em 19 de agosto de 1883, na França. Filha de uma lavadeira chamada Eugénie Jeanne Devolle, a menina enfrentou desde a infância um lar problemático.

Seu pai, Albert Chanel, era conhecido por ser um vendedor ambulante que comercializava diferentes peças de roupa. O casamento entre Eugénie e Albert não era algo que o homem queria, mas, ele sentiu-se obrigado para oficializar a união, por pressão da família de Devolle.

Por trabalhar como comerciante, o homem raramente estava em casa. Por isso, quando Coco nasceu, seu sobrenome foi registrado de maneira errada. Pela ausência do pai e da mãe no cartório, o nome da menina foi registrado como Chasnel, erro que ela só conseguiu reverter anos depois.

Apesar de manterem um relacionamento distante, o casal teve mais cinco filhos além de Gabrielle. Tudo corria bem na vida típica francesa que a família humilde levava, até que uma doença atingiu Eugénie, algo que mudou o rumo da história de Chanel para sempre.

Coco no ano de 1928 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Rejeitada

Aos 12 anos, a menina sofreu uma grande perda em sua vida, após sofrer por bronquite, sua mãe Eugénie faleceu, aos 31 anos, deixando sua família cedo demais. Na época, as crianças não frequentavam a escola e o pai de Chanel decidiu tomar uma decisão sobre o que fazer com os filhos.

Após a morte de Devolle, os filhos meninos foram mandados para trabalhar como agricultores na roça, enquanto as meninas foram enviadas para um orfanato chamado Colégio Nossa Senhora da Misericórdia.

O local, comandado por freiras do convento de Aubazine, tinha como lema abrigar pobres e rejeitados, incluindo crianças abandonadas e órfãs. Nesse local, Chanel viveu toda a sua pré-adolescência sob um regime rigoroso que exigia dela uma disciplina contínua, dia após dia. Porém, esse foi um marco importante para Coco, pois foi no orfanato que a futura estilista aprendeu a costurar.

Consequências

Já aos 18 anos, após viver muito tempo no convento, Chanel decidiu que era hora de criar independência. Embora ainda tivesse o direito de permanecer no orfanato, a garota achou que seria melhor se mudar para uma pensão feita para meninas católicas, na cidade de Moulins, comuna francesa.

Como consequência do abandono sofrido em sua infância, a modista tinha vergonha de seu passado, e por isso, começou a inventar sua história de vida, já que a original não a agradava. Uma das muitas histórias inventadas por ela, era a de que seu pai havia viajado para as Américas, em busca de dinheiro, após a morte de sua mãe e por isso, ficou sob os cuidados de suas tias do coração, no convento.

Além disso, Chanel chegou a dizer que sua mãe tinha morrido quando Coco era apenas uma criança, aos dois e não aos 12 anos, como realmente aconteceu. Gabrielle também inventou que teria nascido em 1893 e não e 1883. Tudo isso por vergonha de sua real condição.

Chanel falava sobre o assunto, ao mesmo tempo em que estava na tentativa de fazer sua marca acontecer, em Paris. Porém, anos depois, quando já era um ícone da moda, a verdadeira história da estilista foi revelada.

Com o passar dos anos, a menina foi virando mulher e sua trajetória com a agulha e linha tornou-se seu maior talento. Ao modo em que Chanel se aperfeiçoava como costureira, tudo estava finalmente se encaixando em sua vida. 

Chanel em 1970 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A estilista começou na moda com uma loja de chapéus em Paris e construiu um verdadeiro império. Até hoje, a fundadora de sua marca homônima, é conhecida por ter popularizado o estilo casual, as calças femininas e o famoso pretinho básico, elevando o padrão da moda no século 20. Libertando as mulheres de estigmas impostos pela sociedade. Sua marca é uma das maiores do mundo no mercado de luxo e expandiu-se para além das vestimentas, produzindo joias, bolsas, perfumes e maquiagem.

Chanel faleceu aos 87 anos, em 10 de janeiro de 1971. Mesmo 49 anos após sua morte — e apesar de sua triste infância, a estilista continua sendo um dos maiores ícones mundiais, por ter mudado não somente sua história, mas, a de muitas outras mulheres no mundo, através da moda.


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