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Os agoniantes momentos finais de Saddam Hussein antes da forca

"Era um criminoso? Era. Um assassino? Certo. Um carniceiro? Certo. Mas foi forte até o fim. Não ouvi um pingo de arrependimento de sua parte, não o ouvi implorar misericórdia a Deus, ou pedir perdão”, afirmou testemunha do enforcamento

Isabela Barreiros Publicado em 30/01/2020, às 17h05

Saddam Hussein quando foi encontrado em 2003
Saddam Hussein quando foi encontrado em 2003 - Getty Images

Em 2003, o governo de Saddam Hussein, no Iraque, foi derrubado após uma invasão estrangeira ilegal comandada pelos EUA, que, descumprindo decisões da ONU, tomou Bagdá sob a alegação de que o país estava gerando armas nucleares. Desaparecido durante três anos, o ditador foi encontrado maltrapilho, num buraco no chão.

Três anos depois, ele foi, então, condenado à morte. O tempo entre a condenação e o enforcamento pôde ser observado por testemunhas, que presenciaram os últimos momentos do ditador que comandou o Iraque por décadas. Uma delas foi o ex-conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Mowaffak al-Rubaie.

De acordo com Rubaie, Hussein não demonstrou qualquer sinal de medo durante sua execução, que infringiu leis internacionais de soberania do Iraque. Antes de morrer, o tirano recitou uma oração a Allah, até que foi aberto o cadafalso.

"Tinha um aspecto normal e estava relaxado, não vi nenhum sinal de medo. Claro que alguns gostariam que eu dissesse que desmaiou ou que estava drogado, mas esta é a verdade histórica", afirmou o político à agência de notícias AFP.

Crédito: Getty Images

 

Saddam foi enforcado num galpão fechado, gritando ofensas aos EUA, a Israel e ao Irã, enquanto seus antigos guardas debochavam de sua situação. Ele se recusou a ser encapuzado.

"Estava algemado e segurava um Alcorão. Eu o levei à sala do juiz, que leu a lista dos crimes pelos quais era acusado enquanto Saddam repetia 'Morte aos Estados Unidos! Morte a Israel! Morte ao mago persa!’", narrou.

Morto no dia 30 de dezembro de 2006, considerado Dia do Sacrifício nas festividades do Islã do Aid al Adha. Enquanto ele morria, testemunhas gritavam "Viva o ímã Baqr al Sadr!" e "Moqtada! Moqtada!", em referência a um opositor morto pelo regime ba’atista.

Rubaie afirmou ainda que o tirano “cometeu uma infinidade de crimes e merecia ser enforcado mil vezes, ressuscitar e ser enforcado novamente”. Ainda assim, sentiu uma sensação estranha ao observar o enforcamento de Hussein. “A sala estava repleta de morte”, lembra.

"Era um criminoso? Era. Um assassino? Certo. Um carniceiro? Certo. Mas foi forte até o fim. Não ouvi um pingo de arrependimento de sua parte, não o ouvi implorar misericórdia a Deus, ou pedir perdão”, concluiu o ex-secretário.


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