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Debaixo do tapete de Hollywood: Os abortos forçados de Judy Garland

Não bastasse os abusos sofridos durante os sets de gravação, a atriz também foi obrigada a passar pelo procedimento pela primeira vez aos 19 anos

Isabela Barreiros Publicado em 14/11/2020, às 08h00

A atriz Judy Garland
A atriz Judy Garland - Wikimedia Commons

Para não perder contratos, participações em produções importantes e até mesmo para não “sujar” suas imagens, muitas atrizes de peso já foram obrigadas a realizar abortos em Hollywood. Essa era apenas uma entre as diversas diretrizes controversas — e antiéticas — da maior indústria de cinema do mundo.

Entrando para esse universo muito jovem,Judy Garland sofreu com a maioria dos problemas que eram escondidos debaixo dos tapetes de grandes produtores. Quando conseguiu o maior papel de O Mágico de Oz (1939), passou por situações degradantes durante todo o seu período em set e em sua vida pessoal.

A atriz era proibida de comer, obrigada a usar drogas estimulantes e forçada a manter uma aparência infantil, além de sofrer abusos psicológicos constantes do diretor. Mas isso era apenas o começo de sua carreira, que terminaria não muito diferente dos bastidores do icônico filme.

Judy Garland no filme O Mágico de Oz (1939) / Crédito: Divulgação - MGM

 

Poucos anos depois de protagonizar o filme que marcou sua vida, Judy foi obrigada a passar pelo procedimento do aborto aos seus 19 anos de idade, quando engravidou de seu primeiro marido, o compositor David Rose. O relacionamento em si já era problemático: ela se uniu a ele na tentativa de fugir de sua mãe abusiva, que também era sua agente.

A jovem foi forçada a abortar tanto pela mãe, que chamava de "a verdadeira Bruxa Malvada do Oeste", quanto pela Metro-Goldwyn-Mayer, que apostou na menina e estabeleceu um contrato com ela. A justificativa não era desconhecida pelos artistas de Hollywood. Na verdade, era a mais comum possível naquele meio.

Ambos argumentavam que uma gravidez tão precoce poderia acabar arruinando a carreira da jovem atriz, que tinha muito potencial na indústria do cinema. Ela não tinha como dizer não, afinal, a atriz deveria seguir a opinião de seus agentes e produtores. Se não quisesse realizar o procedimento, talvez não pudesse seguir na empresa.

Além disso, a jovem era vista como um símbolo de pureza de Hollywood. Durante muito tempo, ela recebeu papeis que não refletiam sua verdadeira idade, o que fez com que ela tivesse que perpetuar uma aparência infantil mesmo quando não era mais criança. Uma gravidez acabaria com a representação imposta a ela.

Judy Garland / Crédito: Divulgação

 

Aborto realizado e os dois se separaram apenas oito meses depois de terem se casado em primeiro lugar. No entanto, os relacionamentos seguintes de Judy continuaram em uma maré de notícias ruins e aquela não foi a única vez que a artista realizou o procedimento. 

Casando-se com cineasta Vincente Minnelli, ela descobriu que ele a traía com homens. Depois dele, veio Sid Luft, um alcoólatra, que gastou a maior parte da fortuna com apostas. O quarto marido da artista, Mark Herron, a traiu com o marido de sua filha. Depois dele, ela se casou por uma última vez, três meses antes de morrer, com o músico e empresário Mickey Deans.

No meio disso tudo, ela ainda passou por outro aborto, que foi mais consequência da reação do pai do que sua própria vontade de não ter um filho. Quando Sid Luft ainda era seu amante, em 1951, Judy engravidou. Eles viriam a se casar depois de toda a polêmica, com o produtor se tornando o terceiro marido na vida da atriz.

Os dois estavam trabalhando juntos em um show no Palace Theatre de Nova York, quando começaram a ter um caso. Como consequência, veio a gravidez. Na autobiografia póstuma Judy and I: My Life with Judy Garland (2017), Luft detalha o episódio.

“Eu me peguei dizendo: 'É claro que quero seu filho, mas temos um show a fazer'”, escreveu. “Por causa da minha reação negativa, Judy não me confidenciou onde e quando ela faria o aborto. Eu não estava atento. Eu não mandei flores. [...] Fui tão injustificável quanto insensível”, lembrou.

O vício em drogas e álcool, relacionamentos conturbados, abortos forçados, depressão e um abuso constante em Hollywood, tudo isso degradou cada vez mais a saúde física e mental da atriz. Sua vida não foi longa: depois de tudo isso, ela morreu sem uma fortuna com apenas 47 anos, no dia 22 de junho de 1969, devido a uma overdose.


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