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Os antigos egípcios usavam 'mega hair'?

Donos de uma extravagância impressionante, os habitantes do Egito Antigo preocupavam-se com a aparência mais que você pode imaginar

Isabela Barreiros Publicado em 03/01/2021, às 08h00

A múmia da mulher egípcia com "mega hair"
A múmia da mulher egípcia com "mega hair" - Wikimedia Commons

O Egito Antigo é conhecido por sua extravagância: túmulos simples foram transformados em pirâmides, vestes reais, em roupas cheias de ouro e detalhes impressionantes. Até mesmo os corpos dos mortos eram transformados em algo diferente, passando por procedimentos meticulosos de mumificação.

É claro que uma civilização antiga possui mistérios que podem demorar séculos para serem descobertos. Alguns detalhes também não são facilmente identificados por pesquisadores que dedicam sua vida ao estudo dos antigos egípcios. No entanto, ao longo dos anos, escavações revelam fatos impressionantes.

A Pirâmide de Quéops / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2014, um projeto arqueológico realizado em Amarna, uma cidade do Egito Antigo que foi erguida para ser a capital do faraó Akhenaton, mas logo abandonada, encontrou um esqueleto curioso. Ele pertencia a uma mulher que viveu há pelo menos 3.300 anos na região, apresentando uma particularidade que chocou os pesquisadores envolvidos.

A moça estava com um penteado muito peculiar, que não foi visto por especialistas antes. Era uma espécie de “mega hair”, como chamamos na atualidade, consistindo em por volta de 70 extensões diferentes de cabelo, formando uma peruca única, colocada em camadas na cabeça da egípcia.

A descoberta foi tão notória que intrigou pesquisadores por muito tempo, que passaram a investigar ainda mais as práticas egípcias do passado, ainda mais características que poderíamos imaginar. Um estudo foi feito acerca dos restos mortais da mulher em questão e mais 100 crânios descobertos na mesma região.

A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Egyptian Archaeology, revelando pela primeira vez as análises dos cientistas acerca do detalhe peculiar dos esqueletos. Das 100 cabeças examinadas, 28 ainda apresentavam cabelo, demonstrando que esse não foi um costume particular da moça egípcia examinada previamente.

A arqueóloga Jolanda Bos e seu time de especialistas foram os responsáveis pelo exame dos esqueletos do Egito Antigo. Mesmo que eles já tenham sido estudados, ainda existem muitas dúvidas sobre o tema, que deve continuar sendo objeto de pesquisa por muitos anos. 

A múmia de Duathathor-Henuttawy, que apresenta cabelo / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Um dos nossos principais questionamentos é se a mulher tinha esse estilo de cabelo ou se ele foi feito apenas para o seu enterro”, questionou Bos. Para a pesquisadora, é muito provável que as mulheres do período histórico usassem o “mega hair” normalmente, durante sua rotina, não somente em rituais funerários.

Os restos mortais encontrados no cemitério de Amarna apresentavam extensão de cabelo, isso é um fato. Mas mais que isso, muitos possuíam fios de cores diferentes, o que sugere que algumas pessoas doaram seu cabelo para formar o mega hair. Uma peruca, por exemplo, era colorida de preto e cinza escuro, que provavelmente não foram retirados de uma mesma cabeça.

Outra coisa que os pesquisadores perceberam foi uma tonalidade laranja em um cabelo quase inteiramente grisalho. Isso sugere que a mulher pode ter pintado seu cabelo com henna, o material mais provável de acordo com Bos. “Ainda não estamos completamente certos do tipo de coloração que foi usada no cabelo, mas parece hena em uma avaliação macroscópica”, explicou.

No entanto, a descoberta dos penteados peculiares pode levar a uma análise mais aprofundada sobre a diversidade étnica do Egito Antigo. Afinal, foram encontrados cabelos dos mais variados tipos: indo “de cabelo preto crespo a marrom liso”. Para a pesquisadora, isso “pode refletir um grau de variação étnica”.


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