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Conheça os 8 naufrágios mais ricos da História

Fortunas imensas ainda jazem no fundo dos mares

Texto Maria Carolina Cristianini / Ilustrações Antônio Andrade Publicado em 08/05/2019, às 18h00

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Uluburun (1.300 a.C)

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As chuvas e os ventos fortes do inverno fizeram o Uluburun naufragar, por volta de 1.300 a.C. Ele foi achado em 1983, quando um pescador de esponjas notou algo estranho no fundo de um precipício marinho. Com suas 24 âncoras de pedra, o barco foi batizado com o nome da região em que foi encontrado, perto da cidade turca de Kas.

No barco foram achadas 10 toneladas de cobre e estanho, provenientes do Chipre – provavelmente uma das escalas da viagem.

Também foram resgatados objetos de vidro característicos da Síria e da Palestina. Entre os artigos de luxo encontrados havia um escaravelho dourado com o nome da egípcia Nefertiti, que reinou no Egito na segunda metade do século 14 a.C.


Melkarth (5 a.C.)

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Batizado em homenagem ao deus fenício protetor dos navegadores, o Melkarth foi a pique em meados do século 5 a.C., provavelmente numa tempestade que o jogou contra os rochedos no Mediterrâneo. 

A embarcação foi descoberta em 1998, pela equipe da Odyssey Marine Exploration, empresa americana especializada na busca de embarcações naufragadas. Ele estava rodeado por cerca de 200 ânforas.

De acordo com o mergulhador americano Greg Stemm, diretor de operações da Odyssey, esses jarros de cerâmica, usados para transportar produtos como mel e vinho, eram típicos da antiga colônia fenícia de Cartago, no norte da África.


Ria de Aveiro A (entre 1424 e 1469) 

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O trunfo dos lusitanos eram as ágeis caravelas, das quais o Ria de Aveiro A foi uma versão pioneira, construída em carvalho. De acordo com a análise dos destroços, a caravela afundou entre 1424 e 1469, vítima de um incêndio.

A tripulação, que não devia passar de cinco homens, não deve ter tido chances de sobrevivência: apenas um em cada dez marinheiros portugueses da época sabia nadar.

O barco ganhou esse nome porque foi achado na Ria de Aveiro, uma laguna próxima à cidade de Aveiro – a façanha coube a um pescador, em 1992. A cerâmica presente na embarcação virou referência para os estudiosos, já que em sítios arqueológicos terrestres, que ficam expostos, é quase impossível encontrar muitas peças de uma mesma época juntas e inteiras.


Galera Girona (1588)

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O navio não resistiu aos ventos fortes de uma tempestade e teve o leme quebrado em junho de 1588. Para fazer os reparos, a tripulação seguiu rumo à Escócia. No caminho, socorreu os marinheiros de outros dois barcos da frota, o que resultou numa superpopulação a bordo, beirando 1.300 pessoas.

Em outubro, uma nova tempestade jogou a galera contra um rochedo. O Girona partiu-se ao meio. Acredita-se que menos de dez tripulantes tenham sobrevivido.

Em 1965, o mergulhador belga Robert Sténuit começou a procurar o Girona. Encontrou a embarcação na baía de Port Na Spaniagh, na região de Antrim, em 1967. Entre os mais de 12 mil objetos recuperados, estavam dois canhões de bronze e uma pequena fortuna em joias e pedras preciosas.


Nossa Senhora de Atocha (1622)

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Em 4 de setembro de 1622, junto a outros 27 barcos, o Nossa Senhora de Atocha zarpou de Havana com a missão de proteger a retaguarda do Império Espanhol.

Após a partida, o clima começou a piorar. O mar ficou revolto e, no dia seguinte, o Atocha e outras quatro embarcações entraram numa grande tempestade. Era um furacão. Com as velas danificadas e os mastros partidos, o galeão já não podia manobrar. Em 6 de setembro, foi lançado contra recifes e afundou rapidamente. Das 265 pessoas a bordo, apenas cinco se salvaram.

A carga submersa ficou conhecida como o Tesouro das Américas: incluía 24 toneladas de prata e 125 barras de ouro. Os esforços para encontrar o Atocha só cessaram em 1985, quando a equipe da Treasure Salvours, empresa americana especializada em buscas submarinas, o localizou no sul da Flórida, recuperando parte do tesouro.


Earl of Abergavenny (1805)

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O navio era um dos maiores da Companhia Inglesa das Índias Orientais. A embarcação tinha zarpado de Portsmouth, na Inglaterra, em 1º de fevereiro de 1805, rumo à China. Levava uma fortuna em moedas de prata e mercadorias.

Após quatro dias de mau tempo, ventos danificaram os mastros e o comandante decidiu voltar. Na noite do dia 5 de fevereiro, a embarcação chocou-se contra rochedos no cabo de Portland, ao sul da Inglaterra. Os porões se encheram de água e, às 23h, o navio afundou. Das 402 pessoas a bordo, pelo menos 260 morreram.

No final de 1805, após tentativas fracassadas de resgatar as mercadorias, entrou em cena o inglês John Braithwaite. Para descer até o Earl of Abergavenny, ele usou um sino de mergulho – uma espécie de escafandro primitivo, com uma mangueira de ar ligada a superfície. Com a engenhoca, ele recuperou boa parte da carga.


Titanic

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Na luta pela liderança no transporte de passageiros no Atlântico Norte, a empresa inglesa White Star Line construiu três navios: o Olympic, o Titanic e o Britannic. O segundo ficaria muito famoso, mas não pelos motivos desejados.

Com 46 mil toneladas, o Titanic era considerado insubmergível. Ele partiu para sua viagem inaugural em 10 de abril de 1912, de Southampton, na Inglaterra, rumo a Nova York.  No dia 14 de abril, às 23h40, o sino dos vigias tocou três vezes, indicando algo estranho no caminho. Era um enorme iceberg.

A ordem foi dar marcha à ré a toda potência. De nada adiantou. A massa de gelo bateu contra o casco, fazendo cortes e buracos em seis compartimentos da proa, logo invadidos pela água.

Às 2h20 do dia 15, o Titanic submergiu, matando 1.522 das 2.227 pessoas a bordo. Em 1985, o explorador americano Robert Ballard conseguiu localizar os destroços da tragédia. Uma sonda fotografou partes do Titanic, como caldeiras e chapas de aço. As imagens confirmaram que, conforme relatos da época, o navio se partiu em dois antes de afundar.


Lusitânia

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O luxuoso transatlântico de 1906 fazia uma vez por mês o trajeto entre Liverpool, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos. Ele conseguiu sobreviver aos icebergs do Atlântico Norte, mas não escapou de um destino trágico.

No dia 1º de maio do ano seguinte, 1962 pessoas embarcaram no Lusitânia e saíram dos Estados Unidos rumo à Inglaterra. Nos seis primeiros dias da viagem, 23 navios mercantes foram atacados no Atlântico Norte. O Lusitânia quase escapou, mas, perto da Irlanda, foi atingido por um torpedo alemão. Em 18 minutos, foi a pique.

Foram resgatados 764 sobreviventes. Entre os mortos, estavam 128 cidadãos americanos. O naufrágio acabou sendo um dos argumentos para que, em 1917, os Estados Unidos decidissem entrar na Primeira Guerra. O primeiro a explorar os destroços foi o mergulhador americano John Light, em 1960.